A exportação de petróleo rendeu a Angola, em Janeiro, 102,5 mil milhões de kwanzas (568,1 milhões de euros), menos de um terço face ao mesmo mês de 2014, antes da crise da cotação internacional do barril de crude.

Em causa está a crise provocada pela cotação internacional do crude que se faz sentir há cerca de um ano e meio, cuja quebra agravou as contas de Angola, o segundo maior exportador da África subsaariana, caindo de um preço médio de 100,41 dólares (2014) para 51,77 dólares no final de 2015.

Só no mês de Janeiro de 2014, antes do efeito da crise, de acordo com relatórios do Ministério das Finanças compilados hoje pela Lusa, entre impostos ordinários e lucros da concessionária nacional, a exportação de 49.275.430 barris de petróleo rendeu a Angola 325,1 mil milhões de kwanzas (1,8 mil milhões de euros, à cotação actual).

Em Janeiro de 2015, as vendas de 52.565.815 barris de crude representaram receitas de 139,5 mil milhões de kwanzas (797 mil milhões de euros, à cotação actual) para Angola.

Face a Janeiro de 2014, o registo do primeiro mês deste ano representa uma quebra de receita de 68,5%, apesar de a quantidade ter aumentado, para 54.722.561 barris de crude, o equivalente a 1,765 milhões de barris por dia.

Em média, cada barril de petróleo angolano foi vendido em Janeiro a menos de 37,7 dólares.

Na origem destes dados estão números sobre a receita arrecadada com o Imposto sobre o Rendimento do Petróleo (IRP), Imposto sobre a Produção de Petróleo (IPP), Imposto sobre a Transacção de Petróleo (ITP) e receitas da concessionária nacional.

Os dados constantes neste relatório do Ministério das Finanças resultam das declarações fiscais submetidas à Direcção Nacional de Impostos pelas companhias petrolíferas, incluindo a concessionária nacional angolana, a empresa pública Sonangol.

O petróleo garantiu em 2014 cerca de 70% das receitas fiscais angolanas, mas em 2015 não deverá ter ultrapassado os 36,5%, de acordo com as projecções governamentais.

O país está há mais de um ano mergulhado numa crise financeira, económica e cambial, com uma inflação galopante, já superior a 17% a um ano, e a revisão em baixa do crescimento, estimado em 3,3% do Produto Interno Bruto para 2016.

Bancos abrem cordões à bolsa

O crédito concedido pelos bancos angolanos aumentou quase 12 por cento em 2015, para mais de 3.586 milhões de kwanzas (20,5 mil milhões de euros), segundo dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

De acordo com um relatório do banco central, o crédito concedido até final de 2014 cifrava-se em 3.205 milhões de kwanzas (18,3 mil milhões de euros), pelo que durante o último ano esse volume cresceu, à taxa de câmbio actual, mais de 2,2 mil milhões de euros.

Do total de crédito concedido em 2015, cerca de 725,3 mil milhões de kwanzas (4,1 mil milhões de euros) foram para o sector do comércio por grosso e retalho, logo seguido pelas actividades ligadas aos serviços colectivos, sociais e pessoais, com 514 mil milhões de kwanzas (2,9 mil milhões de euros) e ao imobiliário e serviços de construção, com 498 mil milhões de kwanzas (2,8 mil milhões de euros).

Angola vive uma crise financeira, económica e cambial, decorrente da forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que motivou uma descida para metade nas receitas fiscais com a exportação de petróleo e por consequência na entrada de divisas no país, condicionando toda a actividade económica.

Os últimos dados sobre a banca angolana referem-se a 2014, ano em que os lucros caíram para metade, influenciados pela situação no ex-Banco Espírito Santo Angola (BESA), segundo a análise que a consultora Deloitte apresentou em Setembro último, em Luanda.

Angola contava em 2014 com 23 bancos e o resultado líquido do sector caiu para 45,4 mil milhões de kwanzas (259,5 milhões de euros), comparando com o ano anterior, devido ao ‘caso BESA’, que foi transformado em Banco Económico, após intervenção do BNA.

O estudo da Deloitte refere ainda que o crédito líquido a clientes em Angola aumentou 8% face a 2013, ultrapassando, em valores agregados, os 2,930 biliões de kwanzas (16,7 mil milhões de euros).

Contudo, o crédito vencido também disparou, 11,2%, e ascendeu a 14,5% do total, equivalente a cerca de 2,5 mil milhões de euros.

Fonte: Lusa

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