O kwanza caiu para o valor mais baixo desde Setembro de 2001, desvalorizando 15% para 158,7 kwanzas por dólar, que acresce à quebra de 24% em 2015, de acordo com a contabilização da Bloomberg.

D e acordo com esta agência de notícias financeira, a moeda nacional angolana caiu 15% no primeiro dia útil deste ano, somando à queda de 24% registada durante o ano passado, uma tendência que já dura há oito anos.

Na semana passada, o kwanza vendeu-se a uma taxa média de 156,3, o que compara com os 135,9 na semana anterior, segundo disse o Banco Nacional de Angola no final de Dezembro, e representa “a maior desvalorização desde que as autoridades monetárias começaram a cortar o câmbio em vários momentos durante 2015, que [a consultora] Grupo Eurasia estima ter representado 25% antes da última redução”, diz a Bloomberg.

De acordo com a interpretação da Bloomberg, o banco central está a tentar esbater a diferença entre a taxa oficial de câmbio e a variação no chamado “mercado negro”, no qual um dólar pode valer 270 ou 280 dólares, cerca do dobro da taxa oficial.

Em Novembro, o banco central começou a limitar o acesso aos dólares, restringindo o montante que disponibilizava aos bancos comerciais, em resultado da descida de mais de 65% no preço do petróleo desde Junho de 2014, o que reduziu drasticamente a disponibilidade da moeda norte-americana.

A limitação imposta pelo banco central, que na prática decide quais os sectores que mais precisam de dólares, deixou as empresas à mercê da discricionariedade das autoridades, disse o presidente da Associação Industrial de Angola, José Severino, em declarações à Bloomberg, em Dezembro.

A mudança de ano trouxe uma maior abertura do Banco Nacional de Angola à desvalorização do kwanza e o impacto está a ser fortemente negativo para a moeda angolana.

Recorde-se, entretanto, que um estudo da agência de notação financeira Moody’s diz que o sistema financeiro angolano é o mais vulnerável em África.

A análise da agência de notação financeira Moody’s à banca africana levou em conta o que se passa e as perspectivas em 32 país avaliados.

No estudo ao sistema financeiro de Angola, a Moody’s considera que o cenário em cinco das seis alíneas analisadas vai degradar-se em 2016: o ambiente das operações, o risco dos activos, o lucro, o financiamento e a liquidez, e o apoio do Governo.

A única alínea que não deverá piorar este ano é a que analisa o capital, que a Moody’s prevê que se mantenha estável em 2016.

“Os crescentes riscos de crédito vão ser equilibrados contra lucros resilientes, almofadas de capital sólidas e financiamento baseado nos depósitos”, escreve a agência de notação financeira no relatório ‘Banking – Africa 2016′.

“Os sistemas bancários mais vulneráveis são Angola, Nigéria e o Gana”, acrescenta o documento, onde se lê que, numa perspectiva global, “o abrandamento do crescimento económico, a depreciação da moeda e a saída de capitais – mais aguda nos bancos em países exportadores de matérias-primas; a gestão de risco e a capacidade de supervisão ainda em desenvolvimento; e a cobertura modesta das perdas num contexto de enquadramento legal fraco” são as principais razões para a subida dos riscos na qualidade dos activos.

No relatório que elege Marrocos e o Egipto como os países com o sistema financeiro mais resistente, os peritos da Moody’s afirmam esperar um aumento dos depósitos entre 10 a 12%, no geral, mas sublinham que “o crescimento do crédito na Nigéria e Angola vai desacelerar significativamente, para baixo do crescimento do Produto Interno Bruto”.

Em Outubro, a Moody’s tinha afirmado esperar um crescimento de 4% este ano e uma aceleração para 4,7% em 2016: “Angola está a lidar com um choque petrolífero na sua economia dependente do petróleo”, dizem os analistas, notando que o país “está mais bem preparado do que estava em 2009, e as suas respostas políticas foram mais rápidas e abrangentes num esforço para prevenir as almofadas orçamentais de que dispõe e preveniu uma perda de competitividade”.

Ainda assim, “a posição externa deteriorou-se significativamente, e a posição fiscal e as perspectivas de crescimento pioraram a curto prazo”, disse a Moody’s em Outubro.

Partilhe este Artigo