A Igreja Católica angolana diz – num raro e atrasado laivo de sanidade mental – que a falta de ética, a má gestão do erário público e a corrupção generalizada estão na origem da crise económica e financeira em Angola, e não apenas o petróleo, como tem dito o Governo.

Por Norberto Hossi (*)

Vamos repetir para ver se é mesmo verdade. A Igreja Católica – a de Angola, é claro – disse mesmo isso? Fala de falta de ética, má gestão do erário público e corrupção generalizada? Haja Deus!

A Nota Pastoral, divulgada hoje no final da primeira assembleia ordinária da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast), que decorreu desde o dia 2 em Ndalatando, província do Cuanza Norte, faz uma radiografia tão real quanto catastrófica para o regime que (nunca será demais dizer Haja Deus) é responsável pela situação actual do país.

Os responsáveis católicos lamentam “o agravamento preocupante da pobreza das populações e a paralisação paulatina dos agentes económicos”, devido às dificuldades na renovação de mercadorias por falta de poder aquisitivo”, bem como a “falta de critérios no uso dos fundos públicos, gastos exorbitantes, importação de coisas supérfluas, que não aproveitam às populações”.

“Aumenta assustadoramente o fosso entre os cada vez mais pobres e os poucos que se apoderam das riquezas nacionais, muitas vezes adquiridas de forma desonesta e fraudulenta”, acusa a Ceast que é peremptória ao afirmar que a crise actual em Angola deve-se também à “mentalidade de compadrio ao nepotismo, em acúmulo à discriminação derivada da partidarização crescente da função pública, que sacrifica competência e o mérito”.

A partidarização dos meios de comunicação social foi também criticada na Nota Pastoral, dizendo que esses meios públicos “devem estar ao serviço de todos”.

Ao fazer uma radiografia do país, os bispos católicos citam o aumento do índice da mortalidade de crianças e adultos, devido ao paludismo, diarreia e febre-amarela, a falta de água, a acumulação do lixo, desvio de medicamentos para farmácias ou unidade de saúde privadas, enquanto muitos hospitais têm falta de medicamentos e nem conseguem alimentar os doentes.

A seca no sul de Angola não passou ao lado da Conferência que apela à mobilização de todos para ajudar os que sofrem e exige uma definição de “políticas concretas que ponham fim a estes males crónicos”.

Os bispos classificam de “grave a prevalência de espectáculos de conteúdo moral, científico e cultural, duvidoso penalizando a cultura das populações angolanas”.

(*) Com VOA – Voz da América

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