«Em nome de todos os estudantes angolanos bolseiros em Cuba, vimos por este meio denunciar e levantar as nossas vozes contra a gravíssima situação que estamos a passar aqui neste país, por causa do excessivo atraso ou melhor da falta de pagamento do estipêndio por mais de 7 meses por parte do INABE (instituto Nacional de Gestão de bolsas de Estudos).

F az já praticamente 8 meses que nós não recebemos os subsídios conforme consta no regulamento do contrato que nos foi dado e que assinamos. Nossos pais já foram várias vezes ao INABE para saber o motivo desta situação inaudita, e apenas recebem como resposta por parte do director do INABE, Moises Kafala, que não há nenhum atraso de estipêndio ou divida para com os estudantes, coisa que é a mais crassa mentira.

Temos passado por situações extremamente difíceis, estamos num país que não é nosso, e sem ninguém que nos ajude. Por outro lado a situação é ainda mais desesperante já que os nossos familiares não podem enviar dinheiro pela actual situação com relação ao dólar americano.

Também temos conhecimento que em Angola propagam-se noticias pelo jornal e pela rádio de que todos os estudantes na diáspora foram pagos, coisa que não é real em Cuba. Além disso, se é verdade que o estipêndio já foi enviado pra Cuba, então verifiquem com o sector estudantil da Embaixada, para certificarem-se de que os estudantes receberam o tão importante estipêndio.

A Embaixada nunca nos apoia, e especificamente o sector estudantil que é dirigida pelo Sr. Caetano Domingos e o Sr. Manuel, que nem se quer pronunciaram uma só palavra sobre toda esta penosa situação. A situação está tão grave que 15 estudantes já regressaram ao país, de modo que são menos 15 profissionais que se perde, muitos da área da saúde.

Devido a esta situação acreditamos que há corrupção por parte dos responsáveis deste sector. Inclusive sabemos que eles tratam de subornar aos responsáveis da Associação de estudantes para não reagirem e ficarem calados.

Não queremos criar manifestações, por serem estritamente proibidas em Cuba (que é Socialista), mas pelo desespero, as dívidas, a fome, o estress, e outras penúrias, pouco a pouco tem crescido em nós, um sentimento profundo de revolta que pode rebentar a qualquer momento. Por sermos tão mansos, a situação tem sido cada vez pior, nos tratam como se fossemos cães, mas até o cão mais manso quando está encurralado pelo seu agressor, não tem outra opção, se não atacar.

É nosso dever discutir sobre os nossos direitos, não devemos manter-nos calados e sofrer em silêncio, se a situação continuar apenas por mais um pouco…

Tão seguramente como amanhã sairá o sol, as consequências virão.
Estudantes bolseiros em Cuba, aos 28 de Janeiro de 2016.»

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