O deputado da UNITA Paulo Lukamba “Gato” apresentou hoje em Luanda a sua candidatura à Presidência do maior partido da oposição angolana, no XII congresso daquela formação política a realizar-se em Dezembro próximo.

P aulo Lukamba “Gato”, que concorre à liderança do partido 12 anos depois da sua primeira tentativa, referiu que esse período permitiu “fazer leituras” e preparar-se melhor para o desafio.

“Fui candidato vencido em 2003, durante estes anos deixei que o presidente eleito trabalhasse sem sobressaltos, com a minha total colaboração, sempre que me chamou para tarefas concretas, temporárias ou permanentes, estive ao seu lado”, disse

O antigo secretário-geral da UNITA frisou que chegou a sua hora de colocar o “último tijolo e deixar a nova geração continuar esta grande batalha”.

Paulo Lukamba “Gato”, que desde a morte em combate, em Fevereiro de 2002 do presidente da UNITA, Jonas Savimbi, assumira o comando do partido até alguns dias antes do IX Congresso, salientou na altura que a democratização da UNITA afigurava-se como um instrumento para participar activamente no exercício em que “estamos todos engajados no quadro das mutações políticas, sociais e económicas em curso no país”.

Neste sentido, Lukamba Gato apelou aos seus correligionários para trabalharem em estreita cooperação e colaboração com a nova direcção do partido de forma a restituir a unidade e a coesão à UNITA.

Recordou que depois da morte de Jonas Malheiro Savimbi, muitos haviam vaticinado a extinção da UNITA como partido político, acrescentando que isso não aconteceu graças à perspicácia dos seus militantes.

Será que depois do próximo Congresso, os candidatos derrotados também dirão “Venceu a democracia, venceu a UNITA e venceu Angola”?

Esperemos que sim. Para bem da UNITA mas, sobretudo, para bem dos Angolanos.

O prazo de candidatura à liderança do partido termina no domingo, tendo já também outro deputado da UNITA, Abílio Kamalata Numa, manifestado a sua intenção de concorrer à presidência da formação política.

“Eu vou formalizar a minha candidatura até antes do dia 25, oficialmente vou entregar a minha documentação às instituições do partido, nos próximos dias, depois o meu ‘staff’ dirá o local onde vamos realizar a nossa candidatura”, disse Abílio Kamalata Numa, que esteve hoje presente no ato de apresentação do seu concorrente.

Abílio Kamalata Numa, de 60 anos e na UNITA desde 1974, que assume “preocupação” com o actual rumo do país, disse que pretende tornar o partido “mais dinâmico, com uma imagem mais atractiva”.

“Pretendo um partido que se projecta para o futuro como moderno, um partido que não continue amarrado aos anátemas das ideologias passadas, mas que busca nos seus fundamentos o dinamismo de se poder contextualizar na actualidade”, disse o general Numa.

Além destes dois, o actual presidente da UNITA, Isaías Samakuva, apresenta na sexta-feira a corrida à sua reeleição, sob o lema “Unidade e Acção para a Vitória em 2017”.

A grande questão à volta da escolha do novo líder da UNITA, prende-se com a corrida de Isaías Samakuva, já com três mandatos, à sua sucessão, considerada por apoiantes seus como legítima, tendo em conta que os estatutos do partido não definem limitações de mandato.

Para concorrer à liderança do partido fundado por Jonas Savimbi, os candidatos têm de ter pelo menos 15 anos de militância “consequente e irrepreensível” na UNITA e reunir assinaturas correspondentes a um mínimo de 40 dos membros efectivos da comissão política e um mínimo de 1.000 assinaturas de militantes, sendo pelo menos 50 assinaturas por cada uma das 18 províncias de Angola.

O vencedor exercerá o mandato até 2019 e será o candidato da UNITA às próximas eleições gerais, que deverão ter lugar em 2017.

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