O Instituto Superior Politécnico de Gestão, Logística e Transportes (ISGEST) terá suspendido o início do ano lectivo de 2015, cujo arranque estava marcado para Março último.

A decisão apanhou de surpresa os alunos dos cursos das Engenharias em Logística de Transportes, Mecatrónica, Telecomunicações e Informática, bem como os de Contabilidade de Gestão

Mais de três mil alunos do ISGEST, do 1º ao 2º ano não têm aulas há oito meses, altura em se devia dar início ao ano lectivo de 2015.

A instituição, que é uma estrutura da responsabilidade do Ministério dos Transportes, liderado por Augusto da Silva Tomás (foto), é vocacionada para a formação de quadros técnicos para os sectores marítimo-portuário, aéreo, ferroviário e rodoviário, começou a funcionar há três anos e tem cerca de três mil alunos, divididos em dois turnos em cursos das Engenharias em Logística de Transportes, Mecatrónica, Telecomunicações, Informática e Contabilidade de Gestão.

A direcção da instituição ainda não deu qualquer explicação oficial sobre o sucedido. Cerca de 32 salas de aulas e os laboratórios encontram-se encerrados. A direcção parece estar a funcionar a meio gás. Apenas meia dúzia de funcionários têm marcado presença. Ainda que entre eles o tema da falta de aulas seja tabu – poucos falam no assunto e todos se recusam a dar a cara.

“A razão para o não arranque do ano lectivo 2015 prende-se com o facto de a instituição estar em processo de passagem de instituto público para privado, ou seja para deixar de pertencer ao Ministro dos Transportes”, afirma uma funcionária que prefere não se identificar.

Em declarações ao “Semanário Económico”, a porta-voz do Ministério do Ensino Superior, Angelina Canjengo, disse não ter conhecimento da paralisação das aulas “naquela instituição”.

Entretanto, entre os estudantes, o ambiente é de revolta e indignação. “A direcção do instituto não reuniu formalmente com os estudantes para informar o que se estava a passar. Recebemos informações contraditórias todos os dias da secretaria, cujos funcionários tinham sempre alguma coisa nova para acrescentar”, referem, perguntando: “quem vai pagar esse tempo que estamos a perder?”

O sentimento de tristeza é visível na maioria dos alunos. “Em Abril do presente ano, tomámos conhecimento de que estavam à espera de qualquer decisão do Ministério do Ensino Superior, pelo que as aulas teriam inicio apenas em Agosto, o que não aconteceu até ao momento”, conta um aluno.

“No principio de Abril 2015 recebemos informação de que o ISGEST será propriedade (privada) do ministro Augusto da Silva Tomás. Disseram-nos que passará a ser um instituto privado e que devíamos passar a pagar. Nos cursos das áreas das engenharias os estudantes pagariam 30 mil Kwanzas, enquanto no de Contabilidade e Gestão a propina é de 25 mil Kwanzas”, referem.

No discurso de inauguração do instituto, a 30 de Agosto de 2012, o ministro dos Transportes, Augusto da Silva Tomás, referiu que o ISGEST surgia no país como resposta qualificada à necessidade urgente de formar líderes, administradores, dirigentes e quadros capazes de desenvolver programas de investigação científica e de assistência técnica ligadas à gestão, logística e aos transportes. Na ocasião, Augusto Tomás, disse que o ISGEST pretendia ser uma instituição universitária, líder em África e de referência internacional, nas suas áreas de actuação.

O Instituto Superior, inserido no subsistema de educativo nacional, está vocacionado para o ensino, formação, para a Consultoria e Investigação Científica e para Assistência Técnica nas áreas de Gestão, Logística e dos Transportes, capacitado para albergar 3500 estudantes e, possuindo laboratórios equipados. A instituição localizada no município de Belas, província de Luanda, implementado no Campus Universitário com dez hectares.

Em 2013 abriu as portas, com os cursos das Engenharias em Logística de Transportes, Mecatrónica, Telecomunicações e Informática, bem como o curso de Contabilidade e Gestão.

O Folha 8 tentou por várias vezes obter uma resposta das entidades envolvidas mas, até ao momento, tal não foi exequível.

Partilhe este Artigo