A inflação em Angola pode chegar aos 14% ainda este ano, segundo a análise dos técnicos do gabinete de estudos económicos do BPI, numa nota enviada aos investidores no seguimento de uma visita ao país, realizada este mês.

“D e acordo com as nossas estimativas, a taxa de inflação pode acelerar nos próximos meses, devido aos efeitos relacionados com a desvalorização da taxa de câmbio, bem como devido à introdução de um novo imposto sobre o consumo, com as previsões a admitirem a possibilidade de que a taxa de inflação pode chegar aos 14% antes do final do ano”, lê-se no documento.

De acordo com o relatório “Breves Notas no Seguimento da Visita da Angola”, o BPI afirma que “dado o contexto de descida dos preços do petróleo nos mercados internacionais, bem como a queda nas entradas de divisas estrangeiras no país, o Banco Nacional de Angola procedeu a uma desvalorização gradual da moeda nacional, registando uma depreciação acumulada de 30% desde o princípio de 2015, um processo que pressionou a subida da inflação”.

No relatório, assinado pela analista Luísa Felino, lembra-se que a taxa de inflação anual “caiu consideravelmente durante os últimos anos”, passando de dois dígitos em 2012 para menos de 7% em Junho do ano passado, mas inverteu a tendência quando as condições económicas de Angola se alteraram.

“A taxa de inflação de Luanda, que serve de referência para as decisões de política monetária, aumentou de 7,4% anual no princípio do ano para 12,4% em Outubro, regressando aos dois dígitos depois de estar abaixo dessa linha desde Junho de 2014”, afirma-se no relatório, que faz uma análise geral da economia angolana e dos desafios que enfrenta.

“Apesar dos consideráveis esforços de diversificação, a economia angolana continua vulnerável aos desenvolvimentos no sector petrolífero, por isso, a persistência dos preços baixos nos mercados internacionais é um grande risco negativo”, diz o documento.

O cenário de preços baixos a médio prazo “continua a ser o mais razoável dado o contexto actual, com a oferta dos países fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a manter-se expansionista, enquanto a procura global deverá continuar mais baixa, dado o efeito da desaceleração económica que a China enfrenta”, lê-se no documento.

Além dos riscos externos, Angola enfrenta também uma descida das receitas fiscais que impactam os planos do executivo para a despesa pública, que deve alargar-se a outros sectores da economia. Esta situação, de acordo com o BPI, “simplesmente sublinha a necessidade urgente de acelerar a sério o processo da diversificação da actividade económica”.

Apesar dos enormes desafios económicos que Angola tem pela frente, o BPI considera que o país está mais bem preparado do que na última crise petrolífera, que decorreu da recessão económica mundial no seguimento da crise financeira motivada pelo problema do ‘subprime’.

“As fundações macroeconómicas estão, hoje em dia, mais resistentes que durante o período a seguir à crise de 2008-2009”, diz o BPI, que cita como exemplos de boa gestão a rapidez com que o Executivo reagiu à descida dos preços, o montante considerável de reservas em moeda estrangeira acumuladas nos últimos anos e a adopção de “opções conservadores sobre a trajectória dos preços do petróleo nos orçamentos – 40 dólares por barril no Orçamento revisto de 2015 e 45 dólares no Orçamento para o próximo ano”.

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