NAMÍBIA ACCIONISTA DA REFINARIA DO LOBITO

O Presidente do MPLA, nas vestes por inerência de Presidente da República, convidou a Namíbia a integrar a estrutura accionista da refinaria do Lobito, que se encontra em construção, na província de Benguela (que não chegou a ser a prometida… Califórnia), para processar diariamente 200 mil barris de petróleo.

João Lourenço falava à imprensa, no final da assinatura de oito instrumentos de cooperação entre Angola e a Namíbia em várias áreas, entre as quais pescas, turismo, desporto, cultura, no âmbito da primeira visita de Estado, de dois dias, que a sua homóloga namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah, realiza ao país.

O chefe de Estado angolano referiu que Angola tem vindo a partilhar a sua experiência na pesquisa e produção de petróleo com a Namíbia, país que recentemente “entrou para o clube dos países produtores de petróleo”, apesar de não ter ainda efectivamente começado a produzir.

“Angola já tem vindo a cooperar com a Namíbia, a partilhar a longa experiência que temos no domínio da pesquisa, da produção e da comercialização de petróleo”, referiu, anunciando que a Namíbia foi convidada a integrar a estrutura accionista da “grande refinaria do Lobito, que terá a capacidade, quando concluídos os trabalhos de construção, de produzir 200 mil barris/dia de refinados de petróleo, diesel, gasolina e outros”.

Segundo o general João Lourenço, com esta capacidade, Angola estará em condições não apenas de satisfazer o mercado nacional como também as necessidades dos países vizinhos, “evidentemente prioritariamente para aqueles que forem acionistas, donos da refinaria”.

O programa da visita da Presidente da Namíbia prevê, na terça-feira, uma visita à refinaria de Luanda, um acto importante, segundo João Lourenço, para que a sua homóloga possa aferir a relevância de os dois países transformarem localmente as suas riquezas.

“Estou-me a referir ao petróleo que temos habitualmente exportado na sua forma bruta, mas hoje, com as guerras na Europa, no Médio Oriente, no Golfo Pérsico, aprendemos todos – talvez tarde — que quem tem petróleo tem que ter refinarias, tem que concluir o trabalho, não pode ficar como produtor de petróleo simplesmente, tem que refiná-lo”, disse.

João Lourenço acrescentou que “há quem não tenha petróleo, não explora petróleo e tem refinarias”.

“Portanto, nós os exploradores de petróleo, por maioria de razão, temos que prestar muita atenção à necessidade de vendermos cada vez menos petróleo bruto e passarmos a vender muito mais petróleo já refinado”, salientou.

Na sua intervenção, Netumbo Nandi-Ndaitwah referiu que a próxima fase da cooperação bilateral entre os dois países requer uma nova abordagem para a exploração dos recursos naturais de ambos os países.

“Os nossos países, ambos são ricos em recursos naturais, por isso não devemos permitir mais que os nossos recursos sejam explorados e exportados como matérias-primas”, referiu.

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