NUM PAÍS DE FAMINTOS, FUNDOS DE PENSÕES CRESCERAM 12%

Os activos sob gestão de sociedades gestoras dos fundos de pensões angolanos atingiram 1,33 biliões de kwanzas (1,2 mil milhões de euros), no primeiro semestre deste ano, avançou hoje fonte do sector.

Segundo o administrador executivo da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (Arseg), Aldemiro Gonçalves, em 2025, os activos sob gestão das empresas gestoras de fundos de pensões rondavam os 1,25 biliões de kwanzas (1,1 mil milhões de euros) um crescimento de 12% face a 2024.

Aldemiro Gonçalves, que participou hoje na terceira edição da Conferência “Fundo de Pensões: Como Massificar a Poupança para a Reforma?”, iniciativa da Revista Economia e Mercado, adiantou que actualmente existem 46 fundos de pensões.

“Neste momento, estamos a falar de 35 fundos de pensões fechados e 11 fundos de pensões abertos”, referiu a fonte, acrescentando que até ao final o ano devem ultrapassar os 50, tendo em conta a conclusão de pelo menos cinco processos, que aguardam apenas publicação em Diário da República.

Apesar da rota de crescimento, o administrador executivo da Arseg defendeu que é preciso ainda investimento substancial na literacia financeira, com o envolvimento de todos os actores do setor, realçando que os 35 fundos fechados estão ligados a um único empregador, uma única empresa e um único grupo profissional.

Os fundos fechados concentram cerca de 96,63% de todo o património gerido pelo sector contra apenas 3,37% dos fundos abertos.

“Isso mostra que em Angola a poupança para a reforma continua a ser sobretudo um privilégio para quem trabalha nas grandes empresas, nas multinacionais e em determinadas instituições do setor público”, referiu, acrescentando que apenas três entidades gestoras reúnem 69% de todos os participantes do mercado.

Até final do ano passado, o mercado contava com 68.423 participantes, um crescimento de 4% face a 2024, sendo, contudo, “um universo residual quando comparado com a população ativa angolana”, frisou Aldemiro Gonçalves.

O responsável salientou que há espaço para inovação a nível dos produtos, alertando que há inúmeras classes fora do mercado do fundo de pensões, por exemplo, classes liberais organizadas como advogados, médicos, arquitetos e outros.

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