O pré-candidato à liderança do MPLA, Higino Carneiro, admitiu hoje pedir a impugnação das eleições no partido, no poder em Angola há 50 anos, se não forem respeitados os estatutos internos na corrida à liderança.
O antigo general assume-se como principal adversário do actual presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e Presidente da República por inerência, general João Lourenço, no congresso de Dezembro e viu a sua candidatura rejeitada.
Recorreu ao Tribunal Constitucional que negou o pedido de suspensão da decisão do partido e disse hoje que vai “esgotar todos os recursos” a que tem direito para levar a candidatura adiante.
Higino Carneiro fez um ponto da situação em conferência de imprensa, reiterando que não está a pensar em desistir.
“Um general não recua antes de chegar ao combate”, afirmou, admitindo que poderá “levantar uma eventual impugnação do processo”, com consequências para o IX congresso ordinário marcado para 9 e 10 de Dezembro.
Higino Carneiro disse que foram submetidos ao Tribunal Constitucional três requerimentos de aclaração, falsidade e nulidade, no dia 15 deste mês.
Admitiu que o tempo joga contra si, mas ainda assim a intenção é esgotar todos os recursos a que tem direito enquanto militante e membro da direcção do partido.
“Também sou membro do Comité Central, tenho direito de assento direto ao congresso, por isso é que é prematuro estar a pensar que as coisas não vão correr conforme nós desejamos”, referiu.
Segundo Higino Carneiro, o objetivo não é ir até às últimas consequências e diz que ainda acredita “no bom senso e no diálogo”.
“E, sobretudo, que respeitemos ao máximo aquilo que nós próprios escrevemos quando aprovámos os nossos estatutos, que foram ao longo dos tempos alterados, renovados e aprovados consensualmente”, frisou.
O general disse que a intenção não é prejudicar o MPLA, mas sim ajudar a aprofundar a democracia interna, “para o tornar mais forte e renovado, para enfrentar os desafios que se aproximam em 2027”.
“Por isso, uma decisão justa de qualquer dos órgãos da cadeia recursória interna ou externa ajudará a evitar uma eventual impugnação do processo”, afirmou.
Questionado se manteve nos últimos tempos algum encontro com João Lourenço, o pré-candidato à presidência do MPLA disse que falaram no dia 2 de Junho de 2025, altura em que comunicou a sua intenção de se candidatar à liderança do partido.
“Nunca mais voltámos a falar e tenho recorrido aos instrumentos, às instituições que foram criadas dentro do partido, para fazer chegar a minha comunicação. Quem é mais forte também deve ser magnânimo, não vi ainda necessidade de estar a pedir uma audiência ao presidente para abordar este tema que é sobejamente conhecido e é público e que estamos a tratá-lo dentro das instituições que foram criadas pelo próprio Comité Central”, disse.
Higino Carneiro referiu que a sua verticalidade e coerência o encorajam a prosseguir a luta para concorrer à presidência do MPLA.
“Coerência não faz mal a ninguém, se eu não for coerente comigo mesmo, a história vai-me julgar amanhã”, salientou, acrescentando que a sua luta não é pessoal, porque está “à procura de um cargo”, mas porque pela sua história e militância cabe-lhe “fazer alguma coisa pelo partido”.
A 25 de Junho passado, Higino Carneiro apresentou a sua candidatura, que foi rejeitada a 21 de Julho pela subcomissão, apontando graves irregularidades, nomeadamente assinaturas alegadamente falsificadas e a utilização indevida de documentos de identificação.
O pré-candidato apresentou uma reclamação junto da Comissão Nacional Preparatória do congresso, argumentando que a decisão era extemporânea, por o prazo de entrega e regularização das candidaturas continuar a decorrer.
