FMI DIZ QUE O GOVERNO ESTÁ EM PONTO MORTO

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defendeu hoje que Angola deve adoptar uma “consolidação orçamental proativa”, alertando que abrandou a implementação de reformas para fomentar o investimento estrangeiro, reduzir a dependência do petróleo e acelerar a diversificação económica.

Os economistas do FMI escreveram na avaliação feita ao país no seguimento do programa de ajustamento financeiro, que terminou em 2021, que “um ambiente externo favorável contribuiu para uma posição externa mais sólida e para o crescimento da actividade não petrolífera, para um melhor acesso aos mercados e para a descida da inflação; ao mesmo tempo, porém, abrandou o ajustamento macroeconómico e o ímpeto das reformas, fundamentais para reduzir a dependência do petróleo e as vulnerabilidades de Angola”.

“Manter a estabilidade macroeconómica e os ganhos de produtividade, conquistados com tanto esforço, neste mundo propenso a choques, exigirá uma consolidação orçamental proactiva, uma política monetária prudente e flexibilidade cambial”, salienta o FMI, numa nota assinada pela líder da equipa técnica que visitou Luanda entre 24 de Agosto e 6 de Setembro, Mika Saito.

Na nota divulgada hoje em Washington, o FMI reconhece que o “ambiente externo favorável” proporcionou uma posição externa mais sólida e “o fortalecimento da actividade não petrolífera, um melhor acesso aos mercados e a descida da inflação”, que em Julho pelo segundo mês consecutivo ficou abaixo dos dois dígitos.

Ainda assim, Mika  Saito alerta que “novas reformas estruturais para melhorar o ambiente empresarial, reforçar a governação, atrair investimento estrangeiro e diversificar a economia serão importantes para o crescimento sustentável”.

A visita do FMI a Angola insere-se na Avaliação Pós-Financiamento (PFA), um instrumento para avaliar a evolução macroeconómico dos países que receberam ajuda financeira do FMI nos anos anteriores, e dá conta das políticas dos membros, da coerência do quadro macroeconómico com o objectivo de viabilidade a médio prazo e das implicações para a capacidade do membro de reembolsar os empréstimos feitos pelo Fundo.

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