A palavra escatologia deriva do grego: eschatos (último) e logia (estudo) significa o estudo teológico e filosófico das “últimas coisas” No caso concreto, a direcção do MPLA por mais que teime em não ver o óbvio: desgaste e descrença dos militantes e populares, a escatologia já lhe bateu à porta. Tem de aceitar, porque as acções de violação estatutária, da lei e constituição, constituem o marco do fim da sua história. Os escatologistas ideológicos do regime, teimam em tapar o sol com a peneira, mas os altos índices de rejeição, fome, miséria, discriminação, injustiça não mentem.
Por William Tonet
A maioria dos cidadãos não acredita ser o MPLA capaz de melhorar a sua imagem e credibilidade com a insistência na manutenção de João Lourenço na liderança. Mas a entourage palaciana empurra-o, mesmo que o desempenho seja considerado por milhões de autóctones sofrível.
Os mandatos, no plano sócio-económico e político deixaram fissuras difíceis de reparação.
Actores políticos internos e intelectuais da sociedade civil de sapiência comprovada foram selvaticamente afastados, por alertarem sobre o risco do MPLA se desmoronar com o “modus operandi” da extrema direita!
A falência do selectivo combate a corrupção, resultou num verdadeiro embuste. Adversários presos sem provas robustas, património público entregue a Portugal e a especuladores estrangeiros. Uma blindada delapidação do erário público, transformado em avenida para novos entes corruptos. Multiplicam-se, mais do que ontem. Essa nova elite perniciosa precisa de escudo, para protecção do seu património e, por isso, pressiona João Lourenço a ficar. Ficar para proteger interesses, economicamente, suspeitos, ante a jurisprudência por si aprovada… Isabel dos Santos e outros, estão aí…
Nunca como neste consulado o peculato e a corrupção tiveram tanto tapete vermelho no pedestal presidencial.
É um sintoma que inquieta, porque afasta a competência, acolhe a mediocridade. Apresenta, na região SADC e em África, o maior PIB em Phd (professores/doutores) em bajulação.
O saber mete medo.
A banalização da dignidade da pessoa humana, com a discriminação, injustiça e assassinatos, afasta o presidente JLO, de um número cada vez maior de cidadãos eleitores, não partidários, que aumentam desde 2022 e, seguramente, poderão não votar no MPLA, em 2027.
Neste momento o regime precisaria de apresentar outros rostos, menos comprometidos com o “entregacionismo” da soberania económica, na mão de especuladores asiáticos, ocidentais e fundamentalistas islâmicos.
Estes investidores não apostam na indústria transformadora, mas na extrativa, com laivos de exploração dos trabalhadores angolanos, como mão de obra barata.
O presidente do MPLA aposta numa ideologia social da extrema direita, convertendo o partido numa grande central de emprego.
Augurar, que em mais um mandato, haja visão e resiliência de João Lourenço, para uma mudança substantiva, na vida dos milhões de autóctones é acreditar, na eficácia do banco de sangue de pulgas. E, de a transfusão em humanos ser capaz de acabar com os 20 milhões de pobres.
Engano.
Aumenta a miséria extrema.
O país não pode continuar ancorado no sonambulismo, por covardia da elite militante do MPLA, que pelo poder, trai a mãe e os milhões de cidadãos do país.
Daí o apelo feito à sociedade civil organizada para lutar no sentido de resgatar o país da hecatombe, a partir da defesa do voto e do grito pacífico de indignação, dada a ostensiva provocação do regime, contra uma vida digna dos cidadãos.
Se o país continuar com todas as ruas algemadas com empreendimentos e empregadores estrangeiros, dentro de poucos anos os angolanos estarão acantonados em reservas indígenas.
O MPLA e o presidente João Lourenço está a mostrar, a céu aberto, não ter, enquanto controlador do arsenal bélico, medo de ninguém… Logo, em 2027, por este andar, vai mudar o que nada mudará!

