VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DURANTE A REVOLTA DE JULHO DE 2025

O Gabinete de Conteúdos da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), elaborou um relatório com base em observações directas, recolha de testemunhos de cidadãos, familiares das vítimas, relativas aos acontecimentos ocorridos em Angola durante a revolta popular de Julho de 2025.

Por Laplaine Brito

De acordo com o gabinete, as revoltas de Julho de 2025 devem ser compreendidas à luz de um quadro socioeconómico profundamente adverso: “Inflação superior a 27%, desvalorização acentuada do kwanza, desemprego juvenil galopante e mais de um terço da população a viver abaixo da linha da pobreza. A repressão estatal, em vez de responder às legítimas demandas sociais, exacerbou o fosso entre Estado e sociedade”.

“Todas as informações apresentadas foram cuidadosamente verificadas quanto à consistência interna e cruzadas com múltiplas fontes quando disponíveis, embora a complexidade e a natureza dinâmica dos acontecimentos possam implicar lacunas ou variações nos relatos”, explica o gabinete.

A UNITA e os autores declaram que o relatório foi produzido com boa-fé, rigor técnico e observância das normas de documentação jornalística e política, visando fornecer um registo fidedigno dos factos e das suas consequências sociais, humanas e políticas.

No relatório, o gabinete frisou a manifestação, que teve como rastilho a subida do preço do gasóleo, que rapidamente degenerou em tumultos, saques e pilhagens de estabelecimentos comerciais e confrontos mortais com as forças de segurança, “a resposta destas forças foi caracterizada pelo uso excessivo da força, incluindo disparos de armas de fogo com balas reais contra civis desarmados”.

O gabinete manifestou também que os números oficiais reportam 29 mortos, mas fontes independentes sugeriram cifras maiores, “para muitos angolanos, os eventos trágicos não foram resultado de meros actos de criminalidade, mas de uma descarga emocional das populações no clímax de décadas de frustração reprimida perante a desigualdade, o desemprego, a pobreza extrema e a exclusão política. O Gabinete de Conteúdos da Presidência da UNITA embrenhou-se num trabalho para apurar, até onde lhe foi possível, a extensão destes acontecimentos”.

Para o gabinete de conteúdos da presidência da UNITA, os números oficiais reportam 29 mortos, mas fontes independentes sugeriram cifras maiores: “Para muitos angolanos, os eventos trágicos não foram resultado de meros actos de criminalidade, mas de uma “descarga emocional” das populações no clímax de décadas de frustração reprimida perante a desigualdade, o desemprego, a pobreza extrema e a exclusão política”.

“Nesta conformidade, o Gabinete de Conteúdos da Presidência da UNITA embrenhou-se num trabalho para apurar, até onde lhe foi possível, a extensão destes acontecimentos. O resultado consubstancia-se na produção do presente Relatório de Ocorrência Humanitária, com o rescaldo às mortes e violações de Direitos Humanos que se verificaram. E os dados obtidos e confirmados pelas equipas de monitoria revelam que o total de vítimas mortais ascende a 90 pessoas”, acrescentou.

“Extrapoladas por adequados métodos estatísticos, estas cifras podem ultrapassar uma centena de mortes. Contudo, o relatório não se limita às ocorrências trágicas de julho último. Ele é mais amplo e adentra no passado, para apresentar igualmente uma radiografia com o histórico dos casos de violação dos direitos humanos pelas autoridades angolanas, confirmando que se trata de uma prática recorrente e verificada”, lê-se no relatório.

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