Afonso Dhlakama pôs Filipe Nyusi em sentido

Afonso Dhlakama pôs Filipe Nyusi em sentido

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, venceu as presidenciais moçambicanas em Tete, uma província tradicionalmente dominada pela Frelimo, mas perdeu a votação em Niassa para o seu adversário do partido no poder, Filipe Nyusi.

[dropcap]S[/dropcap]egundo os resultados preliminares hoje divulgados pela Comissão Provincial de Eleições de Tete, Dhlakama ganhou com 232.972 dos votos, cerca de mais 13 mil do que Nyusi e muito à frente de Daviz Simango, líder do MDM (Movimento Democrático de Moçambique), que obteve apenas 20.493 votos.

Nas legislativas, aconteceu o oposto e a Frelimo ganhou com 208.933 votos, à frente da Renamo, com 197.922, e do MDM, com 26.343, segundo o resultado do apuramento hoje divulgado em Tete, noroeste de Moçambique, e que registou uma abstenção de 46%.

Na província de Niassa, norte do país, Nyusi ganhou com 48,3%, longe dos 82% que o actual Presidente, Armando Guebuza, alcançou há cinco anos, e com uma vantagem de pouco mais de nove mil votos dos 111.114 (44,5%) recolhidos por Dhlakama e com larga distância para Simango (7,12%).

Nas legislativas, a Frelimo venceu mais folgadamente, com 50,5%, seguida pela Renamo (40,83%) e pelo MDM (8,06%), mas a participação foi bastante inferior nesta votação em comparação com as presidenciais, que registou mais 19 mil votos.

Esta diferença, segundo o boletim sobre o processo político em Moçambique, divulgado pelas organizações da sociedade civil Centro de Integridade Pública e Associação dos Parlamentares Europeus em África, é “invulgarmente alta e pode ser uma indicação de enchimento de urnas, ou de adição de votos para as presidenciais e não para a Assembleia da República”.

A agência de notícias moçambicana AIM também estranha a diferença de cerca de 3% de participação entre as duas votações, mas considera “mais sério e alarmante” o anormal número de votos nulos – 5,6% nas presidenciais e 7,3% nas legislativas – “o que indica adulteração na votação” e sugere que “membros desonestos das mesas de voto tenham deliberadamente invalidado boletins de voto”.

Tete e Niassa juntam-se a Cabo Delgado, Manica e Maputo Cidade nas províncias que divulgaram resultados do apuramento das eleições gerais, faltando ainda conhecer o desfecho da contagem em seis círculos eleitorais, incluindo os dois maiores: Nampula e Zambézia.

Na terça-feira, a Missão de Observação Eleitoral da União Europeia em Moçambique manifestou preocupação com atrasos no apuramento das eleições, que, aliados à ausência de explicações oficiais, “deterioram o que tinha sido um início ordeiro da jornada eleitoral”.

Muitas das dificuldades e obstáculos, segundo os observadores europeus, resultam da “falta de organização e conhecimento dos procedimentos de apuramento, tratamento incorrecto das atas e material de votação e métodos de apuramento demorados”.

No mesmo dia, a embaixada dos Estados Unidos pediu uma “contagem rigorosa” dos votos, alertando para irregularidades detectadas na comparação entre os resultados das mesas de votação e os apuramentos distritais.

Segundo uma projecção do Observatório Eleitoral, organização da sociedade civil que manteve a maior estrutura de observação das eleições gerais, Nyusi ganhará as presidenciais com 57,7%, seguido por Dhlakama, com 34,8%, e Daviz Simango, com 7,5 por cento.

Com base numa contagem paralela em cerca de 1.700 mesas, o cálculo do Observatório Eleitoral aponta para uma vitória da Frelimo nas legislativas, com 55,6% (143 deputados, menos 48 dos que os atuais 191), à frente da Renamo, com 32,2% (82 deputados, mais 31), e do MDM, com 11,2% (25 deputados, mais 17).

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