Tal como diz o Jornalista Carlos Narciso, também eu “não sou imparcial porque distingo entre o bem e o mal e não aceito pactuar com pessoas, organizações ou ideias racistas, xenófobas” e homofóbicas. Chamem-se eles André Ventura ou Miguel Milhão.
Por Orlando Castro
Em Portugal ninguém noticia o desaparecimento, nos últimos anos, de centenas de jornalistas portugueses devido aos ataques de empresários criminosos, de governantes corruptos, de estratégias de silenciamento total de todos aqueles que não têm o cérebro nos intestinos.
De facto, o jornalismo tradicional em Portugal está em acelerado estado de putrefacção e a caminho da extinção. É que, julgo eu, não basta trabalhar numa Redacção para se ser jornalista. Conheço, aliás, muitos que quanto mais trabalham nas redacções mais se afastam do Jornalismo.
Os jornais (é claro que também as rádios e as televisões) não são um produto feito à medida dos jornalistas e/ou dos consumidores mas, isso sim, dos empresários (Miguel Milhão, por exemplo) e políticos (André Ventura e Luís Montenegro, por exemplo). São, cada vez mais, um negócio ou, melhor, uma forma de comércio. São apenas mais um produto em que os seus fazedores (na circunstância catalogados de jornalistas) são escolhidos à e por medida.
Ou seja, basta ter dinheiro para ser dono de um jornal, basta ter um jornal para lá mandar pôr o que muito bem entender, sejam as fotografias da sogra, do vira-latas ou da amante.
Os jornalistas, mais do que informar, mais do que formar, têm de vender e branquear. Vender, vender e branquear sempre mais. E quem sabe o que fazer para melhor vender não são, na maioria dos casos, os jornalistas.
Os jornalistas são os montadores que, de acordo com o mercado, alinham as peças de um crime, de um comício, de um atentado ou de um buraco na rua. Se o que vende é dar uma ajuda ao partido do Governo, são essas as peças que têm de montar, nada contando a teoria da isenção que é tão do nosso teórico agrado.
Se o que vende é divulgar os produtos da empresa «X», são essas as peças que têm de montar, passando por cima do facto de essa empresa eventualmente não pagar os salários aos seus trabalhadores, promover criminosos despedimentos ou apostar no trabalho infantil.
Se o que vende é dar cobertura às ditaduras ou à corrupção dos empresários donos do reino, são essas peças que têm de montar, calibrando-as da forma a parecerem dos melhores exemplos democráticos.
Pouco importa tudo o resto.
Assim sendo, as linhas de montagem não precisam de jornalistas. Tudo o resto são cantigas, tenha a classe uma Ordem ou apenas um Sindicato. Tenha o país um governo eleito ou não, seja ou não uma democracia, chame-se Portugal ou Angola.
Todos estes jornalistas, como sempre foi, é e será desejo dos diferentes poderes existentes em Portugal, sobretudo os políticos e os económicos, estão agora (os que ainda a têm) a pensar com a barriga.
Há já uns anos, para o então sub-director do jornal Público, a falta de liberdade de expressão passa, no Ocidente, muito mais, por um “tipo de controlo de opinião, que é feito de uma forma muito mais subliminar”.
Segundo Amílcar Correia, esse controlo acontecia (acontece) sob a forma de “condicionamento económico dos órgãos de informação”, pela “pressão de fontes” e anunciantes, que “num cenário de alguma crise nos media”, podem conseguir ter “alguma influência no editorial das respectivas publicações”.
Sobre os eventuais excessos derivados da “falta de sensatez e de bom senso” dos jornalistas, Amílcar Correia entendia que “a ausência da liberdade de expressão é sempre pior”, portanto, “é preferível o excesso de liberdade de imprensa à total ausência de liberdade de expressão”.
Aliás, todos sabem que, no reino lusitano, não faltam exemplos de casos onde os jornalistas são “voluntariamente obrigados” a pensar com a barriga.


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