SOCIEDADE CIVIL RECORDA NVUNDA TONET COM NOSTALGIA

Em declarações ao Folha 8, membros da sociedade civil presente na residência da família do psicólogo, jornalista e docente Nvunda Tonet, local do velório marcado para sábado, 24 de Janeiro, antes da partida para o cemitério de Sant’Ana, descrevem o malogrado como “figura activa no movimento de divulgação da Psicologia Clínica como ciência importante do fórum mental em Angola e da expansão dos serviços de apoio psiquiátrico a sociedade”.

Por Geraldo José Letras

Em representação da Organização da Mulher Angolana (OMA), Isabel Simão, falou que Nvunda Tonet deixa para a família, sociedade e académicos um legado de muita inspiração.

“Nvunda Tonet deixou um bom legado para a sociedade. Era uma pessoa de boas qualidades. Sabia estar com a sociedade e com a comunidade do Maculusso. É um homem que tinha tudo para inspirar gerações. Ao nível da sociedade, muitos são os jovens que testemunham através das redes sociais que ultrapassaram fases difíceis da vida graças à ajuda de Nvunda Tonet enquanto psicólogo, principalmente em casos de depressão. Há o caso de um senhor que disse que não conseguia sair de casa, mas graças ao Nvunda Tonet hoje é um que consegue lidar com a sociedade. Morreu um jovem com quem tínhamos muita coisa para aprender”, descreveu.

Joana Simão, igualmente membro representante da OMA na residência da família, disse que partilhou vários momentos com Nvunda de quem fica com a lembrança de uma referência académica, jornalística, cultural e social para o país.

“Ele deixa um grande legado. E como homem foi muito humilde, uma pessoa muito boa. Eu só tenho a dizer que ele hoje não se encontra aqui connosco, mas ele deixou um grande legado que deve inspirar as próximas gerações de psicólogos desse país”, disse.

Para o Coordenador da Comissão de Ética e Disciplina da Comissão da Carteira e Ética dos Jornalistas de Angola, Koque Mukuta, o malogrado, enquanto jornalista, “sempre se mostrou um profissional muito maduro e preocupado com o estado da classe”.

“Eu discuti com o Nvunda Tonet em muitos momentos vários temas. Enquanto jornalista estava sempre preocupado com a grandeza da classe. Sinto que Nvunda Tonet fez muito pela classe jornalística e dos psicólogos”, lembrou.

Em profundo estado de recolhimento emocional, o Presidente do Movimento dos Estudantes Angolanos (MEA), Francisco Teixeira, partilhou que teve Nvunda Tonet como professor no Hospital Psiquiátrico de Luanda durante estágio curricular na sua formação universitária.

“O Nvunda foi meu professor de Psiquiatria no hospital psiquiátrico, foi ele que me recebeu no momento de estágio no hospital psiquiátrico. Além de professor, é um dos grandes psicólogos que o país tem. Recebeu-me igualmente em Espanha. Quando voltei da Espanha dava-me muitas dicas. Foi a pessoa que me influenciou a me especializar em Psicologia Clínica. O professor Nvunda Tonet faz parte do primeiro grupo de jovens psicólogos que tiveram mestrado e doutoramento em Espanha. Realizava palestras e produzia revistas para promover a psicologia em Angola.

O professor Nvunda Tonet foi daqueles psicólogos que se capacitou muito, conseguiu instituir no país a psicologia, foi exemplo de persistência e coragem”.

Nvunda Tonet, filho do jornalista e advogado William Tonet, foi a óbito no dia 20 de Janeiro do ano em curso na sequência de uma doença súbita. Ainda foi levado de urgência à Clínica Girassol, em Luanda, onde acabou por não resistir.

Nvunda Will Sérgio Tonet nasceu em Luanda, em 1986. Era uma figura respeitada no meio académico e clínico. Psicólogo clínico de formação, trabalhava no Hospital Psiquiátrico de Luanda e leccionava em várias instituições de ensino superior, como a Universidade Óscar Ribas, a Universidade Lusíada de Angola, a UTANGA, o CIS e o ISTA. Deixa no mercado literário obras como “Educar os Filhos sem Bater”, “Psicólogos, porquê e para quê?” e “Revelações Afetivas e Sexuais”, nas quais defendia uma abordagem humanista à saúde mental, à sexualidade e à educação.

Além da sua carreira na psicologia, Nvunda Tonet teve passagem pelo jornalismo cultural, tendo sido editor de cultura no jornal Folha 8 (tanto na versão impressa como na edição digital diária), fundado pelo seu pai. Era também conhecido pela sua atuação em defesa dos direitos das crianças e pela promoção de uma parentalidade consciente e não violenta.

A sua morte representa uma perda significativa para a psicologia angolana, para a educação e para o jornalismo cultural. Amigos, colegas, estudantes e leitores recordam-no como um profissional dedicado, sensível e comprometido com o bem-estar social.

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