ELOGIO FÚNEBRE DOS TRABALHADORES DO JORNAL FOLHA 8

É com imensa dor e consternação que o colectivo de trabalhadores do jornal Folha 8 manifesta esta mensagem de pesar pela perda do nosso colega e companheiro de muitos anos e muitas batalhas jornalísticas.

É um vazio enorme para cada um de nós. A secção da Cultura do jornal Folha 8 ficou marcada para sempre, pelo contributo, fruto de variadíssimas noites mal-dormidas nos dias de fechos das edições semanais e não só.

Nvunda Tonet foi um jornalista exemplar, pelo profissionalismo, pela consistência e pela resistência no desempenho das suas funções. E agora? Todos nós, por muito que já tenhamos escrito sobre a morte de familiares ou amigos, estamos abalados. É o que o Nvunda Tonet era e continuará a ser um dos melhores de todos nós. Um ser bastante humilde foi-se e custa escrever sobre a sua morte porque não queremos acreditar que ele se foi. Nvunda era um homem bom, algo que pela nossa vivência diária é cada vez mais raro.

Como psicólogo, como jornalista, ou simplesmente como companheiro, era um ser excepcional. Estava por cá sempre para servir os seus semelhantes e não para deles se servir. Humilde mas brilhante.

Conciliador mas férreo na defesa das suas, e das nossas, causas. Digamos que foi, tal como o seu pai e avô, um verdadeiro e imortal Tonet. Foi mesmo um Homem bom. Provava-o a sua escrita cheia de valores pedagógicos em prol de uma civilização que o viu nascer mas que, afinal, não correspondeu ao seu desejo, à sua esperança, e nem conseguiu vê-lo partir com a dignidade que merecia. O Nvunda era, desculpem a redundância, um Homem bom.

Que o digam os seus colegas, muitos dos quais aqui presentes. Tal como o pai, no caso do Folha 8, não aceitava estar de joelhos perante homens, mas estava sempre disposto a estender a mão a quem, por engano se ajoelhava perante aqueles que, ao contrário do que o Nvunda pensava e praticava, sempre colocaram a razão da força acima da força da razão. Nvunda afasta-se agora de todos nós, afasta-se fisicamente mas espiritualmente estará sempre aqui, ao nosso lado.

A realidade doi. Doi principalmente quando os mortais, vulneráveis, na sua resistência, teimam em não a encarar, mesmo quando a traduzem em sublimes versos. “Um dia quando eu partir, não deixarei mais do que simplesmente lágrimas,” são as mais useiras antevisões no calor de cada gemido, afago ou acalorada discussão.

Hoje, não é assim, para nenhum dos presentes e, até dos ausentes, pois, mais do que simplesmente escorrer de lágrimas nas faces, o rio giboiando nas nossas mentes não é indiferente à dor inacreditável e indiscritível, ao chocar nesta barragem limitadora em que a mãe natureza nos colocou em barreiras opostas às do Nvunda.

Sempre vimos o Nvunda fiel à utopia de um país mais plural, igual, de liberdade e democracia, distante de todos os estigmas e da descricionariedade de quem esteja no poder violando todas as somas e vontades do cidadão soberano na decisão de escolher, quem melhor o pode representar e quem melhor o pode afogar no sonho de ser livre, enquanto jornalista.

Que homenagem, os amigos nas vestes de colegas de redação poderão fazer, se teimosamente te impedimos de partir da nossa memória coletiva que é a que mais importa nesta nossa mortal cumplicidade.

Um homem, um cúmplice, um gigante como tu, caro Nvunda Tonet, não parte nunca ainda que fisicamente se ausente da redação. Da tua redação estamos, todos aqui impedidos, para te dizer até breve. Muito obrigado por tudo, e por fim, citamos o mestre de todos nós, William Tonet: Tamojuntos.

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