O presidente da Assembleia Nacional de Angola, Adão de Almeida, disse hoje que a paz mundial continua um objectivo por alcançar, lamentado o aumento do fosso entre as nações mais ricas e as mais pobres. Esqueceu-se de dizer que o seu partido, o MPLA, é responsável pela enorme cratera social e humanitária entre ricos e pobres em Angola.
Falando na sessão solene em homenagem ao secretário-geral das Nações Unidas, o líder parlamentar angolano considerou que a visita de António Guterres a Angola ocorre num momento desafiante, porque de crescente complexidade para a diplomacia global.
“A paz mundial continua um objectivo por alcançar, estando o mundo a testemunhar vários conflitos militares em diferentes partes do nosso planeta, com particular realce para os conflitos em África, na Europa e no Médio Oriente”, disse.
Assegurou que o Parlamento do MPLA continuará a erguer a sua voz a favor do fim de todos os conflitos existentes, “para os quais não [existe] outro caminho que não seja o do diálogo e do respeito pelo Direito Internacional”. A única excepção ao diálogo é em Angola…
A Assembleia Nacional do MPLA realizou hoje uma sessão plenária solene de homenagem a António Guterres, que se encontra em Luanda no âmbito da 7.ª Cimeira União Africana — União Europeia.
Adão de Almeida saudou e enalteceu a presença histórica de António Guterres (um velho e querido amigo não dos angolanos mas do MPLA) no parlamento, realçando que foi a primeira vez que um secretário-geral da ONU discursou no Parlamento angolano.
“Para além deste facto, a vossa presença na nossa Assembleia Nacional ganha um simbolismo maior por ocorrer poucos dias após o 11 de Novembro de 2025, dia em que o povo angolano celebrou com júbilo 50 anos desde que, na madrugada de 11 de Novembro de 1975, o Presidente António Agostinho Neto proclamou a Independência de Angola, pondo fim a um longo período de cinco séculos de ocupação colonial”, notou.
Notou, é claro, mentindo. Desde logo porque nesse dia foram proclamadas duas independências, uma em Luanda pelo genocida Agostinho Neto (vejam-se os massacres de 27 de Maio de 1977 por ele ordenados) e outra, no Huambo, por Jonas Savimbi e Holden Roberto.
Adão de Almeida destacou, na sua intervenção, os ganhos do país no decurso dos 50 anos de independência e os 23 anos de paz, alcançada em 2002 com o fim do conflito armado, referindo que hoje a luta dos angolanos é para que o país seja aquilo que ainda não conseguiu, apesar dos 50 anos de governação do MPLA. Ou seja, ser um Estado de Direito Democrático.
“Hoje, a luta dos angolanos é para construir mais escolas e hospitais, mais pontes e barragens, mais estradas e mais estações de captação, tratamento e distribuição de água potável. Enfim, a nossa luta é pela construção de um País desenvolvido, que orgulhe todos os seus filhos”, frisou com o descaramento próprio de um aldrabão.
No panorama internacional, Adão de Almeida considerou que a incerteza domina o comércio internacional, observando que a sustentabilidade ambiental “deixou de estar garantida, comprometendo a segurança alimentar e ameaçando o futuro da humanidade”.
Criticou igualmente o fosso entre as nações mais ricas e as nações mais pobres, que “continua a aumentar, não tendo a economia internacional e o sistema financeiro internacional conseguido dar respostas cabais a este fenómeno”.
“Um mundo em que 1% da população acumula cerca de 45% da riqueza global não pode esperar paz social. Um mundo em que 50% da população detém apenas 2% da riqueza global tem de repensar os mecanismos de financiamento da economia internacional”, realçou, certamente pedindo que ninguém se lembrasse de dizer que esses cálculos se aplicam igualmente a Angola.
Adão de Almeida defendeu uma abordagem baseada num multilateralismo “que seja capaz de salvaguardar os interesses de todas as nações e de todos os povos”, sob pena de se continuar “a caminhar em direção a uma cada vez maior disparidade entre as nações e a aprofundar as desigualdades sociais”.
Para o novo presidente do parlamento do MPLA, a transição energética é incontornável, mas considerou essencial “que se defina um modelo justo, capaz de salvaguardar os interesses das nações menos desenvolvidas, sendo coincidente, mas não acidentalmente, as que menos poluentes”.


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