O país foi saqueado. Não! Continua a procissão. 24 mil milhões (biliões)? 93 mil milhões? Em que período? A acusação omite, deliberadamente… Porquê? Simplesmente por desde 1975, as mãos manchadas de sangue, petróleo & corrupção, serem da mesma secundina: MPLA!

Por William Tonet

Então porque não podem ter sido “roubados”, ao longo destes anos de desvario partidocrata, 900 mil milhões de dólares? Façam-se as contas…

E, nesta frenética caravana de rapina, não tem, não pode ter, no interior, ocupantes inocentes, pelo contrário, todos portadores do ADN, da arrogância, discriminação, incompetência, má gestão da rés pública e roubalheira, alcandorados ao poder, nunca divergem na metodologia de acção.

O país ainda tem presente a justificativa de Roberto de Almeida, membro do Bureau Político do MPLA, quando nada indignado com a falência do BESA, confrontado com a necessidade de devolução de um empréstimo bancário disse: “ pensei que os 10 milhões de dólares, fossem uma oferta”!

Quem pensa assim é porque recebeu, ofertas de montantes superiores, muito superiores…

Os valores de liberdade, tolerância, liberdades de imprensa e expressão, qualquer que seja o presidente, de Neto a Dos Santos e deste a Lourenço, nenhum foi (é) comprometido, com um projecto de sociedade e um país plural, pelo contrário, adoptam e adoram o poder absoluto, a ditadura, a fraude eleitoral, que mutila e assassina a democracia.

Alguém foi ou fez diferente?

Mudou? Não! Então? Mudou apenas a vontade de nada mudar.

Quem hoje, como ontem (1975-2020), ilegalmente, detém o monopólio do poder, bem como a chave dos cofres do Estado é o mesmo partido: MPLA.

E, na lógica “EMEPELIANA”, confundir a obra-prima do mestre com a prima do mestre de obras, é uma regra corriqueira. Logo, a lógica institucionalizada do ódio e raiva, nestes três anos de consulado lourencista, não pode constituir uma surpresa, pois com raras excepções e métodos de eliminação dos adversários internos, a afirmação de autoritarismo individual, na chegada do poder é a mesma, sempre para esconder deficiências.

É uma cópia dos métodos comunistas e fascistas, como acontece na Rússia onde os adversários internos e externos, são assassinados, presos, envenenados e confiscados os seus bens e empresas, sendo depois, jogados na rua da amargura, chegando mesmo à indigência ou ainda como na Coreia do Norte, onde o ditador-presidente, Kim Jong Un, mandou assassinar, em Dezembro de 2013, o mentor político; o tio, Jang Song-Thaek por temer o seu protagonismo, mandando-o para uma arena, onde foi comido por 120 cães.

Não satisfeito, com este macabro acto, mandou eliminar, no aeroporto de Kuala Lumpur, Malásia, o irmão, Kim Jing Nam, num ataque perpetrado por duas agentes, com VX, uma arma química letal, em Fevereiro de 2017.

O motivo sórdido tem a ver com uma montanha, o Monte Baekdu (2.744 mts), com valor espiritual muito grande, para ambos.

Em Angola, caricatamente, parece haver semelhanças em algumas eliminações, até agora, de carácter de irmãos da mesma casta política, como forma de afirmação de um novo poder.

A tese do novo consulado assentar na lógica de terra queimada, autoritarismo e terror, iniciou-se com a expulsão de Tchizé dos Santos e Coreon Dú, da televisão pública, José Filomeno dos Santos, do Fundo Soberano, seguida de prisão, sem culpa formada, Isabel dos Santos da SONANGOL, com posterior confisco e arresto compulsivo do património e, mais recentemente, a constituição de arguidos de Leopoldino do Nascimento e Manuel Hélder Vieira Dias “Kopelipa”, coagidos a entregar todo universo empresarial, que o novo poder pensa ser do presidente emérito do MPLA, que deverá, ser despido de tudo, justa ou injustamente.

Essa forma de perseguição e humilhação dos adversários e inimigos, mostra a natureza perversa dos dirigentes desta organização política, que se acovardam ante este desvario, que poderá trazer fortes consequências, num futuro próximo.

O objectivo de tirar a uns e dar a outros camaradas ou ao capital estrangeiro é uma tese abjecta, draconiana e, não atrai investidores, salvo especuladores, que desembarcam para ganhar dinheiro e, partir, em seguida…

A imagem de um homem inovador, democrático, respeitador da liberdade de imprensa, comprometido com um combate sério a corrupção, começa a esfumar-se dando lugar ao verdadeiro ADN ditatorial.

João Lourenço que se lhe reconhece alguma coragem por ter conseguido dar um pontapé de saída institucional, no combate contra a corrupção, proposto pela sociedade civil e partidos da oposição, tem cometido muitos erros de estratégia, que poderão ser fatais, para si e família, no futuro.

O Presidente da República não está comprometido com a democracia, com o emprego, com o desenvolvimento da economia, tais são os erros, que vem cometendo, ao longo destes três anos, indiciando um verdadeiro comprometimento com a fraude.

O poder de um homem é perverso, quando não abdica do controlo absoluto dos poderes dos órgãos de soberania de um país.

Os angolanos vivem o drama, que lhes rouba, diariamente, a esperança de uma transição pacífica, do sonho de um país plural, democrático e de oportunidades, face a ausência de políticas públicas, onde os mais pobres e os cidadãos intermédios estejam no centro dos orçamentos.

A alta taxa de desemprego, a pobreza extrema, a fome, a falta de educação e saúde, estimuladas pelo autoritarismo, arrogância e impostos, para atender uma política neocolonial do FMI (Fundo Monetário Internacional), ameaça uma sublevação social, mais tarde ou mais cedo, principalmente, pela adopção do neoliberalismo económico, que privilegia a entrega da economia ao capital estrangeiro.

O colonialismo económico é pior que o político e a reacção das populações poderá ser imprevisível e violenta, por estarem, neste atribulado período, com a percepção de, afinal, nada valeu o combate contra o colonialismo português, se depois de 45 anos, de governação do MPLA, este partido, continua comprometido, exclusivamente, com a ditadura, a divisão da sociedade e a corrupção, até ao tutano, agravado pelo facto da nova escravatura não ter limites, quanto à humilhação e discriminação dos angolanos.

Se no discurso à nação, em 15 de Outubro de 2020, o Presidente da República, não falou dos 690 angolanos que morrem, diariamente de fome, dos 450 de malária, 200 de febre amarela, etc., nem endereçando sentimentos de pesar às famílias, tenho redobradas e legítimas preocupações com o futuro do meu amigo Presidente, pelas frentes de combate que abre todos os dias, dando tiros nos pés.

Se João Lourenço, hoje, humilha o antecessor e mentor, a respectiva família e próximos, com a “manus cúmplice” do sistema de Justiça, Forças Armadas, Polícia Nacional, Órgãos de Segurança, todos de carácter comunista e sob controlo remoto, como fará aos povos e aos adversários e inimigos políticos?

Tenho receio do futuro, pós – presidência, do meu amigo, pois se a inteligência e humildade, não derem, a curto prazo, um KO, uma bassula, a actual política de raiva, ódio e autoritarismo, poderá viver momentos, mais sombrios do que os que estão a impor a José Eduardo dos Santos, filhos e família.

Um país transformado em laboratório de raivas ditatoriais e anti democráticas é um verdadeiro vulcão adormecido, pois nada é eterno, nem mesmo a força do fuzil e canhões, contra povos humilhados.

Mude, AMIGO. Não confie nos bajuladores.

Mude, AMIGO. O País está parado!

Mude, AMIGO. Porque nenhum de vós, pode atirar a pedra de pobre ao telhado do outro.

Mude AMIGO. Todos os dirigentes do MPLA, são ricos, milionários e não conseguem justificar a licitude, nem proveniência da riqueza, que não seja a delapidação e corrupção.

AMIGO, não estique demais a corda, pois está cada vez mais isolado, na pradaria e com muitos desejosos de lhe ver pelas costas.

AMIGO, se ainda assim não quiser MUDAR, pelo menos, MUDE, o sorriso…