O país está dividido. Lamentável! O MPLA está rachado. Desastroso! A Polícia está dividida. Ruim! As FAA estão rachadas. Triste! A Segurança de Estado está dividida. Assustador! A Procuradoria-Geral da República está politizada. Mau! A Justiça é parcial. Vergonhoso! O sistema de Educação está abandonado. Criminoso! O analfabetismo, a mediocridade, a boçalidade e a bajulação, foram elevadas ao pedestal institucional. Deprimente! A corrupção, mudou. Sim! Apenas de cor e de senhor. As reservas cambiais do país estão em esgotamento. Incompetência! O Fundo Soberano, com aplicações despesistas em PIIM (Plano Integrado de Intervenção dos Municípios). Crime!

Por William Tonet

O país estagnou, os empresários nacionais e estrangeiros, não têm confiança na actual política governativa, que ameaça mais, destilando raiva e ódio, prendendo selectivamente, em total desrespeito as leis em vigor.

O principal responsável de toda esta sarrabulhada, tem, em 2020, infelizmente, nome: a nova liderança do MPLA, que preferiu rebuscar as teses autoritárias e ditatoriais de Agostinho Neto de 1963!

Por muitas voltas que se queira dar ao destino, o da maioria dos autóctones angolanos é frustrante e revoltante, uma vez, assistirem à conversão do plano ideológico e do sentido programático do partido que dirige Angola, desde 1975, mudar da alegada esquerda, que o guindou para a Internacional Socialista, para a extrema-direita, adoptando o neoliberalismo, aplaudindo o capitalismo voraz e a privatização completa do Estado.

Uma privatização onde os angolanos, principalmente, os discriminados pelo regime, serão inferiores aos investidores estrangeiros, numa receita perfeita para o regresso da colonização.

O novo conceito de colonialismo, baseado, exclusivamente, na economia é pior que o anterior, pois não sendo singular, mas plural, a China que deterá quase 70%, a Europa e a América, terão apenas uma estratégia de extracção acelerada e desenfreada das riquezas angolanas do solo e subsolo, sem qualquer preocupação ambiental e desenvolvimento auto-sustentado do país.

É triste ver antigos proletários transformarem-se em proprietários vorazes, primeiro guerreando-se entre si, na célebre batalha dos “Marimbondos” e depois, vendendo o país ao desbarato, numa clara violação a soberania angolana.

Como entender que um regime, que tem como palavra de ordem “o mais importante é resolver os problemas do povo”, não tenha ninguém capaz de criticar e colocar um freio neste desvario, onde a fome passou a ser obrigatória e o desemprego uma norma obrigatória para a maioria. Nesta luta, entre duas facções: presidente emérito e presidente em exercício de contornos, quase demoníacos, o silêncio de uns, na direcção do MPLA e da sua bancada parlamentar, face às respectivas responsabilidades, torna-os cúmplices da barbárie institucional.

Infelizmente, para desgraça colectiva, nesse combate, não haverá vencedores, pelo contrário, o maior perdedor, será, mais cedo do que tarde, o próprio partido no regime, ante o despertar da consciência do eleitor geral e do seu militante em particular, pois se uma das facções, a mais corrupta, ladra, delapidadora do erário público, deixou a vida dos angolanos mais barata e a perspectiva de um empresariado nacional, angolano e, hoje, com a facção alegadamente honesta, “não-corrupta”, a vida da maioria deixou de ter norte, com a carestia do nível de vida, a alta dos impostos, o desemprego, a fome, a seca no sul, chegará a hora do estômago influenciar a mente da maioria votante, varrer as promessas idosas e abraçar um novo pragmatismo e actores políticos.

MPLA apadrinha educação assassina e corrupta?

A idoneidade dos líderes de um país é aferida pelo sistema de ensino implantado e o papel conferido ao professor. Se este, por exemplo, for menos importante, na sociedade, do que um político, sem margem de erro, a liderança é falha e será capaz de levar o país ao abismo, autoritarismo e subdesenvolvimento, pior que o colonialista europeu. O MPLA ao nunca ter apostado num verdadeiro sistema de Educação demonstra não ter ciência sobre a grande importância deste sector, na vida do desenvolvimento do país. Adorar uma educação falida e “analfabruta”, significa um sério compromisso com o assassinato das gerações futuras, na defesa de um acérrimo projecto de poder.

44 anos depois, quem ainda tem dúvidas sobre a incapacidade governativa, neste e noutros quesitos, não tem dúvidas, sobre a anacrónica certeza de, para o actual MPLA. a terra ser plana, contrariando a tese esférica de Pitágoras (século VI a.C.).

Só essa lógica justifica o descalabro educacional e a balbúrdia reinante no sector, onde a mediocridade é premiada, elogiada e a corrupção estimulada. Dúvidas? Para quê?

Os exemplos estão à mão de semear, porquanto o MPLA não estimulando noutros sectores a implantação da democracia, não o poderia continuar a aceitar, para tristeza da educação, mesmo quando pode ganhar, honestamente, como no caso da única universidade pública; UAN (Universidade Agostinho Neto), onde o reitor era um membro do comité central do próprio partido no poder, José Teta, mas habituado à facilidade da fraude e batota eleitoral, preferiram regredir, a lógica da nomeação canina.

O fim do processo eleitor, nas universidades públicas, que vinham conhecendo uma melhoria administrativa e didáctica, foi a prova mais flagrante da falta de compromisso e seriedade de quem dirige o país. Não espanta pois, a anarquia dos preços das propinas, mesmo em fase de crise, onde o filho do pobre e da classe remediada é atirado, desde criança, para as escolas onde 4×4 podem ser 44 ao invés de 16, tal como a data de nascimento de um filho, não ser cunhada por mãe e pai, no caso a fundação de um partido político ou ainda, mais grave, a idade do filho ser superior à da mãe, numa demonstração vergonhosa de, afinal, não ter havido ruptura do MPLA, com o poder colonial, em 1975, mas uma continuidade.

Só assim, se justifica que com a maior desfaçatez, políticos, deputados, governantes e membros da comunicação social, proclamem orgulhosa e complexadamente, o 444 aniversário de Luanda, que será celebrado aos 25 de Janeiro (criada pela colonização portuguesa aos 25 de Janeiro de 1576, por Paulo Dias de Novais), quando ela, já havia sido fundada pelo Reino do Congo que a transformará, principalmente, a Ilha de Luanda, em Ministério das Finanças, onde os barões controlavam a extracção do Zimbo.

Infelizmente, para a governação é mais fácil desprezar, esquecer e apagar as datas históricas dos autóctones angolanos do que a dos colonialistas. Não espanta pois, que a lei do confisco seja banalizada, por via disso, pois se Luanda continua na vigência colonial, então o novo ente-jurídico criado em 11 de Novembro de 1975, não rompeu, na plenitude, com a colonização portuguesa. É preciso que o partido no poder acabe ou promova um amplo debate sobre esta banalidade institucionalizada.

Voltando à boçalidade e à corrupção no ensino é preciso saber se ante os preços assassinos das propinas cobrados e praticados pelos colégios e algumas universidades privadas, o MPLA tem ou não as suas impressões digitais?

Como pode um aluno entre a 3.ª e a 6.ª classes pagar cerca de 50 mil kwanzas/mês, equivalente a dois salários mínimos, nos principais colégios do país, com outros a chegar aos 80, 90, 120, 190 mil/mês, só no ensino primário, superando mesmo muitas universidades.

Isso é criminoso e sinal de nova corrupção, alojada num sector com um Ministério da Educação, que nada faz, uma ministra, cujo silêncio a torna cúmplice, na condição de auxiliar do Titular do Poder Executivo, órgão unipessoal de governo, na pessoa do Presidente da República, João Lourenço, responsável principal, da balbúrdia especulativa e preços astronómicos da nova corrupção.

Onde anda a fiscalização desse sector e o sentido de justiça de um executivo que se considera paladino no combate aos crimes de corrupção, mas, paradoxalmente, o que tira de um lado, estende no outro, com a maior desfaçatez, em prejuízo dos filhos dos pobres e dos trabalhadores?

O Presidente da República tem de mostrar ser um homem refinado para a função. Tem de gostar de gente. De gente pobre. Tem de gostar das crianças que queiram ir estudar, de verdade e, não de crianças, somente, como figurantes, na inauguração de escola nova.

O povo, os povos têm de ter noção da preocupação real do Presidente da República, para com o desenvolvimento da educação das nossas crianças e que haja equidade no acesso, ao ensino.

Tem de ter noção de, na mesa do Presidente da República, um dia, esteja, como prioridade máxima, um modelo de educação, para os meninos Koissan (primeiro povo de Angola), discriminados e excluídos das estatísticas do MPLA, desde 1975.

Mas se a especulação caminhar impávida e serena, pelas ruas, desafiando tudo e todos, não espanta as motivações que levaram, o regime a “assassinar” os sindicatos dos professores e trabalhadores, corrompendo a maioria dos seus líderes.

Desamparados por tudo e todos, inclusive pela lei, os filhos dos pobres e desempregados, não têm outra alternativa, senão andar nas escolas do analfabetismo, excelentes na formação de homens e mulheres sem perspectiva futura, onde muitos, são forçados, pela rudeza das condições impostas, a especializarem-se, na delinquência, ladroagem, prostituição; selectiva e geral, corrupção; de colarinho branco e popular, criando uma espécie perversa e ruim de quadros, que, desgraçadamente, são considerados, depois pelo regime, que os criou, como a escória da sociedade.

O Presidente da República, como Titular do Poder Executivo, tem, este ano, de se pronunciar se apoia ou não esta roubalheira, praticada à luz do dia, na Educação.

Se todos os anos as propinas dos colégios sobem, na cara de todos, afastando muitos meninos, inclusive da classe intermédia, não colhendo a indignação, nem dos ministros dos pelouros (Educação Geral e Ensino Superior), quando os filhos de servidores públicos, como ministros, secretários de Estado, directores nacionais, estudam em colégios estrangeiros, pagando propinas estratosféricas, estão a demonstrar ser a corrupção, uma instituição do partido no poder e seu respectivo executivo.

Quando os sindicatos se calam, não se revoltam, mesmo sabendo que os seus filiados, os professores, ganham mal, muitas vezes, apadrinhado pelo mutismo cúmplice e corrupto, no interior, destas organizações, importantes em países democráticos, pouco ou nada se pode esperar.

Os partidos políticos da oposição ao demitirem-se do seu objecto principal: tomada do poder, também são responsáveis pelo quadro actual. Eles deveriam apresentar uma agenda educacional, diferente da actual, mas ao pactuarem com a descaracterização e roubalheira deste importante sector, para o desenvolvimento futuro do país, demonstram não estar talhados, ainda, para ser poder.

Eles, sendo cúmplices ou omissos, com a corrupção institucional devido às mordomias, não estão a altura de receber o voto de responsabilidade da maioria dos cidadãos eleitores, pobres e desempregados, detentores da soberania votante.

Quem não defende, convictamente, as crianças fora do sistema de ensino, face a estas situações, não deverá continuar a contar com o voto popular, nem a beneficiar das vantagens provenientes de manifestações populares, contra a máquina electrónica da fraude, as ameaças e assassinatos das forças militares e policiais partidocratas, que defendem a perpetuação do mal, quando a bandeira deve ser a luta pela instauração de verdadeiros órgãos de soberania, imparciais, justos e democráticos.

O nível de especulação financeira e corrupção na educação, compromete, também, o Presidente João Lourenço e o MPLA, que, seguramente, terão um cartão vermelho, havendo, amanhã, eleições livres e justas.

Elas se não forem livres, de acordo com a lei, serão resultado da pressão de uma revolução popular pacífica e ruidosa, para colocar um fim, nesta nova corrupção, implementar um verdadeiro Poder Constituinte, capaz de alterar e criar uma nova e verdadeira Constituição originária, onde as normas jurídico-constitucionais, excluam a concentração de poder absoluto, num homem só.

No novo texto, o cidadão mais importante será o professor, com um salário digno de protecção e a Educação terá um papel privilegiado, sendo obrigatória e gratuita, até a universidade, o ensino. Verdadeiramente, com esta aposta, os níveis de corrupção poderão começar a ser afastados das instituições públicas e da mente e “modus operandi” dos gestores públicos, levando o país, no final de uma década a trilhar, o caminho de um inovador sistema de saúde, a progressiva eliminação de todos os bairros de lata, a redução do desemprego, o fomento de estradas terciárias, para alavancar a agricultura familiar, o comércio no campo, a fixação da indústria agro-pecuária junto das fontes de matéria-prima e o desenvolvimento do país, para o tirar do subdesenvolvimento, com uma criteriosa gestão e aproveitamento dos seus recursos humanos e materiais.

Este deverá ser o ano de todas as apostas, onde o cidadão ganha noção da força da soberania do seu voto e, de só, o emprestar, temporariamente, a quem, mereça uma oportunidade de mudar o país, não com show-off, raiva e ódio, mas com pragmatismo, unindo os braços a todas as veias paridas por este grandioso e generoso país, num Pacto de Regime, para refundar Angola.

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