ANGOLA. O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) anunciou hoje o levantamento ao boicote à cobertura da reunião plenária de quinta-feira na Assembleia Nacional, na sequência de diligências junto do Parlamento, cuja direcção “garantiu o acesso dos jornalistas” ao hemiciclo.

O secretário-geral do SJA, Teixeira Cândido, argumentou que recebeu igualmente garantias da direcção do Parlamento sobre a melhoria das condições de captação do áudio a partir do hemiciclo.

“Porque a partir da [sala] plenária não se consegue obter o áudio pelo que os colegas vão alternadamente ainda usar também a outra sala [até agora a única disponível, sem acesso ao hemiciclo] para a recolha do áudio. Eles estão a trabalhar para resolver esta situação, mas a presença no plenário está já garantida”, disse.

A 10 de Janeiro, o secretário-geral do SJA disse que faltava apenas uma posição firme das direcções dos órgãos públicos de informação de adesão ao boicote, convocado pelo sindicato, à cobertura da reunião plenária de 18 de Janeiro, em protesto contra as limitações e condições de trabalho no edifício-sede do Parlamento.

O sindicato divulgou hoje, em Luanda, em conferência de imprensa, o levantamento do boicote anteriormente convocado e acrescentou que vai continuar a trabalhar com a direcção do Parlamento angolano para ver resolvidas as preocupações dos jornalistas.

“A Assembleia Nacional não avançou prazos para resolução definitiva das preocupações dos jornalistas, daí que continuamos a trabalhar com a direcção do Parlamento para podermos resolver a situação. Mas a presença dos colegas nos plenários está salvaguardada”, referiu.

Até agora, os jornalistas que cobriam a actividade parlamentar estavam confinados a uma sala no edifício sede da Assembleia Nacional, com recurso a um ecrã de televisão para transmissão da actividade via canal interno, mas sem poderem ter acesso à sala ou sequer conferir os resultados das votações, apesar do rigoroso processo de credenciamento para entrar no perímetro.

Numa das sessões plenárias realizadas em Dezembro, os jornalistas insurgiram-se mesmo contra a presença, na sala, de um agente da Polícia Nacional. Uma postura que, segundo o líder dos jornalistas angolanos, contraria o regimento da Assembleia Nacional.

Numa recente mensagem publicada nas redes sociais, o ministro da Comunicação Social de Angola, João Melo, anunciou que os jornalistas vão passar a poder sentar-se nas galerias da Assembleia Nacional para cobrirem as sessões abertas daquele órgão.

O Parlamento angolano discute e vota, na generalidade, esta quinta-feira, o Orçamento Geral do Estado de 2018.

Lusa

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