CABINDA. O movimento independentista FLEC/FAC, que luta pela independência do enclave angolano de Cabinda, “lamentou” hoje “o silêncio cúmplice” do primeiro-ministro português, António Costa, perante a “repressão militar angolana no território ocupado”.

Num comunicado que surge 11 dias antes da visita oficial que António Costa tem previsto efectuar a Angola (17 e 18 deste mês), a Frente de Libertação do Estado de Cabinda – Forças Armadas de Cabinda (FLEC/FAC), considera que esse “silêncio cúmplice” constitui uma “atitude que envergonha todos os Estados-membros da CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa], sobretudo da Nação Portuguesa”.

“Denunciamos o silêncio do Governo português, em particular a cumplicidade do primeiro-ministro português [António Costa] com a Angola de João Lourenço, que reprime a população indefesa de Cabinda”, lê-se no comunicado.

No comunicado, datado de 31 de Agosto e assinado por Jean Claude Nzita, secretário para a Informação e Comunicação e porta-voz da FLEC-FAC, é indicado que “o Governo de António Luís Santos da Costa continua a fechar os olhos à política agressiva de Angola em Cabinda, o que é um escândalo histórico”.

“Pedimos aos países membros da CPLP, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné Equatorial, que reconheçam Cabinda como membro de pleno direito da CPLP, apesar da influência do Governo angolano na organização”, reivindica a FLEC.

Ainda segundo o comunicado, a direcção política da FLEC/FAC pede à secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, “que se oponha à invasão militar de Cabinda por Angola e exija que o Governo angolano retire as suas tropas”.

“O povo de Cabinda atravessa uma situação particularmente difícil, por causa da agressão militar de Angola”, lê-se no comunicado.

A FLEC luta pela independência de Cabinda, território encravado na costa atlântica entre a República Democrática do Congo e a República do Congo, alegando que o enclave era na altura da descolonização um protectorado português, tal como ficou estabelecido no Tratado de Simulambuco, assinado em 1885, e não parte integrante do território angolano.

Emmanuel Nzita é presidente da FLEC/FAC e sucedeu a Nzita Tiago, líder histórico do movimento independentista Cabinda, que morreu a 3 de Junho de 2016, aos 88 anos.

Criada em 1963, a organização independentista dividiu-se e multiplicou-se em diferentes facções, efémeras, com a FLEC/FAC a manter-se como o único movimento que mantém a resistência armada contra a administração de Luanda.

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