ANGOLA. Um grupo de estudantes angolanos que tem protestado em Luanda contra a “gasosa escolar” e as “cobranças ilegais” nas escolas da capital apresentou hoje uma moratória de 25 dias às autoridades, no sentido de resolverem a problemática da falta de vagas.

A informação foi transmitida hoje por Donito Carlos, porta-voz do grupo de estudantes que, na sexta-feira, realizou em Luanda uma “marcha de repúdio à gasosa escolar”, que juntou algumas dezenas de pessoas, no final de um encontro com o Conselho Provincial da Juventude (CPJ), onde o assunto foi abordado.

“Demos aqui uma moratória de 25 dias e tão logo resolverem as nossas preocupações estaremos na paz, mas o Governo tem de fazer o seu trabalho e o CPJ de Luanda está aqui também para fazer a ponte para que dentro desses dias acordados possamos ver os nossos problemas solucionados”, disse.

As aulas no ensino geral em Angola arrancam a 1 de Fevereiro, mas milhares de alunos vão ficar sem vaga nas escolas, por falta de professores e de salas, o que leva ao aparecimento das queixas de cobrança de “gasosa”, ilegal, para obtenção de um vaga para matrícula.

No encontro de hoje foram igualmente apresentadas “mais de 300 fichas de inscrições” de estudantes que não conseguirem ter acesso ao sistema de ensino geral no presente ano lectivo.

“A gasosa impediu muitos jovens de estudar. Entregamos mais de 300 fichas ao CPJ no sentido de constar da sua base de dados e cadastrá-los e fazer com que os mesmos sejam inseridos”, afirmou Donito Carlos.

Acrescentou que ficou patente neste encontro “que haverá diligências dentro de 25 dias para estancar” o problema.

“E caso não houver solução, nós usaremos todos os mecanismos legais ao nosso dispor para exigir que o Estado cumpra com o seu dever”, realçou o porta-voz destes estudantes.

Na sexta-feira, algumas dezenas de estudantes marcharam, em Luanda, para contestar a chamada “gasosa” escolar, cobranças ilícitas feitas nas escolas durante o período de inscrições e matrículas, apelando às autoridades no sentido de travarem a onda de corrupção.

O protesto levou à intervenção da polícia, que alegou que a mesma não estava autorizada.

Lusa

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