ANGOLA. A Associação dos Professores Angolanos (APA) demarcou-se da greve marcada pelo Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), para segunda-feira, por considerar que não estão esgotadas as possibilidades de negociação com a entidade patronal.

A posição foi manifestada, em conferência de imprensa, pelo presidente da APA, Manuel Inácio Gonga, no mesmo dia em que o SINPROF anunciou a paralisação das aulas entre os dias 9 e 27 deste mês.

Manuel Inácio Gonga lembrou que além da APA existem três sindicatos, dois dos quais também já se demarcaram da greve, alegadamente por não terem sido consultados, discórdia que, para o responsável, não é bom existir neste momento.

“Nós neste momento achamos que devemos continuar a negociar, o nosso apelo vai para a direcção do Ministério da Educação e para os sindicatos, no sentido de continuarem a negociar, para buscar soluções que dêem cobro aos problemas que inquietam”, referiu.

Segundo o presidente da APA, “ainda não foram esgotadas todas as possibilidades de discussão para a resolução dos problemas que estão na mesa”, salientando que o caderno reivindicativo do SINPROF, que data de 2013, tem já muitos pontos que foram ultrapassados.

Para o responsável associativista, nesta altura “o grande calcanhar de Aquiles reside na aprovação do Estatuto da Carreira Docente, que vai ditar o acerto de categorias dos professores”.

O presidente referiu que a APA e os três sindicatos participaram na discussão do pacote que engloba o projecto do estatuto, que foi remetido ao Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), para a sua análise e posterior submissão ao Conselho de Ministros.

Recordou que a discussão terminou bem há pouco tempo, nem faz um mês, por isso julga que “ainda não há motivos” para se partir para uma greve neste momento.

O tempo de duração da greve é também outro dos motivos pelo qual a APA não apoia a greve, porque coloca em causa os alunos, discordando ainda com a reclamação de o Governo ter optado por contratar novos professores, sem actualizar a categoria dos professores em serviço.

“Reconhecemos que, na verdade, há falta de condições dos professores, o salário actual não condiz com o nível de vida, mas também é preciso compreender que, não está só em causa os professores é toda a sociedade. Então devemos dar a possibilidade de o Governo encontrar mecanismos que possam facilitar a resolução dos problemas de forma global”, salientou.

“Se por um lado está a necessidade de actualizar os salários dos professores que estão no sector para que tenham melhor desempenho, para que exerçam a sua função com maior responsabilidade, acutilância, satisfação, não podemos esquecer que temos crianças fora do sistema de ensino por falta de professores”, acrescentou.

Lusa

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