ANGOLA. A polícia angolana registou 74 mortes por causas diversas durante a quadra festiva, além de 1.114 crimes comuns que resultaram na detenção de 1.317 cidadãos suspeitos, classificando a segurança pública neste período como regular.

Os dados constam do relatório do Posto de Comando Principal de Segurança à Quadra Festiva 2017/2018, apresentado hoje em Luanda, após uma reunião liderada pelo ministro do Interior de Angola, Ângelo Veiga Tavares.

Na sua intervenção, o governante lamentou o aumento de crimes face ao período festivo do ano anterior, e ainda o facto de mais de 80% dos crimes violentos terem ocorrido no seio familiar ou de pessoas conhecidas.

“A destacar também o aumento das ofensas corporais, provocadas, sobretudo pelo consumo de álcool, que acabaram por provocar desentendimentos entre familiares e amigos e destes resultar mortes e ofensas corporais, algumas das quais graves”, disse o ministro.

Um destes casos, que chocou a sociedade angolana, ocorreu à saída de uma discoteca em Viana, arredores de Luanda, após uma festa de passagem de ano, e envolveu o atropelamento, alegadamente intencional, de dois irmãos por um amigo.

O vídeo do atropelamento, que provocou a morte a um dos irmãos, de 24 anos, tornou-se viral nas redes sociais, tendo o condutor sido detido pela polícia.

Nos dias festivos, 24, 25 e 31 de Dezembro de 2017 e 1 de Janeiro de 2018, a polícia registou 588 crimes, dos quais 47 foram esclarecidos, o que corresponde a 81% do total, tendo sido detidos 561 suspeitos. Comparativamente ao ano de 2016, as estatísticas indicam um aumento de mais 140 crimes e mais 131 detidos.

Dessas acções resultaram 26 homicídios voluntários, 17 dos quais esclarecidos, com 14 detidos nas províncias de Luanda (11), Huambo (3), Huíla (2), Moxico (2), Benguela (2), Lunda Norte, Cuanza Sul, Bié, Bengo, Uíge e Cuanza Norte, com um caso cada.

Deste total de homicídios, 16 foram praticados por pessoas conhecidas, devido a desentendimentos em ambiente familiar e dez por marginais, sendo três por disparo por arma de fogo, seis com faca, três por asfixia, 13 por agressões físicas e um com picareta.

A polícia destaca ainda a diminuição de crimes praticados com recurso a armas de fogo, 23 (-15), apesar da apreensão no período em referência de 49 armas de fogo, das quais 44 do tipo AKM, três pistolas, uma Mauser e uma Mini Uzi, sendo Luanda a província com o maior número de armas recolhidas (35).

Relativamente aos acidentes de viação, o titular da pasta do Interior de Angola disse que houve alguma diminuição, contudo, “os resultados também continuam preocupantes”.

De acordo com os dados da polícia, ocorreram menos cinco acidentes, menos um morto e menos 25 feridos em relação ao mesmo período de 2016. No período do ano que findou, foram registados 34 óbitos e 155 feridos, de um total de 163 acidentes, liderando a lista Luanda (32), seguida do Huambo (19), Benguela (14) e Lunda Norte (11).

No que diz respeito à protecção civil e bombeiros, registaram-se 70 ocorrências, que resultaram em 14 mortos, por presumíveis afogamentos, electrocussão, suicídio e carbonização em residência.

Os incêndios lideraram as ocorrências, com um total de 36 casos, seguido dos afogamentos, derrame de combustível, acidentes de viação e iminências de afogamento.

Ângelo Veiga Tavares endereçou uma mensagem de agradecimento aos mais de 100 mil efectivos que garantiram a segurança na quadra festiva, reconhecendo o seu empenho e esforço, sobretudo pelo facto de “mesmo por razões de natureza técnica e alheias ao Ministério do Interior, alguns deles não receberam o seu salário antes do Natal, terem-se empenhado e cumprido com brio o seu papel”.

Lusa

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