O ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação de Angola, José Carvalho da Rocha, garantiu hoje que a preparação do AngoSat-1, o primeiro satélite (supostamente) angolano, está “na recta final”, mas escusou-se a avançar uma data concreta para o lançamento.

No passado dia 3 de Outubro, citando informação das autoridades espaciais russas, foi divulgado que o lançamento do AngoSat-1, que vai permitir utilização comercial para telecomunicações nacionais e internacionais, está previsto para 7 de Dezembro, no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão.

A 1 de Novembro, o ministro confirmou que o lançamento do satélite seria feito em Dezembro, nas “datas indicativas”, depois de outros atrasos.

“Está andar muito bem, estamos na sua fase final, na fase da final da integração do satélite como tal com o veículo que o vai transportar para órbita. E esta é a fase mais delicada e mais sensível do projecto”, explicou hoje o ministro, à margem da apresentação, em Luanda, do concurso para um quarto operador de telecomunicações em Angola (ver notícia “Concorrência nas telecomunicações”).

Questionado pelos jornalistas sobre datas para o lançamento, com aproximar do dia 7 de Dezembro, o ministro não se comprometeu: “Estamos de facto nessa recta final. E tão logo terminemos isso nós faremos exactamente o anúncio da data da colocação do satélite em órbita”, disse José Carvalho da Rocha.

De acordo com informação anterior das autoridades de Moscovo, o lançamento do satélite, construído por um consórcio estatal russo, será feito com recurso ao foguete ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo ainda a Roscosmos, empresa estatal espacial da Rússia.

O lançamento tem sido sucessivamente adiado e chegou a estar previsto para Setembro último, sendo um projecto que estava avaliado, em 2013, em 37 mil milhões de kwanzas (cerca de 190 milhões de euros, à taxa de câmbio actual).

Embora ainda sem confirmação oficial de João Lourenço, tudo indica que, com o Angosat, o nosso país deixará de ter 68% da população afectada pela pobreza, ou a mais alta taxa de mortalidade infantil no mundo.

Provavelmente será também graças ao satélite que não mais se dirá que apenas um quarto da população tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade, ou que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Do mesmo modo, com o Angosat não mais se afirmará que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino. Ou que 45% das crianças sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos.

Importa, contudo, não esquecer que primeiro satélite dito angolano, foi construído por um consórcio russo sob a égide do Presidente José Eduardo dos Santos, que também nesta matéria vai ficar nos anais de actividade espacial do país e do mundo.

Garantias dadas em 2014 pelo então Secretário do Estado das Telecomunicações, Aristides Safeca, revelavam que o satélite estaria pronto em 2016, para “depois ser lançado no espaço”. Na altura o mundo interrogou-se dizendo que não faria sentido lançar o satélite antes de ele estar pronto…. Mas, acrescentavam outros, com o regime do MPLA tudo é possível.

A precisão da data para o lançamento revela que é mesmo capaz de ser um satélite do regime. Já esteve previsto para 2015, depois para 2017, regressou a 2016 e agora volta a 2017.

O executivo prevê, com a entrada em funcionamento deste satélite, que o país possa fornecer serviços de suporte às telecomunicações electrónicas, incluindo a prestação de banda larga e de televisão.

Ao contrário do que pensavam os angolanos, não vai trazer comida, nem medicamentos, nem casas, nem escolas, nem respeito pelos direitos humanos. Importa, contudo, compreender que há prioridades bem mais relevantes. E o satélite é uma delas.

Segundo Aristides Safeca, uma autoridade na matéria, o AngoSat marca a entrada do país “numa nova era das telecomunicações, o que pressupõe a condução de um programa espacial que inclua, futuramente, o lançamento de satélites subsequentes”.

Recorde-se que foi no Conselho de Ministros de 25 de Junho de 2008 que foi aprovado o projecto de criação do satélite “AngoSat”.

Em comunicado, o Conselho de Ministros referiu nesse dia que foram aprovadas as minutas do contrato a celebrar entre o Ministério dos Correios e Telecomunicações de Angola e o consórcio russo liderado pela empresa “Robonex-sport”, tendo em vista a construção, colocação em órbita e operação do satélite angolano.

O projecto permitirá, já se dizia na altura, a disponibilização de serviços e o acesso internacional, de suporte e expansão da Internet de banda larga, de transmissão para os operadores de telecomunicações e também a disponibilização para suportar serviços de rede de televisão e de radiodifusão.

Em Dezembro de 2012, Aristides Safeca anunciara o lançamento para 2015, dizendo que o projecto seria financiado por um sindicato de bancos russos liderado pelo Ruseximbank e VTB.

Na altura foi dito que a construção estava a cargo de um consórcio russo liderado pela RSC, multinacional apresentada como tendo “larga experiência na produção de satélites e foguetões propulsores em programas internacionais como o Soyuz-Apollo”.

“Este Satélite é o primeiro e marca a entrada de Angola numa nova era das telecomunicações, o que pressupõe a condução de um programa espacial que inclua, futuramente, o lançamento de satélites subsequentes,” referiu em 2012 Aristides Safeca, coordenador do projecto.

“O projecto do AngoSat vai bem. Está dentro dos prazos estabelecidos e em Setembro de 2016 teremos o satélite pronto e princípios de 2017, o mais tardar no primeiro trimestre, teremos o satélite no ar”, afirmou Aristides Safeca, referindo que o Executivo estava, no domínio dos telecomunicações, a efectuar a procura e buscas de soluções adequadas para as telecomunicações, não só no meio urbano, mas também no meio rural.

Folha 8 com Lusa

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