Sentado nas cores do pôr do sol de um entardecer africano, o melro, mascarado de catuitui, solta frases rebuscadas sobre os factores internos e externos que influenciam os ciclos da vida e das coisas no território do seu Rei. Depois divaga sobre a origem da globalização e a influência das novas tecnologias para a facilitação desse processo.

Por Domingos Kambunji

O melro, pelo que aparenta, sedentarizou. Há aves que viajam para além das fronteiras políticas e geográficas, em migrações anuais ou definitivas, devido às alterações do estado do tempo ou à escassez de alimentos.

(Ainda aguardamos uma explicação sobre o motivo porque estão tantos angolanos, não melros, a emigrar para o Brasil. Será por escassez de postos de trabalho que garantam o alimento? O melro ainda não explicou ou especulou sobre essa migração.)

Queremos aqui relembrar uma notícia que surgiu, recentemente, sobre o Kwanza Sul. Dizia essa informação que “o General Eusébio de Brito Teixeira requereu ao Governador do Kwanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, autorização para açambarcar 30.000 hectares, no Kwanza Sul. O Governador do Kwanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira, deu deferimento ao pedido apresentado pelo General Eusébio de Brito Teixeira, autorizando o açambarcamento de 30.000 hectares no Kwanza Sul. Os cidadãos residentes nessa área, que agora é propriedade do General Eusébio de Brito Teixeira, foram desalojados, por ordem do Governador do Kwanza Sul, Eusébio de Brito Teixeira”.

Este governador do Kwanza Sul que, pelo visto, goza do dom da ubiquidade, mesmo assim, está a anos luz de distância de muitos outros generais, que, também eles, beneficiam financeiramente desse dom, no que se refere a fortunas de divisas e propriedades abifadas. O Eusébio não tem qualquer possibilidade de entrar em competição directa na ostentação demonstrada pelos comensais mais próximos da mesa real.

Este “factor interno” ainda não foi comentado pelo melro. O Juca do Marçal, numa conversa com o Dudu do Prenda, disse que há muitos momentos em que o melro não ouve porque é mudo e não fala porque é cego”. A realidade angolana tem demasiados clones dos Eusébios e dos melros a sofrerem de miopia.

O Melro prefere carpir mágoas pelo facto de a Coreia do Norte ser considerada pária e lamentar a perseguição que, talvez extraterrestres, fazem a Angola, ao Brasil, à Rússia, ou à China. Esqueceu-se da Venezuela, com uma inflação superior a setecentos por cento, um regime que se afirma do socialismo democrático, defensor do povo.

Os órgãos de informação também não se cansam de informar que a inflação cresce em Angola, ao mesmo tempo que o kwanza está a desvalorizar aceleradamente. Os órgãos de propaganda do reigime não se fartam de anunciar que o governo pretende aumentar o microscópico ordenado mínimo nacional…

O José Kavela, do Bairro Operário, diz que o governo irá aumentar o salário mínimo nacional em 10%, quando o kwanza tiver desvalorizado 10 mil por cento. Há que gerir da melhor forma os recursos nacionais porque, segundo diz, a Isabel vai necessitar de 400 milhões de dólares para abrir a rede de hipermercados Kandando!…

A realidade demonstra que o cabritismo angolano não necessita de factores externos para desestabilizar e parasitar a Economia do nacional. Angola possui um número suficiente de comensais que inibem a possibilidade da actuação dos factores exteriores, porque os internos são capazes de executar essa tarefa, sem necessitarem de qualquer ajuda.

Tantos complexos de perseguição só podem ser mania e, muitas vezes, a mania pode advir também da culpa, tentando a fuga para a frente. A psiquiatria, em várias situações, é capaz de tratar esse desvio mental, que poderá conduzir a fortes anormalidades nos processamentos comportamentais. As teorias da conspiração são uma das manifestações desses desequilíbrios. A agressão deslocada, atribuindo a outros as falhas pessoais, é uma maneira de tentar tapar o sol com a peneira da demagogia. Um cantor português diz, numa das suas composições, que “para esse peditório o pessoal já deu”…

Os profetas que prometeram as estrelas aos Meninos do Huambo, não permitem que as crianças lhes toquem. Eles estão a levá-las, todas, para paraísos fiscais ou para países onde a moeda não desvaloriza a uma velocidade tão rápida como a que está a “insignificantizar” o kwanza, apesar de os Moita Flores, os Doutores Atum ou os Melros desmentirem esse facto, acenando com fantasmas de neocolonialismos.

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