O sector da indústria em Angola totalizou desde Janeiro investimentos privados de 40 milhões de dólares, maioritariamente no domínio da construção civil.

Os números foram hoje avançados pela ministra da Indústria angolana, Bernarda Martins, no final da assinatura de oito contratos de investimento privado no valor de 19,3 milhões de dólares, 81% dos quais são de origem nacional.

Em declarações à imprensa, Bernarda Martins manifestou a satisfação pelos resultados alcançados desde a entrada em funcionamento da Unidade Técnica de Apoio ao Investimento Privado (UTAIP) daquele ministério, em Janeiro.

A governante angolana frisou que estão em análise mais projectos de investimento privado, que perfazem igualmente o montante de cerca de 40 milhões de dólares, cujos contratos deverão ser assinados em breve.

“De Janeiro até hoje já foi possível assinar cerca de 13 contratos, todos eles avaliados em cerca de 40 milhões de dólares”, referiu Bernarda Martins.

A governante angolana salientou que os sectores de maior interesse têm sido a construção civil, área prioritária para o país, seguido dos têxteis e confecções e da indústria química.

Na cerimónia de hoje foi assinado um contrato para um projecto de confecção de roupas, no valor de 1 milhão de dólares, de origem chinesa, a ser executado em Luanda, com previsão de arranque no fim de Julho, criando 35 postos de trabalho, maioritariamente nacionais.

A ministra reconheceu a falta de matéria-prima para o desenvolvimento deste sector, salientando que existem algumas iniciativas para a produção de algodão, mas para as de origem sintética ainda não existe nenhuma.

“É evidente que nestes próximos anos imediatos nós vamos viver efectivamente de importação de matérias-primas para a indústria de têxteis e confecções”, frisou.

Bernarda Martins realçou a importância de outro contrato assinado hoje, no valor de 550 mil dólares, de origem eritreia, virado para a recolha, processamento e exportação de pele animal.

O projecto com uma capacidade de produção de 14.490 peças, no primeiro ano, e perspectiva de aumento, nos próximos cinco anos, de 24.633 peças, deverá arrancar em Agosto do próximo ano.

A titular da pasta da Indústria apelou aos investidores privados para que se mantenham optimistas, neste período de dificuldade económica e financeira que Angola vive decorrente da baixa do preço internacional do petróleo, salientando que o Governo tem um programa para apoiar selectivamente as indústrias que estão numa situação de ruptura para que não venham a parar.

Reconheceu que as indústrias angolanas atravessam um período de dificuldades, que tem levado à redução da capacidade de produção de muitas.

“Nós consideramos que não temos indústrias paralisadas, mas indústrias com alguma capacidade receosa, porque paramos com algumas linhas de produção — estamos a falar no sentido mais lato, não são todas as indústrias — mas algumas tiveram que fazer algumas restrições, inclusive no que se refere aos postos de trabalho, tiveram que diminuir, mas estamos em crer que é uma fase que vai ser ultrapassada a breve trecho”, acrescentou.

Fonte: Lusa

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