O activista e jornalista Rafael Marques disse hoje – ingénuo e puro como é – que a embaixada portuguesa em Luanda devia visitar o preso político Luaty Beirão, em greve de fome, e apelou ao Bloco de Esquerda – o único partido português que condena a ditadura de Eduardo dos Santos – para levar a questão ao Parlamento.

“E u faço um apelo ao Bloco de Esquerda que tem mostrado genuína preocupação para com o sofrimento dos angolanos para que leve o caso do Luaty ao Parlamento português e que continue o seu trabalho de denunciar o que se passa de errado em Angola porque em Portugal só podemos contar com a solidariedade indiscutível do Bloco de Esquerda”, disse com todas as letras Rafael Marques.

No dia 3 de Julho, o BE propôs na Assembleia da República um voto de condenação pela prisão dos jovens angolanos.

Na altura, o Bloco de Esquerda e o deputado socialista Pedro Delgado Alves ficaram sozinhos, no Parlamento, na condenação da “repressão política em Angola” e no apelo ao fim da detenção do grupo de jovens opositores do regime.

O PCP é irmão siamês do MPLA, o PSD e o CDS fazem gala de estar sempre de cócoras numa putrefacta bajulação ao regime, e o PS é parceiro do MPLA na Internacional Socialista.

“Obviamente temos no Partido Socialista a Ana Gomes e o João Soares, mas são casos individuais e que não reflectem aquilo que tem sido a conduta do Partido Socialista em relação a Angola que é de cumplicidade também”, afirmou Rafael Marques.

Entretanto, uma fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português disse durante o fim-de-semana que está a acompanhar, através da embaixada em Angola e de outros meios, a situação do activista luso-angolano, detido em Luanda desde Junho e em greve de fome há 22 dias.

“Mas está a acompanhar a situação como? Já o foram visitar à cadeia? O MNE tem de explicar como está a acompanhar a situação. Não basta dizer que está a acompanhar a situação. Obviamente eles estão a ler os jornais e sabem o que se passa pelos jornais, mas já alguém da embaixada portuguesa foi visitar o Luaty?”, critica Rafael Marques, recordando que o músico detido é luso-angolano.

“Tem havido um grande encobrimento e só agora, em Portugal, passados três meses de cadeia é que se lembram que Luaty é luso-angolano quando sempre se soube que o Luaty também tem nacionalidade portuguesa e devia merecer a atenção das autoridades portuguesas”, sublinha o activista que se encontra neste momento em Portugal.

O luso-angolano Luaty Beirão, de 33 anos, faz parte de um grupo de 17 jovens – dois dos quais estão em liberdade provisória – acusados formalmente desde 16 de Setembro passado de prepararem em pensamento uma rebelião e um atentado contra o Presidente angolano, mas sem que haja uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva.

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