A oposição angolana pediu hoje, 17 de Maio, esclarecimentos oficiais sobre o estado de saúde do Presidente José Eduardo dos Santos. Veremos o que dirá, via Instagram, Isabel dos Santos, como filha ou, eventualmente, porta-voz da Presidência da República.

Será que a Presidente do Conselho de Administração da Sonangol irá escrever, como fez em relação ao Folha 8: “Alguém que desce tão baixo de nível, até ao ponto de inventar notícias de morte tudo pela vontade insaciável de criar confusão, e tumulto político em Angola. Até que ponto chega o egoísmo, e ambição desmedida destas pessoas, até ao ponto de ignorar, que existem familiares e amigos… Oportunistas e criadores de falsas notícias”?

É claro que a oposição quer saber do estado de saúde do Presidente Eduardo dos Santos e não diz que ele morreu. Também o Folha 8 não disse que ele tinha morrido, mas segundo Isabel dos Santos, dizer que o seu pai estava “gravemente doente” é o mesmo que dizer que tinha morrido.

“Estamos todos preocupados com a falta de informação oficial sobre o estado de saúde do Presidente da República”, disse à AFP Rafael Savimbi, filho de Jonas Savimbi, ex-líder da UNITA.

“Recebi mensagens sobre o estado de saúde extremamente grave de José Eduardo dos Santos. Precisamos de sérias e claras explicações”, acrescentou Agostinho dos Santos, um analista político próximo da oposição.

Em causa estão (e não “estarão”, como escreve a Lusa), notícias do agravamento (não de um “alegado agravamento”, como repete a agência de notícias portuguesa) do estado de saúde do líder de angolano.

Escreveu o Folha 8 que José Eduardo dos Santos foi obrigado a regressar de urgência a Espanha, estando em causa o tratamento de uma doença de foro oncológico.

Face a esta notícia, Isabel dos Santos criticou, através da rede social Instagram, aqueles que “inventam notícias de morte” com o objectivo de “criar confusão e tumulto político em Angola”. No que ao Folha 8 respeita, aquela que é a mais emblemática multimilionária de um país com 20 milhões de pobres não criticou – mentiu e inventou.

“José Eduardo dos Santos em estado (muito) grave”, foi o título da nossa notícia, onde se podia ler: “Esperemos que tudo não passe de mera especulação e que o Presidente possa melhorar de saúde e recuperar as suas plenas faculdades para completar o seu mandato”.

Será isto, como escreveu Isabel dos Santos e foi passivamente multiplicado pelos servis produtores de conteúdos, sinónimo de “egoísmo, e ambição desmedida destas pessoas, até ao ponto de ignorar, que existem familiares e amigos”?

Reiteramos um conselho a Isabel dos Santos, seja enquanto filha ou no papel oficioso de porta-voz da Presidência da República: a serenidade é a melhor conselheira. A verdade também ajuda. Compreendemos que a dor lhe tolde o raciocínio e a leve a ler o que não está escrito ou a querer matar o mensageiro por receio do que dirá a mensagem. Lamentamos igualmente que, sobretudo nos momentos difíceis, nenhum do seus assalariados a aconselhe a não misturar o desejo de vingança com a verdade.

Talvez seja sua vontade – como lhe sugerem alguns dos seus acólitos – acabar de vez com o Folha 8. Mas se o quiser fazer, não precisa de se refugiar na mentira, atribuindo-nos afirmações que nunca fizemos. Se esse for o seu desiderato, basta usar o que efectivamente escrevemos e que, é verdade, quase sempre lhe desagrada. Esteja, por isso à vontade.

Isabel dos Santos usou o Instagram para aliviar a dor imensa que certamente sente. Também poderia, no caso da reacção ao que o Folha 8 escreveu, usar o mais do que legítimo direito de resposta. Inteligentemente, espirrou e ficou à espera que outros (a Lusa, por exemplo) fosse célere na transmissão acelerada e massiva do “vírus” que, pelo sistema de “copy paste”, se propagou por tudo quanto é sítio.

Que José Eduardo dos Santos prefere ser assassinado pelo elogio do que salvo pela crítica, não é novidade. Mas Isabel dos Santos também tem essas preferências? Ficaria mais feliz se o Folha 8 dissesse que o seu pai tem a mesma saúde que tinha quando, há 38 anos, assumiu os comandos de Angola?

Isabel dos Santos sabe que, por exemplo, no nosso site não é, nem nunca foi, publicado nenhum comentário ofensivo para com o seu pai. Também sabe que no nosso Facebook, embora nesta rede social o controlo seja mais difícil, apagamos – sempre que detectados – quaisquer comentários ofensivos, indo mesmo a ponto de banir a presença dos que teimam em desrespeitar as mais elementares regras de civismo.

Difícil está a ser o regime e, neste caso, a porta-voz oficiosa da Presidência da República entender algo que é basilar nos Estados de Direito: A nossa liberdade termina onde começa a de Isabel dos Santos A liberdade de Isabel dos Santos termina onde começa a nossa.

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