ANGOLANOS, ANGOLA É VOSSA – ACORDEM!

Se as pessoas julgam uma nação pela qualidade dos seus dirigentes, o que se passa hoje dentro do MPLA deveria atrair a atenção de todos devido à gravidade da situação, e não ser motivo de riso pois não é um espectáculo que faria rir pessoas sérias para se perceber o que aparentemente poderá acontecer em breve ao General Higino Carneiro, quer se esteja a favor ou contra ele. Esta situação deve ser levada a sério, pois reflecte o estado do país, a imagem que Angola projecta no exterior e a forma como o país no seu todo é percepcionado.

Por Osvaldo Franque Buela (*)

Ao tolerarmos e rirmos da violência que o regime comete contra cidadãos pacíficos como Osvaldo Caholo, ou contra membros do seu próprio sistema, corremos o risco de legitimar a injustiça e a intolerância política que têm sido praticadas diariamente nos últimos 50 anos.

Cinquenta anos é o tempo de uma vida inteira. É tempo suficiente para uma semente se tornar uma árvore secular, para uma criança se tornar um ancião e para uma nação encontrar o seu destino. Mas, ao olharmos para o espelho da nossa história recente, a pergunta que ecoa é: sabemos, de facto, quem somos?

Se o povo angolano tivesse a plena consciência da força que corre nas suas veias — a força de quem resistiu a séculos de opressão e conquistou a independência com sangue e suor — não aceitaria, nem por mais um segundo, viver como estrangeiro na nossa própria terra.

É com tristeza que constato que a independência conquistada ontem, que deveria dar liberdade ao povo, se tornou hoje uma prisão a céu aberto, que a libertação de ontem tornou-se o cativeiro de hoje. A triste realidade é que um pequeno grupo, encastelado no poder sob a bandeira do MPLA, decidiu que Angola não pertence aos angolanos, mas sim a eles. Tomaram o país como refém, apropriando-se das riquezas que deveriam alimentar os nossos filhos e transformando a esperança em sobrevivência.

O mais triste é que esta quadrilha de vigaristas sem escrúpulos conseguiu fazer-nos aceitar o inaceitável, como aprender a viver sem comer, viver na miséria enquanto o solo sob os nossos pés transborda riqueza.

Ser tratado como “escravo” ou cidadão de segunda classe por quem deveria servir o povo.

Ter medo de falar, de exigir e de sonhar com um país onde o mérito vale mais que o cartão do partido.

Na distração provocada por questões políticas e na aproximação das datas das habituais eleições fraudulentas, perdemos de vista, de forma pura e simples, aquilo que era essencial aos nossos olhos e à nossa própria existência, cito O Poder da Identidade.

Um povo que conhece o seu valor, o poder da sua Identidade, não se ajoelha perante tiranos mascarados de libertadores. Se soubessem que são os verdadeiros donos de cada grão de areia de (Cabinda) ao Cunene, entenderiam que o poder deles só existe porque vocês o permitem.

A soberania não reside nos palácios de Luanda; ela reside nas mãos das zungueiras, dos camponeses, dos estudantes e dos operários. Cinquenta anos depois, o maior acto de independência que podemos exercer é a emancipação da mente.

A liberdade é um bem que se conquista, não um presente que se recebe de quem nos oprime.

Ai dos vencidos, diziam os romanos, e não acreditemos que o MPLA tenha derrotado apenas a UNITA, a FNLA e outros pela força das armas; aliás, derrotou todo o povo angolano, e isso dá-lhe a oportunidade de fazer o que bem entender. E se se considerarem derrotados, pagarão o preço, tal como estão a pagar agora.

Está na hora de Angola deixar de ser o quintal de alguns e voltar a ser a pátria de todos. Porque um povo que conhece a sua grandeza nunca aceitará as correntes da humilhação.

Angola é vossa. Acordem.

(*) Escritor pan-africanista, refugiado político em França.

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