O presidente da Liga dos Veteranos da Guerra de Libertação de Angola (LIVEGA), Nsimba Matuvanga, denunciou os constantes combates e divisões internas por parte de Carmem Dias dos Santos, irmã do antigo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, em memória, de promover desentendimentos e enfraquecer a coesão da organização.
Por Malaquias Mizalaque
e Berlantino Dário
No meio das turbulências, no centro da polémica está Carmem Dias dos Santos, apontada por alguns associados como responsável por incentivar divisões e criar um clima de desconfiança entre os membros.
De acordo com os associados veteranos, o ambiente interno da organização tem sido marcado por tensões crescentes, trocas de acusações e alegadas tentativas de desestabilização e, consequentemente a desestruturação da actual direcção. No entanto, o presidente da LIVEGA, Nsimba Matuvanga, manifestou preocupação com o que considera ser uma tentativa de usurpação de liderança da associação, acusando Carmem dos Santos de agir à margem dos princípios estatutários e de fomentar conflitos internos com objectivos inconfessos e pessoais.
“Não existe ala na LIVEGA. Em 2008, Carmem dos Santos participou e foi eleita vice-presidente da mesa da Assembleia Geral. No entanto, em 2009, abandonou a LIVEGA. Dez anos depois, regressou à organização, alegadamente ameaçando expulsar membros da Liga com discursos autoritários, afirmando – “Sou irmã do Nandó e a presidente legítima da Liga dos Veteranos da Guerra de Libertação de Angola””, denunciou.
Por seu turno, os associados afirmam que a situação tem prejudicado o normal funcionamento da instituição, comprometendo a defesa dos interesses dos antigos combatentes e enfraquecendo a imagem de uma organização criada para preservar a memória da luta de libertação nacional e garantir melhores condições sociais aos seus membros.
Matuvanga também destacou as dificuldades enfrentadas pelos veteranos da pátria nas 21 províncias do país, apelando por mais atenção e apoio para esta classe em diferentes regiões – “Desde 1991, viemos apelar o governo no sentido de reconhecer, valorizar e dignificar todos os antigos combatentes que lutaram em prol da pátria. O antigo combatente é vulnerável e custa-lhe deslocar-se de uma região para outra”, lamentou o responsável.
Para o vice-presidente da LIVEGA, Félix Mavungo, conhecido como “Russo”, lamenta pela situação que a organização enfrenta ao revelar que se sente traído por Carmem Dias dos Santos e acusa-a de tentativa de usurpação da liderança da organização.
“Trabalhei dois anos com a Carmem dos Santos sem receber sequer um salário. Na assembleia que ela convocou, eu era o único delegado em todas as províncias, daí percebi que ela ocupava o cadeirão máximo da LIVEGA ilegalmente”, lamentou.
Perante o agravamento das tensões internas, os membros da LIVEGA clamam por uma intervenção urgente das autoridades competentes e defendem a realização de um diálogo inclusivo para restaurar a estabilidade da organização.
Entretanto, o presidente e os seus correligionários apresentaram provas administrativas e bancárias que, segundo afirmam, legitimam a sua liderança e reforçam a legalidade da actual direcção da organização, isto é, durante a 5.ª Assembleia Geral da LIVEGA.
Recordemos que a Liga dos Veteranos de Guerra e Libertação de Angola, foi fundada no longínquo ano de 1991, com o objectivo de ajudar a situação social dos antigos combatentes e veteranos da pátria que hoje em dia muitos deles não são tidos nem achados e, concomitantemente, atirados à sua sorte em um pouco por todo os cantos do país.


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