TRÊS EM CADA QUATRO (75%) ANGOLANOS PASSARAM FOME

Quase três em cada quatro angolanos enfrentaram dificuldades no acesso a alimentos (eufemismo para falar de fome) em 2023, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam para uma taxa de prevalência de insegurança alimentar de 74,6%.

Os dados constam do Relatório sobre Escala de Experiência de Insegurança Alimentar (FIES, na sigla inglesa) 2020-2023, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) de Angola em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que foi hoje tornado público em Luanda.

Segundo a pesquisa, ao longo do período analisado, a prevalência de insegurança alimentar (fome) moderada ou severa na população em Angola atingiu o valor mais elevado em 2021, situando-se em cerca de 82%, representando um aumento de 6,7 pontos percentuais em relação a 2020.

Nos anos seguintes, observou-se uma trajectória de redução, registando-se em 2022 uma prevalência nacional de 79,8% enquanto em 2023 esteve fixada em 74,6%, “um decréscimo acumulado de 7,1 pontos percentuais face ao pico observado em 2021”, refere-se.

A província da Lunda Norte, leste de Angola, apresenta a maior prevalência da fome (insegurança alimentar severa) na população ao longo dos anos em todo o país, segundo o INE, argumentando que, neste período, “mais da metade da população provavelmente ficou sem comida, passaram fome e, na situação mais extrema, passaram dias sem comer, colocando sua saúde e bem-estar em risco sério”.

Entre 2020 e 2023, a Lunda Norte apresentou a maior prevalência de insegurança alimentar severa com 54,7%, 55,2%, 54,1% e 70,7% respetivamente.

Em 2023, a província diamantífera foi secundada pelo Cuando-Cubango (47,4%) enquanto a Lunda Sul (31,3%), também no leste de Angola, e Zaire (31,1%) surgem nas posições imediatas.

Luanda apresentou uma prevalência de insegurança alimentar severa na população de 12% em 2023. Cunene (7,2%), Uíje (8,1%) e Cuanza Sul (8,2%) foram as províncias com menores prevalências neste período.

Salienta-se igualmente na análise que em 2021 a prevalência de insegurança alimentar severa é ligeiramente superior entre as mulheres, situando-se em 29,1% em comparação com 28,8% entre os homens.

Em relação à segurança alimentar ou insegurança alimentar leve, observam-se variações entre os anos, e a menor prevalência foi em 2021 com 18,2%, enquanto 2020 e 2023 apresentou a maior prevalência, com 25%.

A incorporação da FIES, argumenta o INE, permitiu a obtenção de dados fiáveis sobre a segurança alimentar do país a nível nacional e provincial, permitindo assim uma melhor avaliação das políticas públicas de combate à fome, sendo visível que os angolanos (ao contrário das ordens do MPLA) ainda não aprenderam a viver sem comer.

As informações recolhidas com o módulo da FIES, permitem avaliar os programas do Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN 2018-2022 e PDN 2022-2027), referentes à Melhoria da Segurança Alimentar e Nutricional.

Deste modo, defende o INE, a resolução da mesma passará pela criação de políticas que visam priorizar as regiões com insegurança alimentar mais acentuadas sem esquecer das outras, de forma a se promover um nível de insegurança alimentar equitativo entre elas.

Para o INE, a inclusão da FIES nos inquéritos nacionais “é uma medida complementar, que visa dar suporte ao Governo de Angola (do MPLA há 50 anos), no âmbito do monitoramento da Estratégia Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, bem como do desempenho do ODS 2”.

Estes dados desmentem a tese do general João Lourenço que, por regra, diz que o MPLA fez mais em 50 anos do que os portugueses em 500.

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