BRANQUEAR É FÁCIL, BARATO E RENDE MILHÕES

“O Processo” surge no âmbito do programa “Nossas Memórias – Comemoração dos 50 anos de Independência de Angola”, a realizar na Universidade do Porto durante o ano de 2026. Recorde-se que a FLUP (Faculdade de Letras da Universidade do Porto) tem funcionado – e bem – como sucursal do MPLA, ajudando a branquear os crimes (incluindo massacres) do partido que gere Angola desde a independência.

Por Orlando Castro

Assim, “O Processo” é o título da série que propõe uma viagem até Angola durante o domínio colonial. Escrita e dirigida por Hélder Filipe e Renata Torres, esta série vai passar na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto, nos próximos dias 13, 20 e 27 de fevereiro, sempre às 18h00.

Inserida no âmbito das comemorações dos 50 anos da independência de Angola, a iniciativa convida a comunidade a assistir a seis episódios – dois por sessão – desta série que venceu o Prémio Nacional de Cultura e Artes 2025 de Angola.

A primeira sessão, já no dia 13 de fevereiro, apresenta-nos João Manuel Lisboa que, em 1959, foi interceptado pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE). Será uma oportunidade para perceber um pouco melhor como a literatura clandestina e a música serviram de escudo e arma para aqueles que, na década de 1940 do século passado, sonhavam com uma Angola livre.

No segundo episódio, “entraremos” em alguns clubes recreativos e desportivos (como o “Bota Fogo” e “Espalha Brasa”) que funcionavam de disfarce perfeito para a revolução.

No dia 20 de Fevereiro, seremos “cúmplices” de uma aliança estratégica que usou a influência da Igreja para despertar a consciência global. Vamos assistir à denúncia que levará João Manuel Lisboa à prisão, e que irá desencadear uma caça impiedosa, por parte da PIDE, com um catastrófico efeito dominó.

Dia 27 de Fevereiro, iremos “acompanhar” o julgamento do Processo dos 50, que acabou por mudar o curso da história e transformou o sofrimento de um grupo num movimento que culminaria com a liberdade de toda uma nação.

A entrada nas sessões é gratuita, ainda que limitada apenas à lotação do espaço.

A exibição desta série está integrada no programa Nossas Memórias – Comemoração dos 50 anos de Independência de Angola, que vai decorrer na Universidade do Porto durante todo o ano de 2026. Entre as iniciativas previstas inclui-se a exibição de filmes, peças de teatro, conversas, workshops e apresentação de livros.

O programa resulta de uma parceria entre a U. Porto com a Associação Kafukolo 5, a Plataforma História Social de Angola, a Escola Utópica e a Casa de Angola no Porto.

FLUP é sucursal do MPLA? Só fica a faltar… Hitler!

Maria Eugénia Neto, presidente da Fundação António Agostinho Neto (FAAN), assinou no dia 10 de Setembro de 2019, com a FLUP – Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Portugal), um protocolo que criou a Cátedra Agostinho Neto nesta instituição de ensino superior. Assim a FLUP deu mais um passo no branqueamento da imagem daquele que foi o genocida responsável pelos massacres de milhares (entre 60 mil e 80 mil) de angolanos em 27 de Maio de 1977. Só fica a faltar… Adolf Hitler.

O acto representou uma homenagem da Universidade do Porto ao 40º aniversário da morte do poeta medíocre (segundo José Eduardo Agualusa) e do maior sanguinário da história da Angola independente, e contou com a participação do embaixador de Angola em Portugal, Carlos Alberto Fonseca, que caucionou o acordo rubricado entre a viúva do primeiro Presidente angolano e a directora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Fernanda Ribeiro.

Maria Eugénia Neto salientou, na ocasião, “as renovadas perspectivas e investigações sobre Agostinho Neto, enquanto poeta, homem de cultura e político”, destacando que o Prémio Camões tem um significado de grande alcance para o conjunto de países que tornou sua a língua de Camões.

Eugénia Neto confirmou que a FAAN, no âmbito do pré-centenário de Agostinho Neto, assinou o protocolo de cooperação com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), para a criação da Cátedra Agostinho Neto com o intuito de promover o estudo de Agostinho Neto, das línguas, da literatura e da cultura angolanas, através do estabelecimento de um programa próprio de investigação e ensino na área dos Estudos Africanos.

Para além do simbolismo da efeméride de lavagem da imagem do herói do MPLA, a criação da Cátedra marcou o encerramento do colóquio “Agostinho Neto e os Prémios Camões Africanos”, em que participaram especialistas culturais, voluntariamente ignorantes quanto aos crimes cometidos pelo homenageado, de Angola, Portugal, Brasil, Cabo Verde e da China e que abordaram aspectos ligados ao tema do evento.

O reitor da Universidade do Porto, João Veloso, considerou na altura o acto um feito internacional, tendo saudado muito entusiasticamente a assinatura do protocolo que homenageia a mais tenebrosa figura da História e da cultura angolana que, pelo seu papel de poeta e homem de cultura, todos procuram dizer que é um dos maiores escritores da língua portuguesa. E será com certeza se, de facto, se considerar que escreveu com o sangue de milhares e milhares de angolanos.

Por seu turno, o então embaixador Carlos Alberto Fonseca agradeceu a homenagem ao Patrono da Poesia (sanguinária e criminosa) Angolana, que conduziu o país à independência e foi o primeiro Presidente de Angola, para além do ter sido o maior genocida da nossa história pós-independência.

Para além de cidadãos do MPLA residentes ou a estudar em Portugal (quase todos ignorantes ou cobardes), participaram neste evento a vice-presidente da FAAN, Irene Neto, e seus acompanhantes, membros do corpo docente e discente da FLUP (igualmente ignorantes e cobardes quanto à verdade dos factos), convidados e os escritores António Quino, José Luís Mendonça, Luís Kandjimbo, Cristóvão Neto e David Kapelenguela, que viajaram de Luanda expressamente para o efeito.

Ajuda às teses de branqueamento da FLUP

Fruto da entrega de Agostinho Neto à causa libertadora dos povos, o Zimbabué e a Namíbia ascenderam igualmente à independência, assim como contribuiu para o fim do apartheid na África do Sul.

Agostinho Neto foi também, segundo uma cartilha herdada do regime de partido único (hoje em termos práticos assim continua), “um esclarecido homem de cultura para quem as manifestações culturais tinham de ser antes de mais a expressão viva das aspirações dos oprimidos, arma para a denúncia dos opressores, instrumentos para a reconstrução da nova vida”.

Continuemos, contudo, a ver a lavagem cerebral que o regime do MPLA insiste em manter, isto porque terá informações dos seus serviços secretos que dizem que somos todos matumbos: “Dotado de um invulgar dinamismo e capacidade de trabalho, Agostinho Neto, até à hora do seu desaparecimento físico, foi incansável na sua participação pessoal para resolução de todos os problemas relacionados com a vida do partido, do povo e do Estado”.

Numa coisa a cartilha do MPLA (adoptada pela FLUP) tem toda a razão e actualidade: “como o marxistas-leninista convicto, Agostinho Neto reafirmou constantemente o papel dirigente do partido, a necessidade da sua estrutura orgânica e o fortalecimento ideológico, garantia segura para a criação e consolidação dos órgãos do poder popular, forma institucional da gestão dos destinos da Nação pelos operários e camponeses”.

É verdade também (segundo o MPLA) que foi graças a Agostinho Neto que Portugal aboliu a escravatura, que os rios começaram a correr para o mar, que o homem foi à Lua e que os europeus deixaram de viver na pré-história.

Também é claro (sempre segundo o MPLA) que Agostinho Neto nunca foi um ditador. Sobretudo depois de morto.

Supostamente, Neto “foi eleito líder do MPLA pelos seus pares do Comité Director, quando uma facção defendia que o movimento devia fundir-se na UPA e os brancos e mestiços não podiam participar na luta armada. Neto triunfou! O líder de uma organização revolucionária que luta pela libertação do seu povo, não pode ser ditador. O libertador pode ser tudo, menos ditador!”

Mais. “Um Chefe de Estado que está quatro anos no poder e tem de lutar contra exércitos invasores e matilhas de mercenários, não tem tempo para ser ditador”.

Aliás, só mesmo um democrata, idealista, defensor dos direitos humanos e dos angolanos como era Agostinho Neto poderia ter ordenado – nesse 27 de Maio de 1977 – o massacre de milhares e milhares de angolanos, na sua esmagadora maioria militantes e simpatizantes do MPLA. Nenhum ditador seria capaz de tal façanha.

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