EXONERAR É MELHOR DO QUE RESOLVER OS PROBLEMAS DA EDUCAÇÃO?

O Presidente da República substituiu Luísa Grilo por Erika Linete Batalha de Carvalho Aires (foto) no Ministério da Educação. Para o Secretário Geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), Admar Jinguma, bem como para o militante do MPLA, José Carlos de Almeida, a decisão de João Lourenço tornada pública nesta sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2026, não resolve os problemas do sector da educação que “dependem de um compromisso e de uma decisão política ao mais alto nível”.

Por Geraldo José Letras

O Secretário Geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF), Admar Jinguma, acredita que Luísa Grilo foi exonerada do cargo por incumprimento na implementação das várias inovações tecnológicas que anunciou ao longo da sua administração no sistema nacional da educação, entre as quais a distribuição de tablets e a implementação da inteligência artificial nas escolas públicas para apoiar o processo de ensino-aprendizagem dos alunos.

“Acho que a senhora ministra Grilo foi prejudicada por essas declarações na imagem (implementação de inteligência artificial nas escolas públicas), proferidas no Dubai, onde ainda se encontrava em missão oficial, que se juntam a outras como a dos tabletes, que geraram sempre muitas críticas. O Presidente João Lourenço não deve ter gostado de mais essa tirada da ex-Ministra Grilo. Ontem ainda estivemos no MED a discutir os termos de referência e nada indicava que a Ministra seria apeada do cargo”.

Apesar das razões que terão levado à sua substituição no cargo, o sindicalista destaca que Luísa Grilo era uma governante que sabia ouvir a classe dos professores: “Uma das virtudes da agora ex-Ministra da Educação é a capacidade de diálogo. Nunca deixou de conversar com os sindicatos. Era bastante simples no trato. Não haviam burocracias para falar com ela”.

A Secretário Geral do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) entende que os problemas do sector da educação em Angola não se resolvem com simples actos de exoneração, pelo que evita criar expectativas sobre a nova Ministra da Educação que assume departamento do aparelho do Estado em final de mandato de João Lourenço na presidência da República.

“Quanto à nova Ministra, nunca tinha ouvido falar, mas não alimento expectativas. Em resumo, temos consciência de que, quem assume a responsabilidade pelo pelouro da Educação tem que ter iniciativas. Contudo, as questões da Educação neste país andam dependentes de um compromisso e de uma decisão política ao mais alto nível. Enquanto isso não acontecer, e o Presidente João Lourenço já não tem muito tempo pra isso, vamos remendando aqui e acolá”, disse o sindicalista Admar Jinguma.

José Carlos de Almeida, militante e candidato à liderança do partido MPLA, entende igualmente que os problemas do sector em Angola não se resolvem com exonerações. E culpa o Presidente da República pelo estado atual do sistema nacional de educação.

“O problema não só está nas figuras que são nomeadas e exoneradas — já são muitas. A responsabilidade é de quem os nomeia”, considerou.

Até à sua nomeação para Ministra da Educação, Erika Linete Batalha de Carvalho Aires, com 47 anos de idade, era deputada à Assembleia Nacional e ocupava o cargo de 2.º Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA.

É Mestre em Gestão e Políticas Públicas e já desempenhou, entre vários cargos como Assistente de Direcção de Recursos Humanos no Ministério das Finanças e, em 2015, como Consultora no Gabinete de Quadros do Presidente da República.

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