O presidente da União Africana (UA), general João Lourenço, disse hoje que não pode continuar a situação de pobreza que dominou África por décadas, apelando ao reforço de meios e recursos para dinamização crescente da cooperação económica entre a Europa e África. Tem piada. Ladrão apanhado a roubar diz que, afinal, estava só a tomar conta do produto o roubo.
O general João Lourenço, que intervinha na cerimónia de abertura da 7ª Cimeira da União Africana – União Europeia, frisou que não se pode manter a “situação de pobreza que dominou o panorama no continente durante décadas”, referindo que África tem “uma necessidade vital de acesso ao financiamento com custos comportáveis”, para a sua aplicação na execução de obras de alcance estratégico.
E ele sabe do que fala. Angola tem mais de 20 milhões de pobres, é um país rico que não gera riquezas mas apenas milionários do regime. Que tem no poder há 50 anos sempre a mesma seita, o MPLA. Que conseguiu em 50 anos destruir mais e matar mais do que os portugueses em 500. Que colocou o reino top dos países mais corruptos do mundo.
Segundo o Presidente do MPLA que, por inerência, também é (embora nunca eleito) Presidente da República do MPLA (também conhecida por Angola), estes males que afectam África representam não só um problema para o continente, mas também para o resto do mundo, confrontado com questões de carência dos povos africanos, nomeadamente epidemias, imigração maciça, conflitos internos e outros males.
“É com o objectivo de superarmos esse estado de coisas que atribuo uma grande relevância à cooperação União Africana – União Europeia, apelando no sentido de, sempre que possível, serem reforçados os meios e os recursos a serem disponibilizados para a dinamização crescente da cooperação económica que desenvolvemos e para que empresários e investidores europeus se interessem por África e invistam na industrialização do continentes e em setores da economia africana que impulsionem o crescimento e produzam benefícios recíprocos”, disse o general João Lourenço.
O chefe de Estado do MPLA (nunca, repita-se, eleito), que destacou os profundos laços históricos e de cooperação entre os dois continentes, disse que, em 25 anos, o conhecimento mútuo e a cooperação bilateral aprofundaram-se, e a parceria ampliou-se para todos os campos e sectores de interesse mútuo, com resultados que animam “a seguir em frente, pois os bons resultados estão à vista e o futuro afigura-se cada vez mais promissor”.
Em termos práticos, o general João Lourenço explica que é precisa a ajuda europeia para África continuar a “evoluir” no sentido de trabalhar ainda mais para os poucos que têm milhões e não para os milhões que têm pouco ou nada.
O general João Lourenço sublinhou que os dois continentes têm vindo a construir canais de diálogo e de cooperação em várias áreas, como as da paz e segurança, comércio e investimento, governação, educação, saúde, acção climática e transformação digital.
Para o presidente da UA, a consolidação da paz, estabilidade e segurança em África são essenciais para a aceleração da integração económica, o empoderamento da juventude e das mulheres e garantir progresso em matéria de resiliência climática e de transição energética.
“Temos consciência dos esforços que devem ser envidados para aprimorarmos de uma maneira geral os modelos de cooperação essenciais para que se consiga tirar os maiores benefícios possíveis da parceria que mantemos, que se tem revelado dinâmica e muito orientada no sentido de contribuir para a resolução dos principais problemas e desafios que enfrentamos no processo do desenvolvimento económico e social dos nossos países”, realçou.
Esta 7ª cimeira, prosseguiu o general (formado na URSS) João Lourenço, serve para uma reflexão profunda sobre a trajectória das relações e proceder-se às correções que se afigurem necessárias, pois os dois continentes, “num quadro de respeito mútuo, têm muito mais a ganhar do que a perder se caminharem sempre juntos, reforçarem o intercâmbio entre si, complementando-se com o que cada parte tem de melhor para o outro”.
“Juntos temos tudo para beneficiar e desenvolver os nossos continentes, tudo quanto temos de fazer é partilhar, cooperar, em benefício mútuo”, disse João Lourenço, considerando ainda que a Europa só tem a ganhar “se tiver parceria e cooperação com uma África desenvolvida, que não remeta imigrantes ilegais para os países europeus através do mar mediterrâneo e que não tenha necessidade constante de pedir doações e o perdão da dívida”.
De acordo com o general João Lourenço, existem “muitos bons exemplos de cooperação” entre estas duas instituições, que se ilustram, de uma maneira geral, pelas iniciativas que englobam o Global Gateway e no plano bilateral, particularizando a relação Angola — União Europeia, a parceria que se desenvolve no âmbito do Caminho Conjunto, que se tem processado “de forma satisfatória, recomendando-se que se mantenha e se consolide”.
O general João Lourenço defendeu uma relação entre UA-UE na base de “um espírito de pragmatismo, isento de teias burocráticas que muitas vezes retarda o bom andamento e a implementação de importantes ações projetadas conjuntamente”.
O presidente da UA apelou à realização projectos que assegurem a empregabilidade de jovens, começando por lhes garantir a formação profissional, para dar resposta à carência de quadros em África e habilitar a juventude africana na integração de projectos conjuntos e colmatar a falta de mão-de-obra qualificada para empresas europeias e outras que investem em África.

