O PECHISBEQUE SHOW DA TIA ANA NO GANA

O verdadeiro sucesso e a longevidade da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA) dependerão da capacidade de garantir uma integração económica inclusiva, justa e amplamente participativa, com especial atenção às mulheres, aos jovens e ao vasto sector informal africano.

A posição foi defendida por Ana Dias Lourenço durante a sua intervenção nos Diálogos sobre a Prosperidade de África (APD) 2026, que decorreram sob o lema “Empoderar as PME, Mulheres e Jovens no Mercado Único Africano”, no Centro Internacional de Conferências de Acra, no Gana.

Momentos antes da sua intervenção, Ana Dias Lourenço foi homenageada com um poema intitulado “Mãe das Nações”, em reconhecimento ao seu percurso público como esposa do general João Lourenço, Presidente do MPLA (partido no Poder há 50 anos) e, por inerência, Presidente da República e Titular do Poder Executivo, e ao seu contributo para a promoção do desenvolvimento inclusivo em África.

O poema, declamado por uma menina poetiza ganense, Nakeeyat Dramani Sam, emocionou os presentes, especialmente a Ana Dias Lourenço, pela descrição efusiva do seu papel na defesa do empoderamento das mulheres, da educação das raparigas e da coesão social, bem como na liderança da Organização das Primeiras-Damas Africanas para o Desenvolvimento (OAFLAD). As crianças angolanas que todos os dias frequentam os contentores de lixo à procura de comida teriam, certamente, gostado de ouvir o referido o poema.

Durante a sua intervenção, Ana Dias Lourenço alertou que, para o cumprimento efectivo dos objectivos da Zona de Comércio Livre Continental Africana, é fundamental integrar o sector informal, que, apesar de frequentemente invisível nas estatísticas oficiais, garante a subsistência de milhões de famílias africanas.

Ana Dias Lourenço entende que a Zona de Comércio Livre Continental Africana não deve ser encarada apenas como um acordo “técnico ou um conjunto de protocolos “burocráticos”, mas como um instrumento estratégico capaz de transformar o potencial económico, cultural e humano do continente em prosperidade partilhada e sustentável”.

No mesmo contexto, destacou o papel central do Protocolo sobre Mulheres e Jovens no Comércio, considerando-o inalienável no quadro da Zona de Comércio Livre Continental Africana.

“A inclusão económica não acontece de forma automática ou por mero decreto. Ela exige a implementação de políticas activas, a adopção de medidas correctivas e uma abordagem consciente e persistente, para ultrapassar as desigualdades históricas e estruturais que continuam, infelizmente, a limitar a participação plena de mulheres e jovens na economia formal e no comércio intra-africano”, disse Ana Dias .

Ana Dias Lourenço destacou igualmente as barreiras linguísticas, que ainda condicionam o comércio intra-africano e recomendou a promoção da formação linguística, como instrumento essencial para reforçar o diálogo, a confiança e a negociação entre os povos africanos.

“A nossa vasta diversidade linguística é uma riqueza cultural incomensurável, mas não deve ser considerada como um obstáculo à nossa união económica”, acrescentou. Ao referir-se a Angola, Ana Dias Lourenço reafirmou – mentindo – que o investimento no capital humano continuará a ser uma prioridade estratégica do Executivo, sobretudo no contexto da actual transformação económica.

Segundo Ana Dias Lourenço, o eixo central do desenvolvimento angolano assenta em sectores como a agricultura, indústria, energias renováveis, economia digital e a inovação tecnológica, considerados fundamentais para a criação de emprego e para a redução das vulnerabilidades externas do país. Sobre os 20 milhões de angolanos pobres, grande parte dos quais continuam a aprender a viver sem… comer, bem como dos milhões de crianças que são geradas com fome, nascem com fome e morrem – pouco depois – com fome, nada disse.

Ana Dias Lourenço falou também sobre a importância do acesso da mulher camponesa africana a tecnologias verdes e a conhecimentos que assegurem a protecção da terra e a segurança alimentar.

Na ocasião, também partilhou iniciativas desenvolvidas pela Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, criada em 2018, como a plataforma “Transforme Vidas, Seja Mulher”, orientada para o empoderamento de jovens mulheres, e a implementação do Campus Juvenil do Cunene, vocacionado para a formação em liderança, capacitação profissional e participação cívica.

Apesar dos progressos registados, Ana Dias Lourenço reconheceu que muitas mulheres continuam a operar em sectores de menor rentabilidade e enfrentam barreiras culturais profundas, pelo que defendeu, por isso, a transversalização da perspectiva de género desde a concepção das políticas públicas até à sua implementação, como condição essencial para garantir igualdade de oportunidades.

“Investir nas mulheres e nos jovens não é um gesto simbólico; é uma decisão estratégica para garantir economias mais fortes, sociedades mais justas e um futuro africano de prosperidade verdadeiramente partilhada”, sublinhou Ana Dias Lourenço.

Auxiliar linguístico para os assessores do MPLA. “Pechisbeque”: Coisa de baixo valor, que imita outra mais nobre ou valiosa; brilho falso; aparência enganadora; pessoa ou coisa sem importância.

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