Foi com emoção que Manuel Mota, filho do empresário Manuel António da Mota, evocou o legado do pai durante a cerimónia da 3.ª Edição do Prémio Manuel António da Mota – Uma Vida em Angola. Para o representante da família, esta iniciativa é mais do que um prémio: é a continuidade de uma visão profundamente ligada a Angola, às suas pessoas e ao desenvolvimento humano como pilar do progresso.
Manuel Mota sublinhou que o prémio traduz, de forma concreta, um compromisso que atravessa gerações e que reflecte a relação construída ao longo de décadas entre a Mota-Engil e Angola, uma relação feita de presença no terreno, investimento, confiança e impacto social. Um vínculo que, recordou, sempre esteve no centro da forma de estar do seu pai no mundo empresarial.
Recorde-se que Manuel António da Mota, fundador da Mota-Engil, foi uma das figuras mais marcantes do empresariado português contemporâneo e manteve com Angola uma ligação profunda, humana e visionária. Começou a operar no país ainda nos anos mais difíceis e nunca deixou de acreditar no seu potencial. A sua convicção ficou imortalizada numa frase que se tornou símbolo dessa ligação: “Se um dia a empresa fechar, a última coisa que fazemos é apagar a luz em Cabinda.” Uma afirmação que Manuel Mota recordou durante a cerimónia de entrega dos prémios e que espelha não apenas persistência empresarial, mas sobretudo respeito, compromisso e pertença.
Essa herança esteve presente na cerimónia que decorreu em Luanda e que contou com a presença da Primeira-Dama da República de Angola, Ana Dias Lourenço, presidente do júri desta edição, bem como de membros da Fundação Manuel António da Mota, representantes da Mota-Engil e várias personalidades da sociedade angolana.
Na ocasião, Ana Dias Lourenço destacou o prémio como um espaço de encontro entre valores, pessoas e causas, sublinhando a sua importância na promoção do desenvolvimento humano e no reconhecimento de iniciativas com impacto real na vida das comunidades.
Inspirado no modelo implementado em Portugal há mais de 15 anos, o Prémio Manuel António da Mota – Uma Vida em Angola afirma-se como uma extensão viva do legado do seu patrono. Mais do que homenagear um nome, o prémio perpetua uma forma de estar: próxima das pessoas, comprometida com o território e orientada para a construção de uma Angola mais justa, solidária e inclusiva.
Obra da Divina Providência vence 3.ª Edição
Cada uma das instituições foi premiada com valores monetários convertidos em Kwanzas, ao câmbio oficial do dia e, de acordo com o regulamento, nos montantes de 50 mil dólares, 25 mil dólares e 15 mil dólares, respectivamente.
A Obra da Divina Providência foi a grande vencedora da 3.ª Edição do Prémio Manuel António da Mota – Uma Vida em Angola, com o projecto de apetrechamento do Centro de Tratamento à Tuberculose do Hospital Divina Providência, em Luanda.
Para além da vencedora do Grande Prémio, foram igualmente distinguidas a AfriYAN Angola, que conquistou o 2.º lugar, e a ADRA | Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente, classificada em 3.º lugar, em reconhecimento pelo impacto social e pelo contributo relevante dos seus projectos para a melhoria das condições de vida das comunidades em Angola.
A Obra da Divina Providência foi distinguida com o 1.º lugar pelo projecto de apetrechamento do Centro de Tratamento de Tuberculose do Hospital Divina Providência, em Luanda. A iniciativa visa equipar um novo pavilhão dedicado exclusivamente ao diagnóstico e tratamento da tuberculose, reforçando a capacidade de resposta a uma das principais doenças de saúde pública no país. O projecto permitirá aproximar cuidados especializados das populações mais vulneráveis, contribuindo para a redução do abandono do tratamento, a salvaguarda de vidas e o fortalecimento do sistema nacional de saúde.
A AfriYAN Angola conquistou o 2.º lugar com o projecto “NAYUKA”, uma iniciativa inovadora que promove a dignidade menstrual, a saúde das raparigas e a sustentabilidade ambiental. Através de um modelo cooperativo, o projecto alia a produção de pensos reutilizáveis e sabão artesanal à educação em saúde menstrual, contribuindo para a redução do absentismo escolar, a geração de rendimento para mulheres e jovens e a protecção do meio ambiente.
ADRA | Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente: A ADRA foi distinguida com o 3.º lugar pelo projecto “Tuapama (Fortalecer)”, uma iniciativa focada no reforço da agricultura familiar e na melhoria das condições socioeconómicas de comunidades rurais no município do Sequele, província do Icolo e Bengo. O projecto beneficia directamente pequenos produtores agrícolas e mulheres organizadas em cooperativas e associações, promovendo o aumento da produção, a organização comunitária e a autonomia económica das famílias envolvidas.


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