As reacções são muitas, muitas, para o bem e para o mal, nas conversas de passeios, nos cafés, restaurantes, nos candongueiros e escritórios, sobre a oportunidade e relevância das palavras do Presidente da República, proferidas em entrevista a um órgão estrangeiro, para não variar, a Voz da Alemanha (02.02.20), num momento em que o país precisa da âncora da economia e não do cada vez mais gasto discurso de combate aos crimes de corrupção, selectivos e centrados no “in circle” da família do ex-presidente da República, José Eduardo dos Santos.

O Folha 8 foi medir a pulsação daqueles que não conseguem comprar, semanalmente, um jornal, tão pouco ter acesso à Internet, pela opção primeira de, pelo menos, pôr pão (mesmo que seco e que tenha sido amassado pelo Diabo) na mesa.

“Eu não como corrupção, mas comida”, disse Maria Joaquina, secundada por Manuel Jamba, “será que ele não tem outro discurso ou será que se doutorou em falar em corrupção, enquanto nós povo morremos de fome?”

Num dos candongueiros (táxi-colectivo) que liga o bairro Sambizanga ao Miramar/Maternidade Augusto Ngangula, o electricista-auto, no desemprego, Ngola Zau, não tem dúvidas “que essa porcaria só prejudica os pobres, pois, enquanto eles, todos gatunões que roubaram feio, querem, agora, demonstrar quem foi o melhor e pior gatuno, o povo vai se lixando, sem trabalho, porque com esta confusão as empresas dos estrangeiros estão a fechar todos dias”.

Já Joaquina Filipe num tom mais descontraído diz não ter dúvidas, “pois o Presidente é bom a acusar o outro que lhe deixou lá, mas não se acusa também de ter roubado naquele tempo, ter ficado rico e ter empresas feitas com o dinheiro retirado dos cofres do Estado. Porque é que ele não pede desculpa ao povo, por ter participado nessa grande roubalheira e em sinal de arrependimento, devolve as coisas ao Estado para beneficiar o povo?”.

Inconformado com a vida e muito zangado, Malaquias Bembe disse: “Porra jornalista, estes políticos do MPLA são todos uma cambada de gatunos, que agora querem nos colocar chuinga nos olhos dizendo que antes havia uns honestos embarrados e, que, como só hoje assumiram o poder, estão a denunciar agora os gatunos… Brincadeira, são todos uns cabrões e farinha do mesmo saco”.

Convicta, Manuela Bambi contraria essa tese, mesmo correndo o risco de ser contrariada pela maioria dos ocupantes do candongueiro, “o camarada João Lourenço tinha de começar a fazer alguma coisa para corrigir o que está mal e melhorar o que está bem. Para mim ele está a agir bem, sim senhor”.

E a reacção não se fez esperar: “Minha senhora, vocês do MPLA são bruxos, gatunos, que já não mudam. 44 anos a fazer-nos sofrer e agora dizem que havia um gatuno honesto que era João Lourenço. Não, ele é do mesmo grupo dos marimbondos e pior que todos pela sua raiva e cinismo”, assevera José Camilo.

“Nessa entrevista ele não falou nada de novo. Continuam a mentir ao povo, para ficar no poder, quando o MPLA como a maior organização criminosa, no país, pelo número de gatunos, não tem soluções, porque o seu melhor programa económico é o de roubar o dinheiro público, por isso só há uma solução, extinguir o mal do nosso seio. Não votar neles. Levá-los à justiça para a sua extinção, tendo como provas as declarações e acções do seu actual líder, que confirma serem todos bandidos, logo devem ser extintos, em 2022”, concluiu.

Mais moderada, Luzia Mavinga amainando o clima pergunta ao microfone do Folha 8, mesmo sabendo que a neutralidade nos impede de lhe dar resposta: “Se no tempo do marimbondo grande, do maior corrupto, o saco de 25 kg de arroz estava a 2,500 kwanzas e no tempo do que se diz honesto, que não roubou, o mesmo saco custa 15 mil kwanzas, eu prefiro o José Eduardo a João Lourenço, pois aquele, nos deixava trabalhar e não permitia que a vida fosse tão cara. Se tiver de escolher eu prefiro Zedu, como manda o meu estômago e nas eleições não tenho dúvidas, vou votar noutro partido, nunca mais no MPLA, mesmo sendo militante”.

O povo parece começar, lentamente a despertar e as políticas do actual Presidente deixaram de ter unanimidade. “No princípio até gostei dele, mas depois vi ser um homem cheio de raiva e rancor, mesmo contra quem lhe fez bem, colocando-o no poder. A corrupção em Angola nunca vai acabar, porque é a natureza desse partido, principalmente agora que João Lourenço como seu presidente nos diz serem eles um bando de gatunos e delinquentes. Senhor, por favor, não são minhas afirmações, mas dele (JLo), que inclusive disse que poderão ir para a cadeia o ex-presidente e seu vice da República, depois de 5 anos. Ora se é assim o povo deve despertar. Os jovens devem despertar, os sindicatos, mesmo apagados, devem acender a sua chama e lutar pelos associados, para tirarmos do poder, quem apenas nos promete mas nunca faz nada, se não nos prender quando reclamamos”, assegurou Bernada Malungo.

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