ANGOLA. O kwanza  perdeu 30% do valor face ao euro e mais de 22% para o dólar norte-americano em dois meses, desde a estreia do regime flutuante cambial, em que as taxas de câmbio são formadas nos leilões de divisas.

Esta depreciação, que foi mais acentuada em Janeiro e que desde Fevereiro tem rondado um ritmo de quase 1% por semana, foi confirmada pela Lusa com cálculos feitos a partir das taxas cambiais oficiais do Banco Nacional de Angola (BNA), de 1 de Janeiro e de 8 de Março.

Hoje, a taxa de câmbio média do euro ronda os 264,37 kwanzas, quando a 1 de Janeiro era de 185,40 kwanzas, o que representa uma depreciação de 29,8% no espaço de dois meses. Já o dólar norte-americano é hoje cotado à taxa média de 213,25 kwanzas, quando há dois meses valia 165,92 kwanzas, uma depreciação, neste caso, de 22,2%.

A actual taxa de câmbio oficial foi formada após o último leilão de divisas, realizado na terça-feira pelo BNA e que permitiu a colocação de 200 milhões de euros, destinados a vários sectores, como importação de matéria-prima, de bens de equipamento, peças e acessórios ou materiais de construção, além de telecomunicações e para pagamento de resseguros.

Nesta sessão, em que contribuíram para o apuramento da taxa de câmbio as propostas de 21 dos 25 bancos participantes no leilão – o oitavo desde o início do novo regime flutuante cambial, a 9 de Janeiro -, o euro passou a valer (na compra pelos clientes) 264,709 kwanzas, correspondente a uma depreciação de 0,916%.

No leilão de divisas desta semana voltaram a ser aplicadas, pela sexta vez, as regras anunciadas no final de Janeiro pelo governador do BNA, José de Lima Massano, alterando os limites das propostas que podiam ser apresentadas pelos bancos, que depois são utilizadas para formar a taxa de câmbio do kwanza face ao euro.

A 18 de Janeiro, um outro leilão ao abrigo deste modelo – em que os bancos apresentam propostas de compra de divisas em kwanzas – foi suspenso pelo BNA, por as propostas terem ultrapassado o limite máximo (da cotação) definido pelo banco central para estas vendas, acima dos 300 kwanzas por cada euro.

Na reacção, o BNA convocou os bancos comerciais para uma reunião, no dia seguinte, e revelou os novos contornos do modelo de leilão de divisas (euros), em que as propostas da “margem máxima” sobre a taxa de referência – ou seja o valor que os bancos podem colocar como apreciação ou depreciação da taxa de câmbio -, “não pode ser superior nem inferior a 2%”.

“Significa que em qualquer um dos leilões, a variação máxima que poderá acontecer será de 2%, não mais, não menos”, avançou o governador do BNA, no final daquela reunião.

Desde então, a depreciação do kwanza face ao euro e ao dólar norte-americano tem ficado à volta de 1% por semana.

No modelo cambial anterior, até 9 de Janeiro, a cotação era fixada directamente pelo BNA, com o kwanza indexado ao dólar norte-americano.

Lusa

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