Ao assistirmos, pela televisão, à cerimónia de posse do novo Presidente de Angola – pedimos desculpa, da MPLÂNDIA – não pudemos deixar de sentir aquele gosto amargo que nos vem à boca, quando “a pastilha” é mais desgostosa do que devia…

Por Tchockwe Tchockwe

Pensámos nós, cá para os nossos botões: Lá estão, outra vez, os mesmos de sempre, que fingem trocar de lugares de vez em quando, e que continuam a tentar embalar-nos com as mesmas “falinhas mansas”, o mesmo ilusionismo, as mesmas promessas fáceis, o mesmo patriotismo vazio e a mesma ostentação de Poder! Onde é que nós já vimos antes este “ritual”?

O discurso inaugural do consulado de João Lourenço parece, à primeira vista, conter alguns sinais que apontarão para uma maior moralização da actividade política, especialmente na sua relação de clara promiscuidade com os mundos financeiro e económico. Até aqui, vamos fingir que acreditamos…

Não deixa no entanto de ser espantoso que, no seu discurso, João Lourenço peça, com elevado cinismo, que seja o Povo angolano o agente principal no combate ao flagelo da corrupção. Será que ouvimos bem? Saberá o recém-empossado Presidente quem têm sido os grandes beneficiários da corrupção na MPLÂNDIA? Então o maior responsável pelo combate à “Grande Corrupção Institucional” passará a ser o cidadão, anónimo e indefeso perante o supremo Poder das elites predadoras? Alguém, no seu juízo perfeito, acredita que tal seja possível?

Para nós, João Lourenço levava já o prémio de “Maior Demagogo” do Futungo de Belas, Morro Bento, Alvalade, Miramar e arredores!!!

Naturalmente que João Lourenço quererá deixar a “marca” da sua passagem pela Presidência, como já o faziam os faraós no Antigo Egipto, há milhares de anos atrás. O seu ego de “camarada” assim o exigirá!

Se, num passe de mágica, pudéssemos adiantar o calendário para uma data… digamos, num futuro a 5 anos, que Angola veríamos à nossa frente? Sem querermos ser futurólogos, veríamos, muito provavelmente, a mesma Angola das últimas décadas! Sim, é certo que com muito mais “cimento” por todo o lado (que é preciso “alimentar” os noticiários da TPA / RNA / JA), mas também com o mesmo à-vontade nos negócios entre o Estado e a classe dirigente do “Partido Divino” e seus comensais, sempre vorazes e predadores do erário público. Afinal, tratar-se-ia do lado B do mesmo regime político.

Impõe-se, agora, uma pergunta fundamental para quem ainda acreditar que é possível o milagre da regeneração: será que João Lourenço vai “mexer” nas administrações das empresas públicas, a ponto de as sanear dos corruptos e corruptores que nelas têm habitado, desde os primórdios da nacionalidade?

Lamentavelmente, é pouco provável que tal venha a acontecer, principalmente diante da falta de Poder político substantivo de que padece o novo inquilino do Palácio Presidencial.

Não deixou João Lourenço, por certo e no meio de tão grande enxurrada de promessas e profissões de fé, de prestar vassalagem a José Eduardo dos Santos, de quem recebeu o trono e o ceptro real, enaltecendo o seu carácter sacrossanto, o seu patriotismo ímpar, a sua dedicação inexcedível ao desiderato da “dignificação do angolano no plano interno e internacional”! O quê? A dignificação do angolano ou o enriquecimento das predadoras elites dirigentes? Deve ter havido, nesta parte do discurso, algum “erro de tradução”.

Por último, confessamos ter ficado com dúvidas sobre a intenção de João Lourenço quando diz que, “neste mandato, vamos assegurar um maior investimento público no sector da Comunicação Social, de forma a que os angolanos tenham acesso a uma informação fidedigna em todo o território nacional”. O que quererá o recém-empossado titular dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário dizer com essa afirmação? Que a “Santíssima Trindade” (TPA / RNA / JA) já não é suficiente para que os angolanos tenham uma “informação de qualidade, isenta e com verdade”? Devemos ter percebido mal, e não tardará a que a realidade nos venha esclarecer, também, o sentido de mais esta promessa.

Se “outros Poderes” não se opuserem, João Lourenço inicia agora o seu “estado-de-graça”. Esperemos que, pelo menos por enquanto, não se revelem em todo o seu esplendor as lutas intestinas dentro do Partido Divino, incomodadas que estão pelo advento dos “Novos tempos”… mesmo que de “novos”, aparentemente, NADA TENHAM!!!

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