O Governo angolano aprovou uma verba de mais de 9,2 milhões de dólares (7,8 milhões de euros) para garantir a manutenção e reparação técnicas das aeronaves que integram a frota da Força Área Nacional (FAN). Ter na mão os homens que usam farda foi uma regra de ouro de José Eduardo dos Santos. João Lourenço vai mantê-la, é claro!

De acordo com uma autorização governamental de final de Setembro, o contrato envolve a empresa pública angolana Simportex – Comercialização de Equipamentos e Meios Materiais, Import & Export e a Moscóvia Limitada, prevendo o fornecimento de motores, peças sobressalentes e outros componentes.

O contrato envolve ainda a prestação de serviços especializados de manutenção, reparação técnica e operações de voo das aeronaves da FAN, nomeadamente da frota de Antonov que tem ao dispor.

A frota da FAN conta com mais de meia centena de aviões de combate, com origem na antiga União Soviética, bombardeiros, aviões de treino e de patrulhamento marítimo, além de cerca de três dezenas de aeronaves de transporte e uma centena de helicópteros.

A FAN continuará a cumprir com zelo e dedicação todas as missões que lhe forem atribuídas, quer no âmbito operacional, quer no quadro social, humanitário e político, apesar das dificuldades com que ainda se confronta o país, afirmou em Janeiro deste ano João Lourenço, então ministro da Defesa Nacional e na altura já apontado como putativo sucessor de José Eduardo dos Santos.

Numa mensagem alusiva ao 41º aniversário da FAN, o governante disse ter essa plena convicção, como aconteceu no apoio da Força Aérea ao Processo de Registo Eleitoral, para as eleições deste ano.

João Lourenço exortou os efectivos da Força Aérea Nacional a cumprirem com vigilância, disciplina e prontidão a sua missão de garantir a inviolabilidade do espaço aéreo, na defesa e salvaguarda dos interesses e da soberania nacional.

Afirmou também que a comemoração da efeméride acontecia numa altura em que a FAN estava a apetrechar-se com meios técnicos mais modernos e a capacitar o nível dos seus quadros, para o cumprimento cada vez mais eficaz e eficiente das missões que lhe são confiadas.

João Lourenço disse estar orgulhoso com a “brilhante história da Força Aérea Nacional, cujos efectivos das mais diversas gerações, com empenho e elevado sentido patriótico e de missão, sempre defenderam os mais legítimos interesses da República de Angola” (leia-se, do MPLA).

A Força Aérea Nacional foi criada a 21 de Janeiro de 1976, pelo primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, aquando da sua visita à Base Aérea de Luanda.

Recorde-se que, em Junho, o Ministério da Defesa Nacional, então liderado pelo general João Lourenço recebeu 285 milhões de euros de fundos públicos para garantir o programa de apetrechamento das Forças Armadas Angolanas (FAA).

A decisão consta de um decreto presidencial de 7 de Junho, autorizando a atribuição de um crédito adicional no OGE de 2017 para o “suporte dos encargos relacionados com o Programa de Potenciação e Apetrechamento Técnico Militar das Forças Armadas Angolanas”.

O documento assinado pelo Presidente não refere que encargos serão assumidos com a dotação aprovada, no montante de 42.987.724.769,33 kwanzas (285 milhões de euros).

Os três ramos das FAA contam com mais de 100.000 militares, sector que representa 7,24% de todas as despesas do Estado previstas no OGE de 2017, equivalentes a 535.128 milhões de kwanzas (2,8 mil milhões de euros).

As FAA tinham na altura em curso contratos de aquisição de helicópteros à Itália e aviões à Rússia, mas pretendiam ainda avançar com o reequipamento da Marinha, com a aquisição de novos navios de patrulhamento das águas nacionais.

Folha 8 com Lusa

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