A UNITA lançou um apelo urgente para donativos que permitam ao partido, o maior da oposição, realizar uma campanha eleitoral “digna desse nome”. Pelos vistos, como sempre afirmou o MPLA, a UNITA aprenderá a viver sem comer. Até lá… morre, mas essa é outra questão.

O apelo consta de uma mensagem que está a ser enviada a militantes e população, assinada pelo vice-presidente do partido, Raúl Danda, que é também o número dois da lista da UNITA às eleições gerais de 23 de Agosto e, por isso, candidato, por eleição indirecta (não nominal), ao cargo de vice-Presidente da República.

Na mensagem, Raúl Danda afirma que os angolanos “têm estado a viver momentos de verdadeiro sacrifício, com carências de tudo ou de quase tudo” e que “é urgente mudar a situação”.

A verdade tem destas coisas. Quantas manifestações públicas a UNITA organizou no sentido de alertar os donos do país para os “momentos de verdadeiro sacrifício, com carências de tudo ou de quase tudo”?

“Neste momento, a UNITA é indubitavelmente a força política melhor posicionada para operar essa mudança, para que os angolanos conheçam dias melhores. Mas, para isso, a UNITA precisa urgentemente de meios financeiros que lhe permitam realizar uma campanha eleitoral digna desse nome”, escreve o vice-presidente do partido liderado por Isaías Samakuva, que concorre ao cargo de Presidente da República.

Por outras palavras, a UNITA está a apelar aos pobres de um país rico para ajudarem os ricos de um país que sendo rico não gerou riquezas mas apenas… ricos.

Como é público, as seis forças políticas angolanas com listas aprovadas às eleições gerais vão receber do Estado mais de 5,5 milhões de euros para financiamento da campanha eleitoral.

Segundo um decreto assinado pelo Presidente angolano, a verba aprovada é para “financiamento, de modo equitativo, da campanha eleitoral dos partidos ou coligações de partidos políticos com as candidaturas definitivamente aprovadas pelo Tribunal Constitucional”.

A verba em causa é fixada em 1.040 milhões de kwanzas (5,5 milhões de euros), de acordo com o documento, que aprova igualmente a abertura de um crédito adicional ao Orçamento Geral do Estado para o Ministério das Finanças, “para o pagamento da referida despesa”.

É pouco? Será. Mas essa coisa de os partidos da oposição quererem semear num dia e colher no outro, de só se lembrarem de santa Bárbara quando troveja, revela a falta de planeamento típica de quem faz uma navegação à vista. Com o MPLA é diferente. Este partido colhe mesmo sem semear.

A UNITA vai figurar na primeira posição do boletim de voto nas eleições gerais de 23 de Agosto, tal como aconteceu na votação de 2012. O sorteio realizado na terça-feira pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE), em cerimónia presenciada pelos mandatários das seis formações políticas que concorrem às eleições deste ano, colocou na segunda posição a Aliança Nacional Patriótica (APN).

A terceira posição é ocupada pelo Partido de Renovação Social (PRS), seguido do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido no poder desde 1975, da Frente Nacional para Libertação de Angola (FNLA) e da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE).

Angola contará com 9.317.294 eleitores nas eleições gerais de Agosto, segundo dados oficiais que o Ministério da Administração do Território entregou à Comissão Nacional Eleitoral.

A Constituição angolana aprovada em 2010 prevê a realização de eleições gerais a cada cinco anos, elegendo 130 deputados pelo círculo nacional e mais cinco deputados pelos círculos eleitorais de cada uma das 18 províncias do país (total de 90).

O cabeça-de-lista pelo círculo nacional do partido ou coligação de partidos mais votados é automaticamente eleito Presidente da República e chefe do executivo, conforme define a Constituição, moldes em que já decorreram as eleições de 2012.

Pela UNITA, a lista pelo círculo nacional é encabeçada por Isaías Samakuva, presidente do partido e que concorre desta forma à eleição, por via indirecta, para Presidente da República. Pela APN, a lista é liderada por Quintino Moreira, seguindo-se Benedito Daniel, líder e cabeça-de-lista do PRS.

João Lourenço, vice-presidente do MPLA e ministro da Defesa, lidera a lista do partido, concorrendo assim à sucessão de José Eduardo dos Santos, chefe de Estado e que, ao fim de 38 anos no poder, já não vai a votos.

Pela FNLA concorre, como cabeça-de-lista, o líder do partido, Lucas Ngonda, e pela CASA-CE avança Abel Chivukuvuku, líder e cabeça-de-lista daquela coligação.

Folha 8 com Lusa

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