ANGOLA. Mais de 400 trabalhadores da Empresa Nacional de Pontes de Angola estão há 45 meses sem salários e protestam há mais de uma semana, em vigília, exigindo os pagamentos em atraso, dando conta de dificuldades para sustentar as famílias.

A informação foi avançada hoje pelo primeiro secretário da comissão sindical dos trabalhadores da empresa pública de pontes, Mateus Alberto Muanza, afirmando que a vigília, que teve início a 21 de Junho, vai decorrer até à resolução da situação.

De acordo com o sindicalista, são no total 427 trabalhadores que se encontram nesta condição, sem nenhum esclarecimento preciso sobre o assunto a nível da direcção da empresa.

“A empresa alega que não foram pagas as facturas das obras concluídas, mas temos informação do sector da contabilidade e finanças de que as facturas das obras feitas foram liquidadas por intermédio da dívida pública, pagas por meio de um banco comercial, mas a direcção da empresa diz esperar por juros do respectivo banco” explicou.

Enquanto esperam insatisfeitos pelo pagamento dos 45 meses de salários em atraso, Mateus Alberto Muanza narra as dificuldades por que passam diariamente os funcionários da Empresa Nacional de Pontes de Angola.

“Estamos aqui a morrer, com a família desamparada, os filhos sem estudar, perdemos a nossa dignidade, estamos completamente debilitados devido à falta de salários”, lamentou.

O sindicalista explicou ainda que a empresa pública de pontes é tutelada pelo Ministério da Construção de Angola e está a trabalhar “a meio gás”, desde Janeiro, alegando a direcção falência técnica, “porque quer que a empresa feche as portas”.

“Estamos preocupados com a situação, porque no tempo do conflito armado reconstruímos muitas pontes e, hoje, em paz estamos voltados ao abandono”, sublinhou.

Lusa

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