Tal como o Folha 8 previra em artigo publicado hoje às 11 horas (“José Eduardo dos Santos, poderá hoje mesmo regressar à capital do seu reino, recuperado que está – segundo o MPLA – dos problemas de saúde que o levaram a estar quase um mês em Espanha”), o Presidente angolano regressou hoje, ao fim da tarde, a Luanda.

De acordo com o relato da comunicação social pública (a única autorizada a estar presente no aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda), José Eduardo dos Santos foi recebido ao final da tarde para os habituais cumprimentos de boas vindas, pelo vice-Presidente da República, Manuel Vicente, pelo presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias dos Santos, e pelo juiz presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira, entre outras entidades do Governo.

O chefe de Estado angolano, no poder desde 1979, deslocou-se a 1 de maio a Barcelona, Espanha, para uma visita privada, informou na altura a Casa Civil da Presidência da República, não tendo sido divulgada outra qualquer informação oficial desde então.

“Está em Espanha e quando ficar melhor vai regressar”, disse hoje o ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti. Esta foi, aliás, a primeira vez que um membro do Governo angolano confirmou oficialmente que o chefe de Estado recebe habitualmente tratamento médico em Espanha, para onde viaja desde pelo menos 2013, regularmente, várias vezes por ano.

“Está tudo bem. Mas sabe, na vida, isso acontece com todos nós em algum momento, não nos sentirmos totalmente bem. Mas ele está bem”, afirmou o chefe da diplomacia angolana.

No dia 13 de Maio o Folha 8 escreveu (e mantém) que José Eduardo dos Santos se encontrava gravemente doente, notícia que motivou a sanha de Isabel dos Santos, levando-a a assumir-se como porta-voz oficiosa da Presidência da República (que pelo seu silêncio motivou uma onda de boatos) e a vir para a praça pública mentir, querendo contrariar a mensagem através do “assassinato” do mensageiro.

A posição de Isabel dos Santos foi assumida em duas mensagens que a empresária e Presidente do Conselho de Administração da petrolífera do regime, a Sonangol , colocou na sua conta na rede social Instagram.

Referindo-se ao Folha 8, Isabel dos Santos (aquela que é a mais emblemática multimilionária de um país com 20 milhões de pobres) escreveu: “Alguém que desce tão baixo de nível, até ao ponto de inventar notícias de morte tudo pela vontade insaciável de criar confusão, e tumulto político em Angola. Até que ponto chega o egoísmo, e ambição desmedida destas pessoas, até ao ponto de ignorar, que existem familiares e amigos… Oportunistas e criadores de falsas notícias”.

Tratou-se, usando a terminologia de Isabel dos Santos (talvez aconselhada – na criação desta falsa afirmação – pelos seus assessores portugueses) de uma mentira (apenas mais uma) porque o Folha 8 NUNCA (em tempo nenhum; nenhuma vez) escreveu fosse o que fosse sobre a morte do seu pai, José Eduardo dos Santos.

Escrevemos sim, e mantemos hoje, que se encontra gravemente doente. E se gravemente doente é sinónimo de morte, então lá teremos de voltar à escola primeira do Huambo, não sendo necessário para o efeito frequentar, como Isabel dos Santos se orgulha de referir, o King’s College de Londres.

No texto: “José Eduardo dos Santos em estado (muito) grave”, escrevemos: “Esperemos que tudo não passe de mera especulação e que o Presidente possa melhorar de saúde e recuperar as suas plenas faculdades para completar o seu mandato”.

Será isto, como escreveu Isabel dos Santos, sinónimo de “egoísmo, e ambição desmedida destas pessoas, até ao ponto de ignorar, que existem familiares e amigos”?

Mesmo hoje que já pode contar com o seu Pai em Luanda, reiteramos um conselho a Isabel dos Santos: a serenidade é a melhor conselheira. A verdade também ajuda. Compreendemos que a dor lhe tolde o raciocínio e a leve a confundir a obra-prima do Mestre com a prima do mestre-de-obras. Lamentamos igualmente que, sobretudo nos momentos difíceis, nenhum do seus assalariados a aconselhe a não misturar o desejo de vingança com a verdade.

Talvez seja sua vontade – como lhe sugerem alguns dos seus acólitos – acabar de vez com o Folha 8. Se o quiser fazer, não precisa de se refugiar na mentira, atribuindo-nos afirmações que nunca fizemos. Se esse for o seu desiderato, basta usar o que efectivamente escrevemos e que, é verdade, quase sempre lhe desagrada.

Isabel dos Santos usou o Instagram mas também poderia, no caso da reacção ao que o Folha 8 escreveu, usar o mais do que legítimo direito de resposta. Inteligentemente, espirrou e ficou à espera que outros (a Lusa, por exemplo) fosse célere na transmissão selectiva, acelerada e massiva do vírus.

Assim aconteceu. Com a vantagem de que as agências de notícias podem escrever as barbaridades que muito bem entenderem, na certeza de que elas serão replicadas em tudo quanto é sítio, sem qualquer tipo de edição. Isabel dos Santos sabe que o “copy paste” é um dos principais instrumentos de “trabalho” dos supostos jornalistas, pelo que ninguém cuida em saber se – como escreveu a Lusa em 31 de Agosto de 2014 – o Namibe é um país (http://noticias.sapo.ao/lusa/artigo/18171134.html).

Será que Isabel dos Santos prefere, tal como seu pai, ser assassinada pelo elogio do que salva pela crítica? Ficaria mais feliz se o Folha 8 dissesse que o seu pai tem a mesma saúde que tinha quando, há 38 anos, assumiu os comandos de Angola?

Será que Isabel dos Santos se lembra de ter lido o que se segue: “O respeito é muito bonito e todos gostamos. No que ao presidente do MPLA e de Angola respeita, é público que o consideramos um ditador e o principal responsável, entre muitas outras coisas, pela fome que atinge milhões de angolanos. Isso não nos dá direito de ofender José Eduardo dos Santos, esquecendo a educação e entrando pelo insulto soez, torpe e ordinário”?

Isabel dos Santos sabe que, por exemplo, no nosso site não é, nem nunca foi, publicado nenhum comentário ofensivo para com o seu pai. Também sabe que no nosso Facebook, embora nesta rede social o controlo seja mais difícil, apagamos – sempre que detectados – quaisquer comentários ofensivos, indo mesmo a ponto de banir a presença dos que teimam em desrespeitar as mais elementares regras de civismo.

Por fim, seria bom que Isabel dos Santos entendesse que a se a nossa liberdade termina onde começa a sua, a sua termina onde começa a nossa.

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