O presidente da comissão de gestão da TAAG, Joaquim Teixeira da Cunha, garantiu hoje que a transportadora aérea angolana ultrapassou a “inesperada retirada” da Emirates da administração da companhia estatal sem alterações profundas nos quadros. Então – se eles até não fazem falta – o acordo com os árabes serviu, ou servia, para quê?

A posição consta de uma nota da TAAG sobre o processo que se seguiu à decisão da Emirates, que a 10 de Julho anunciou, de forma unilateral, o fim do acordo com o Governo angolano para gestão daquela companhia, iniciado em 2015.

A decisão implicou desde logo a saída do presidente do Conselho de Administração da TAAG, o britânico Peter Hill, mas vários outros administradores, também indicados pela Emirates, optaram por permanecer em funções, por acordo directo com a transportadora estatal angolana.

“Estamos muito satisfeitos por termos atravessado o período da retirada inesperada da Emirates sem uma grande mudança em termos de gestão sénior”, refere Joaquim Teixeira da Cunha, que antes da entrada da transportadora árabe na gestão da TAAG foi presidente do Conselho de Administração da companhia de bandeira angolana.

O Governo angolano criticou a 13 de Julho, três dias depois, a “forma brusca” como a Emirates terminou a parceria de gestão da TAAG, justificando não nomear já um novo conselho de administração para a transportadora aérea de bandeira devido à proximidade das eleições gerais. A mesma preocupação institucional não foi, nem é, seguida pelo Governo noutros assuntos de Estado.

A posição foi assumida, em comunicado distribuído à imprensa, pelo Ministério dos Transportes de Angola, recordando que esta parceria, envolvendo um contrato de gestão da TAAG pela Emirates em vigor desde 2015, visava dotar a companhia angolana de uma “gestão profissional de nível internacional, libertando-a de problemas de eficácia e eficiência que vinham persistindo há longos anos”.

Por sua vez, o presidente da comissão de gestão encarregue de liderar a empresa até à posse do novo Governo, após as eleições gerais em Angola, a 23 de Agosto, assume que o trabalho realizado até ao momento será para continuar.

“Estamos muito confiantes que os grandes avanços realizados pela TAAG nos últimos dois anos serão sustentados e tenho o prazer de continuar a trabalhar com mesma equipa forte, bem como acolher as novas adições”, acrescentou Joaquim Teixeira da Cunha.

William Boulter, anterior administrador comercial da TAAG, nomeado pela Emirates, passou a ter as funções de vice-presidente da comissão de gestão, assim como Rui Carreira, anterior director-geral adjunto do Instituto Nacional da Aviação Civil de Angola.

Segundo a TAAG, os anteriores gestores que compunham a equipa da Emirates “continuam nos seus cargos”, sendo que a função de administrador responsável passou de Peter Hill, que deixou a empresa, para o Patrick Rotsaert, anterior administrador da área operacional.

Vipula Gunetilleka permanece como administrador financeiro, “face às melhorias consideráveis” nas contas da empresa, tendo em conta os anos anteriores.

A transportadora aérea Emirates anunciou a 10 de Julho o “fim imediato” do contrato de concessão para gestão da companhia de bandeira angolana TAAG, face “às dificuldades prolongadas que tem enfrentado no repatriamento das receitas” das vendas em Angola.

Numa declaração pública, a transportadora referia igualmente que está a “tomar medidas no sentido de reduzir a sua presença em Angola” e que reduziria de cinco para três o número de frequências semanais para Luanda.

O Governo angolano acusou a companhia de relacionar assuntos diferentes, como é caso da falta de divisas para repatriar dividendos em Angola, que afecta todas as companhias que operam no país, e o contrato de gestão da TAAG.

Folha 8 com Lusa

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