A administração da petrolífera do regime, Sonangol, recusou hoje, em comunicado, acusações de discriminação de quadros angolanos na política de contratações, nomeadamente de portugueses, recordando que entre os 8.129 colaboradores ao serviço, apenas 20 são expatriados.

A posição da petrolífera estatal angolana surge após vários dias de posições críticas, em alguns órgãos de comunicação social (entre os quais o Folha 8) e nas redes sociais, à contratação de elementos estrangeiros para a direcção da empresa. Na semana passada foram exonerados três administradores executivos angolanos e nomeados outros tantos, dois dos quais portugueses, casos de Emídio Pinheiro, ex-administrador dos bancos BFA e Caixa Geral de Depósitos, e da advogada Susana Brandão.

“Desde que este conselho de administração assumiu funções, em Junho de 2016, foram contratados 35 colaboradores, dos quais 26 são nacionais e nove são expatriados, primando assim sempre pelas contratações de novos talentos angolanos sempre que disponíveis no mercado”, explica a petrolífera, criticando a propagação de notícias “desprovidas de qualquer tipo de fundamento e racionalidade”, sobre “uma alegada discriminação de quadros angolanos”.

A petrolífera, liderada desde Junho de 2016 por Isabel dos Santos, escolhida para o cargo pelo seu pai, então Presidente da República e Titular do Poder Executivo (José Eduardo dos Santos) explica que está em curso um processo de transformação para devolver a Sonangol “à sua condição de referência no mercado energético mundial, criando riqueza para o país e contribuindo assim, de forma decisiva, para o desenvolvimento sustentável dos cidadãos angolanos”, necessitando para tal de quadros experientes em várias áreas.

Acrescenta que os trabalhadores expatriados representam apenas 0,2% da força de trabalho, dos quais três integram o Conselho de Administração do grupo (entre 11 elementos) e afirma que “os números demonstram de forma inequívoca” que a “maioria dos contratados é nacional”.

“Mas este conselho de administração acredita que a Sonangol deverá, como empresa de referência que é, acolher a multiplicidade e a diversidade da sociedade angolana e integrar nas suas equipas todos os que, objectivamente, lhes acrescentem valor”, aponta ainda.

Entre subsidiárias e participadas, o grupo Sonangol envolve quase 100 empresas, sendo que apenas duas destas se dedicam directamente ao sector petrolífero, casos da Sonangol Pesquisa & Produção e da Sonangol EP.

“Neste sentido, todos os novos administradores oferecem garantias de reforço das valências específicas que são exigidas, nesta fase, ao conselho de administração da Sonangol. O critério da escolha foi o da sua experiência acumulada, da competência comprovada nas suas áreas de especialização e o do contributo que darão a um conselho de administração que se pretende forte, também pela diversidade dos seus membros – formação, geografias (nacionalidade ou passagem profissional por diversos países), geração e género”, aponta a empresa.

“Refira-se que estas opções não contêm nenhum tipo de discriminação de género, raça ou de nacionalidade. A Sonangol promove competências, não promove discriminação”, reforça a administração, recordando que todos os trabalhadores ligados a temas estratégicos da empresa, “independentemente de serem angolanos ou não”, estão “obrigados ao sigilo profissional”.

Eis, na íntegra o comunicado da Sonangol:

«N os últimos dias tem-se assistido à propagação de uma série de notícias relacionadas com uma alegada discriminação de quadros angolanos na política de contratações da Sonangol, veiculadas por diversos órgãos de comunicação social e através de redes sociais.

Embora estas notícias sejam desprovidas de qualquer tipo de fundamento e racionalidade, a Sonangol entende necessário esclarecer a opinião pública sobre as mesmas.

A Sonangol tem em curso um processo de Transformação, cujos contornos são públicos e estão completamente adequados ao modelo definido pelo acionista Estado, sendo o objectivo principal deste processo devolver a Sonangol à sua condição de referência no mercado energético mundial, criando riqueza para o país e contribuindo assim, de forma decisiva, para o desenvolvimento sustentável dos cidadãos angolanos.

As pessoas são o principal activo da Sonangol e entende-se que o caminho para o sucesso da empresa passa pelo aumento das suas capacidades e competências. A política de Recursos Humanos tem um papel crucial.

Nestes últimos 17 meses, foram desenvolvidos e implementados: Programas de identificação e promoção de jovens talentos angolanos; Programas com processos de formação dos Futuros Líderes, habilitando-os a exercerem as futuras funções de chefia de acordo com as melhores práticas de gestão; Promoção de dezenas de quadros internos nacionais para lugares de relevo nas diversas estruturas da empresa e recuperaram-se elementos de grande valia, que se encontravam inactivos, em regime de “aguarda colocação”, e que hoje integram Comissões Executivas e Direcções da Sonangol E.P e suas subsidiárias.

O Conselho de Administração decidiu ainda diversificar as valências e reforçar a sua equipa de gestão porque foram identificadas áreas criticas de melhoria que requeriam foco e dedicação exclusivos. Foram assim definidos os perfis necessários, e recrutados elementos que pela sua experiência profissional, pelas suas competências intrínsecas, e pelo conhecimento profundo da gestão moderna, e das suas respetivas áreas de especialização, contribuiriam de forma profissional e célere para os objectivos que todos temos – restituir à Sonangol o seu papel de empresa nacional de referência e posicioná-la como um operador global no sector petrolífero.

O Conselho de Administração passa a contar com três novos elementos, sendo eles:
Eng. Ivan Sá de Almeida – Administrador, formado em Geociências na Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, com dezoito anos de experiência no sector petrolífero, iniciou a sua carreira na Sonangol e depois foi quadro de gestão na ESSO. É um profissional de “Upstream”, nomeadamente, exploração, desenvolvimento e operações petrolíferas;

Dr. Emídio Pinheiro – Um dos mais reputados quadros da banca angolana, foi CEO de um dos maiores bancos de Angola, acumula mais de vinte anos de experiência no sector bancário e empresarial, em Portugal e Angola;

Drª. Susana Brandão – Advogada que tem vindo já nos últimos 17 meses a acompanhar directamente a área jurídica e a trabalhar em diversos dossiers jurídicos da Sonangol, de mérito firmado no exigente domínio das negociações e contratos internacionais é especializada em áreas críticas de direito, regime contratual de empresas, e com experiência em dossiers de elevada complexidade jurídica.

O Grupo Sonangol conta no seu portfólio com quase 100 empresas, entre subsidiarias e participadas, sendo que apenas duas destas empresas se dedicam ao sector petrolífero – a Sonangol P&P e a Sonangol E.P. Neste sentido, todos os novos administradores oferecem garantias de reforço das valências específicas que são exigidas, nesta fase, ao Conselho de Administração da Sonangol.

O critério da escolha foi o da sua experiência acumulada, da competência comprovada nas suas áreas de especialização e o do contributo que darão a um Conselho de Administração que se pretende forte, também pela diversidade dos seus membros – formação, geografias (nacionalidade ou passagem profissional por diversos países), geração e género.

Refira-se que estas opções não contêm nenhum tipo de discriminação de género, raça, ou de nacionalidade. A Sonangol promove competências, não promove descriminação.

Os números são, aliás, esclarecedores. Dos onze elementos que integram o Conselho de Administração, apenas três são expatriados.

Em análise, do conjunto dos 8129 Colaboradores da Sonangol somente 20 são expatriados, o que representa 0,2% da força de trabalho.

Desde que este Conselho de Administração assumiu funções, em Junho 2016, foram contratados 35 colaboradores, dos quais 26 são nacionais, e 9 são expatriados, primando assim sempre pela contratações de novos talentos angolanos sempre que disponíveis no mercado.

Como os números demonstram, de forma inequívoca, a maioria dos contratados é nacional, mas este Conselho de Administração acredita que a Sonangol deverá, como empresa de referência que é, acolher a multiplicidade e a diversidade da sociedade angolana e integrar nas suas equipas todos os que, objectivamente, lhes acrescentem valor.

Gostaríamos ainda de salvaguardar, no que respeita ao acesso à informação da empresa e ao seu plano estratégico, este Conselho de Administração acredita que não depende da nacionalidade dos profissionais o seu compromisso com a empresa e a regra de confidencialidade a que estão obrigados.

Todas as pessoas que estão ligadas a temas estratégicos relacionados com a Sonangol, independentemente de serem angolanos ou não, estão obrigados ao sigilo profissional.

No mundo de hoje temos vários exemplos em que empresas estratégicas de um determinado pais são dirigidas, ao mais alto nível, por profissionais estrangeiros.

A competência e a idoneidade são características que não têm fronteiras.

A Sonangol não poderá estar fora deste entendimento de que o mundo é cada vez mais global.»

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