Ainda ecoam os efeitos de alguns dos amargos de boca que o MPLA e os seus sipaios sentiram por aquilo a que chamaram, a despropósito, de “imparcialidade” no modo como a imprensa do regime retrata o cenário político.

Por Victor José Carvalho Ribeiro

Esses amargos de boca resultavam, fundamentalmente, por aquilo que conseguimos perceber, do que os sipaios do regime diziam ser a “exagerada cobertura mediática” que era dispensada aos candidatos da Oposição.

O assunto, de tão grave que esses acólitos do regime rotulavam, chegou mesmo a merecer um pedido de agendamento para ser devidamente debatido em plena Assembleia Nacional, uma pretensão que logo à partida nos parecia difícil de ser concretizada uma vez que os jornalistas, muito justamente não têm, nem precisam de ter, qualquer tipo de representação parlamentar.

Passadas que foram três semanas sobre o período em que esses amargos de boca levaram a que alguns protagonistas políticos do regime perdessem algum do seu tempo para virem a público expor os seus argumentos, a verdade é que o cenário político de então continua a ser rigorosamente o mesmo.

Ou seja, tendo como pano de fundo a natural agitação política que se vive nos meses que antecedem uma campanha eleitoral, seja em que país ou continente for, as diferentes forças potencialmente concorrentes tratam de se preparar, com o timing que julgam mais adequado aos seus objectivos para convencer os eleitores da razoabilidade das suas propostas.

Neste período, absolutamente fundamental para unir as diferentes fileiras partidárias, quem for mais organizado, logo à partida, leva vantagem sobre aqueles que se mostrarem demasiadamente titubeantes em se definir perante o naipe de eleitores.

Até agora, por muito que isso custe a alguns agentes políticos do regime e à própria imprensa que tem na diversidade de opiniões um manancial para melhor servir quem a segue, a verdade é que apenas a Oposição conseguiu organizar-se e preencher a sua lista de candidatos para as eleições que previsivelmente se deverão realizar em Agosto próximo.

Independentemente de se estar perante uma forma diferente das diferentes forças políticas nacionais entenderem encarar o desafio das eleições, a realidade é esta e é com ela que a imprensa tem que lidar não lhe competindo tecer grandes considerações sobre se é, ou não, este o melhor sistema de organização interna dessas mesmas formações.

No entretanto, o MPLA continua enredado na sua estratégia interna para credibilizar a fraude que há muito prepara, bem como em usar o fotoshop para apresentar aos eleitores João Lourenço como uma reencarnação do “escolhido de Deus”, de seu nome José Eduardo dos santos.

Embora esteja mais ou menos definido que João “Malandro” Lourenço será o número 1 da lista do MPLA, o facto é que oficialmente as eleições ainda não foram marcadas e João Lourenço pode ser obrigado a resignar por razões (como diziam os professores colonialistas portugueses que formaram os colonialistas professores do MPLA) “de força maior”.

Perante este cenário, onde existe apenas um putativo candidato a putativo futuro Presidente da República, só como muito má vontade é que o MPLA poderá acusar a imprensa de usar uma dualidade de critério editorial beneficiando o trabalho da Oposição.

Aliás, verdade seja dita, apesar do cenário descrito o facto é que a imprensa, que não tem culpa nenhuma do que internamente se passa no saco de gatos bravos do regime, tudo tem feito para divulgar condignamente os malabarismos demagógicos dos malandros do MPLA.

Por isso, mais do que perder tempo em verem fantasmas onde eles não existem, melhor andaria o MPLA e os seus sipaios/mercenários se concentrassem os seus esforços e as suas atenções na definição das suas estratégias de modo a resolverem as desavenças internas sem terem que recorrer, sistematicamente, a truques e malabarismos para denegrir o trabalho da Oposição e dos angolanos livres.

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