O rápido crescimento demográfico e o surgimento de novos aglomerados populacionais sem as correspondentes infra-estruturas técnicas e de serviços explicam, segundo o governador da província de Luanda, a actual “carência” de serviços básicos à população. E de quem é a culpa, sabendo-se que, tal como o país, a capital é gerida há 42 anos pelo MPLA?

Adriano Mendes de Carvalho, que falava hoje na abertura do encontro de auscultação e concertação com a sociedade civil, sobre a segurança pública em Luanda, apontou que o crescimento demográfico da província, com cerca de sete milhões de pessoas, “criou um enorme desafio” à governação.

“Relativamente à segurança pública, educação, cultura, assistência social, médica e medicamentosa, a par do fornecimento de água e energia eléctrica a toda população”, admitiu o novo governador, empossado no cargo há cerca de um mês.

Neste encontro, Adriano Mendes de Carvalho sublinhou que a “população não só exige como merece” por estes “direitos”. “Ela exige porque é aquilo que lhe toca e nós temos que corresponder o pedido da população”, disse, passando – de forma indirecta – um atestado de incompetência e mediocridade política a todos os governadores que o antecederam.

O encontro de hoje, promovido pelo Ministério do Interior de Angola e o Governo Provincial de Luanda na sequência de uma “onda de preocupações da população”, nomeadamente “sobre o aumento dos níveis de criminalidade”, o governador exortou à conjugação de esforços para a resolução dos problemas da capital.

“Com realce para segurança pública, adoptando uma estratégia de policiamento de proximidade, no âmbito da prevenção da criminalidade, visando a definição de políticas de prevenção e repreensão da criminalidade, envolvendo o cidadão na resolução dos seus próprios problemas de segurança e outros”, observou.

O último caso de insegurança na capital angolana verificou-se na sexta-feira, com a polícia a envolver-se na via pública numa troca de tiros com três elementos considerados altamente perigosos, confronto que terminou com a morte de um destes e a fuga dos restantes.

“Comunidade Participativa, Segurança Garantida” foi o lema do encontro que juntou no Cine Atlântico, centro de Luanda, diversos actores da sociedade civil, membros das comissões de moradores, administradores municipais e distritais, efectivos dos órgãos centrais e locais da polícia.

Fazendo alusão à frase do primeiro Presidente da República de Angola, António Agostinho Neto, de que “o mais importante é resolver o problema do povo”, o governador de Luanda solicitou ajuda dos munícipes no sentido de apoiarem na resolução dos problemas identificados.

“O mais importante é sim resolver os problemas do povo, mas para resolver esses problemas é necessário que a população me ajude e esta auscultação é um grande contributo para podermos dar soluções a uma série de questões que temos por resolver”, adiantou.

Segundo Adriano Mendes de Carvalho, o encontro de auscultação com a sociedade civil é relevante, por permitir o contínuo “diálogo aberto” com as forças locais.

“E digo isso para que os administradores municipais tenham isso em conta sempre nas vossas actividades, há que saber ouvir sempre a opinião do povo tornando-os partícipes na governação para que em conjunto possamos resolver os problemas da comunidade”, conclui.

Recorde-se que o governador ordenou no dia 27 de Outubro o fim urgente da venda ambulante nas ruas, avenidas e pedonais da capital angolana, classificando como inadmissível a situação que se vem registando nos últimos dias, “sob olhar impávido dos administradores”.

Adriano Mendes de Carvalho falava numa reunião realizada para analisar o Plano Provincial de Contingência de Calamidades e Desastres, em que participaram vice-governadores, administradores municipais e distritais da província de Luanda e directores provinciais.

“Senhores administradores, é importante começarmos a corrigir estas práticas e quem não estiver a cumprir o seu papel é melhor pôr o seu cargo à disposição”, avisou o governante, citado hoje pela Angop.

Outra situação que desagrada a Adriano Mendes de Carvalho são os desvios de medicamentos nos hospitais e do combustível para as ambulâncias, bem como a falta de qualidade no atendimento aos pacientes.

A ocupação anárquica de terrenos, o roubo de cabos eléctricos, vandalização dos postos de transformação, falta de iluminação pública, delinquência e imigração ilegal foram igualmente apontadas pelo governador, como situações a serem corrigidas e melhoradas com brevidade.

Segundo Adriano Mendes de Carvalho, a vandalização de equipamentos eléctricos para a iluminação pública já causou prejuízos ao Estado angolano de mais de seis mil milhões de kwanzas (30,6 milhões de euros).

Folha 8 com Lusa

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