Um novo acidente de viação em Angola provocou mais cinco vítimas mortais, numa semana em que a sucessão de casos levou o Presidente angolano, João Lourenço, a pedir, publicamente, uma condução mais segura.

O último destes acidentes, de acordo com as autoridades angolanas, registou-se na sexta-feira, na Estrada Nacional 180, na província da Lunda Norte. O acidente terá sido causado por excesso de velocidade e o rebentamento de um pneu.

Além das cinco vítimas mortais, o acidente provocou ainda 12 feridos, alguns em estado grave.

O Presidente João Lourenço, lamentou na quarta-feira as “perdas humanas dolorosas” provocadas por – até então – três acidentes rodoviários que, em 24 horas, tinham então provocado a morte de 16 pessoas nas estradas do país.

Em comunicado, o chefe de Estado exorta ainda os “serviços competentes a prosseguirem com toda a dedicação e humanismo a assistência que vêm prestando aos sinistrados desde a primeira hora”.

O primeiro e mais grave destes três anteriores acidentes aconteceu na segunda-feira, na província da Huíla, no sul do país, envolvendo o choque de duas viaturas de transporte informal de passageiros, que provocou 12 mortos.

“O Presidente da República alerta para a necessidade do cumprimento rigoroso das medidas que promovem uma condução mais segura nas nossas estradas para que se evitem perdas como as que acabam de enlutar várias famílias angolanas”, lê-se no comunicado.

Os outros dois acidentes aconteceram entre segunda e terça-feira, na província do Uíge, no norte de Angola.

“Diante de perdas humanas tão dolorosas, o Presidente da República apresenta profundas condolências às famílias dos falecidos, ao mesmo tempo que augura votos de rápido restabelecimento dos feridos”, acrescenta o comunicado.

De acordo com informação prestada pela Polícia Nacional, na origem do acidente na Huíla esteve o rebentamento do pneu de uma das viaturas de táxi, que tinha saído pela manhã de segunda-feira da cidade do Lubango em direcção à Chibia, tendo então embatido numa outra, que fazia o percurso contrário, também em serviço de táxi (transporte informal de passageiros).

Os acidentes rodoviários são a segunda causa de morte em Angola, logo após a malária.

Angola apresenta a terceira mais elevada taxa de sinistralidade rodoviária, tendo atrás de si apenas a Serra Leoa e o Irão.

Segundo a Polícia Nacional, os atropelamentos continuam a ser a principal causa de morte nos acidentes rodoviários, devido ao desrespeito das regras de trânsito, quer por peões, quer por automobilistas.

A violação sistemática das normas e regras do código de estrada, motivados pela condução em estado de embriaguez e o excesso de velocidade, estão na base dos acidentes em todo o país.

Os números da sinistralidade rodoviária em Angola continuam a ser preocupantes. No primeiro trimestre do ano, e segundo dados revelados pela Direcção Nacional de Viação e Trânsito (DNVT) os acidentes provocaram a morte de seis pessoas por dia nas estradas do país.

De acordo com esses mesmos dados, entre Janeiro e Março foram contabilizados um total de 2.225 acidentes rodoviários, uma diminuição de 389 face ao mesmo período do ano passado. Foram contabilizadas 569 mortes e 2.589 feridos, alguns em estado grave.

Os principais motivos são, primeiramente a imprudência dos condutores, mas não só. O mau estado das estradas, o consumo de álcool e o excesso de velocidade são alguns dos motivos apontados pelas autoridades para estes números tão preocupantes.

Helena Vaz de Almeida, a administradora municipal adjunta para a área política e Social das comunidades, salientou em Junho passado a necessidade de se introduzir no sistema de ensino e aprendizagem uma disciplina sobre a sinistralidade rodoviária, para educar os mais jovens. A Direcção Municipal de Transportes, Tráfego e Mobilidade considera fundamental adoptar métodos e comportamentos que corrijam determinados comportamentos relativos à sinistralidade.

Helena Vaz de Almeida informou que actualmente, em consequência dos acidentes de viação, morrem em média, no país, mais de duas mil pessoas, dos quais, mais de 50% são cidadãos com idades dos 15 aos 35 anos. Ainda segundo a administradora a sinistralidade rodoviária afecta o desenvolvimento de um país e a sua estabilidade social, sendo os acidentes considerados a segunda causa de mortes. “Todos devem unir forças e mecanismos para se travar a guerra existente nas estradas do país”, reforçou.

Angelino Sarrote, superintendente chefe de Viação e Trânsito de Viana, disse que é necessário mudar as atitudes e comportamentos para inverter a situação que se vive nas estradas angolanas.

Foto: Arquivo

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